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quarta-feira, 15 de junho de 2011

os jovens adultos solteiros, o templo e a historia da familia

Élder Russell M. Nelson, Do Quórum dos Doze Apóstolos

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A Liahona, Fevereiro de 2006


Falarei hoje sobre o templo. Gostaria de ajudá-los a estudar com profundidade sua doutrina, explorar a grandiosidade da sua glória e apreender seu significado eterno.
Os templos não são novos. “O Senhor sempre ordenou a Seu povo que construísse templos” (Guia para Estudo das Escrituras, “Templo, A Casa do Senhor”, p. 205). O Velho Testamento está repleto de referências a ordenanças, convênios e até às roupas do templo (ver, por exemplo, Êxodo 28–29; Levítico 8).
O templo mais conhecido da Bíblia foi construído em Jerusalém nos dias de Salomão. O Senhor aceitou pessoalmente aquela casa santa (ver II Crônicas 7:12). Em 600 a.C., o templo foi parcialmente destruído.
Quase cem anos depois, ele foi restaurado por Zorobabel. O prédio foi danificado pelo fogo em 37 a.C.; depois disso, Herodes ampliou e nivelou o Monte do Templo e começou a reconstrução do segundo templo (ver Guia para Estudo das Escrituras, “Templo, A Casa do Senhor”, p. 205).
Esse foi o templo que Jesus conheceu. Foi ali que Ele esteve quando menino na ocasião em que Sua mãe, preocupada, custou encontrá-Lo (ver Lucas 2:43–49).
Na primeira purificação do templo, Jesus o chamou de “casa de meu Pai” (João 2:16; ver vers. 13–16). Na segunda purificação, Jesus o denominou “minha casa” (Mateus 21:13; Marcos 11:17). Sabendo que o templo seria ainda mais profanado, Jesus falou dele dizendo: “vossa casa se vos deixará deserta” (Lucas 13:35) — uma profecia cumprida em 70 d.C., quando foi destruído.
Há muitos anos, minha mulher e eu estávamos em Jerusalém, sendo guiados através de recentes escavações num túnel à esquerda do atual Muro Ocidental do antigo templo. Naquele túnel vimos rabinos judeus orando pelo dia em que o terceiro templo seria construído em Jerusalém.
Pelo Livro de Mórmon sabemos que Néfi construiu um templo “conforme o modelo do templo de Salomão”, só que com menos ornamentos (2 Néfi 5:16).
“Desde Adão até a época de Jesus, as ordenanças eram realizadas nos templos apenas em favor dos vivos. Depois que Jesus abriu o caminho para que o evangelho fosse pregado no mundo dos espíritos, (…) as ordenanças em favor dos mortos, assim como dos vivos, passaram a ser feitas nos templos” (Bible Dictionary, “Temple”, p. 781).
Os Filhos do Convênio
Ao lermos sobre templos, também ficamos sabendo dos convênios que Deus fez com Seus seguidores fiéis: os “filhos do convênio” (3 Néfi 20:26; ver vers. 25; Atos 3:25). Há aproximadamente 4.000 anos, Deus fez um convênio com Abraão de que todas as nações da Terra seriam abençoadas por meio de sua semente (ver Gênesis 17:7; 22:18; Abraão 2:9–11). O convênio foi confirmado com Isaque (ver Gênesis 26:1–4, 24) e novamente com Jacó (ver Gênesis 28; 35:9–13; 48:3–4). Esse convênio é como um fio que percorre todo o Velho e o Novo Testamentos e o Livro de Mórmon (ver, por exemplo, a página título do Livro de Mórmon). Esse convênio foi renovado divinamente nesta dispensação como parte da Restauração de todas as coisas (ver D&C 124:58).
Os profetas já sabiam que o convênio abraâmico seria cumprido somente “nos últimos dias” (1 Néfi 15:18). Os nossos dias! (ver D&C 110:12–16). Nós somos esse povo do convênio! O que isso realmente significa? Vamos aprender juntos com algumas escrituras.
Em Mosias 5:7, lemos: “Por causa do convênio que fizestes, sereis chamados progênie de Cristo, filhos e filhas dele, porque eis que neste dia ele vos gerou espiritualmente; pois dizeis que vosso coração se transformou pela fé em seu nome; portanto nascestes dele e vos tornastes seus filhos e suas filhas”.
Em 3 Néfi 20:25, Jesus fala: “E eis que vós sois os filhos dos profetas; e vós sois da casa de Israel; e vós sois do convênio que o Pai fez com vossos antepassados, dizendo a Abraão: E em tua semente serão benditas todas as famílias da Terra”.
Em nossos templos santos, nós literalmente recebemos essas bênçãos prometidas à linhagem de Abraão, Isaque e Jacó.
A Restauração dos Templos e da Autoridade Seladora
Na Restauração, as ordenanças do templo receberam uma prioridade muito grande. A primeira revelação de um anjo ministrador dizia respeito a essa doutrina. Registrada na segunda seção de Doutrina e Convênios, ela é um eco do quarto capítulo de Malaquias. Morôni predisse a vinda de Elias, que faria com que o coração dos pais se voltasse aos filhos e o coração dos filhos, aos pais (ver Malaquias 4:5–6; D&C 2:1–2).
Elias apareceu, em 3 de abril de 1836, no domingo da Páscoa cristã, início da Páscoa judaica. Ele foi ao Templo de Kirtland para conferir as chaves da autoridade seladora, precisamente como foi profetizado pelo anjo Morôni (ver D&C 110:14–16).
No templo são administradas as ordenanças por meio das quais o poder de Deus se manifesta (ver D&C 84:20). Sem essas ordenanças e a autoridade do sacerdócio, “o poder da divindade não se manifesta aos homens na carne” (D&C 84:21).
A inscrição nos templos modernos é “Santidade ao Senhor”, (ver Êxodo 28:36; 39:30). Essas palavras descrevem o edifício, sim, mas também descrevem as ordenanças e convênios do templo e as pessoas que adoram entre suas paredes.
Os Templos da Restauração
O Templo de Kirtland foi um templo preparatório. Ele constitui hoje um monumento à fé do povo que o construiu. Posteriormente, quando os santos chegaram a Illinois, o Senhor mais uma vez pediu ao Seu povo que construísse um templo. Por quê?
Lemos em Doutrina e Convênios 124:29–30:
“Porque não existe na Terra uma fonte batismal onde eles, os meus santos, possam ser batizados pelos que estão mortos —
Pois essa ordenança pertence a minha casa.”
O versículo 32 traz esta séria advertência: “Se não fizerdes essas coisas (…) sereis rejeitados como igreja com vossos mortos, diz o Senhor vosso Deus”.
O versículo 40 declara: “Que essa casa seja construída ao meu nome, a fim de que nela eu revele minhas ordenanças a meu povo”.
O cabeçalho da seção 128 declara que essa seção foi uma epístola. Por que o Profeta Joseph Smith escreveu uma carta aos santos em vez de falar-lhes diretamente? Porque estava escondido. Estava sendo caçado por turbas furiosas e nem sequer podia voltar para casa. Estava escondido na casa do seu amigo Edward Hunter. Leiam estas palavras admiráveis, escritas na casa de Edward Hunter:
“Retomo agora a questão do batismo pelos mortos, pois esse assunto parece ocupar-me o pensamento e impor-se a meus sentimentos mais do que qualquer outro desde que meus inimigos começaram a me perseguir (…)
(…) Estes princípios referentes aos mortos e aos vivos não podem ser negligenciados no que tange a nossa salvação. Porque a sua salvação é necessária e essencial a nossa salvação, como diz Paulo com respeito aos pais — que eles, sem nós, não podem ser aperfeiçoados — nem podemos nós, sem nossos mortos, ser aperfeiçoados.
(…) A terra será ferida com maldição, a menos que exista um elo de ligação de um ou outro tipo entre os pais e os filhos. (…) O batismo pelos mortos (…) é necessário (…) que uma total, completa e perfeita união e fusão de dispensações e chaves e poderes e glórias ocorram. (…) Coisas que nunca se revelaram desde a fundação do mundo, mas que se conservaram ocultas aos sábios e prudentes, serão reveladas (…) nesta dispensação, que é a da plenitude dos tempos” (vers. 1, 15 e 18).
Os santos obedeceram e construíram o Templo de Nauvoo. Cerca de 6.000 santos receberam a investidura e o selamento antes de terem que partir e deixar seu templo. Hoje ele está novamente de pé, reconstruído em toda a sua majestade, e é muito freqüentado.
Cerca de 30 anos depois do êxodo de Nauvoo, o Templo de St. George Utah foi concluído. Ele foi o primeiro templo no qual as ordenanças em favor dos mortos foram realizadas de modo organizado.
Na dedicação do andar inferior do Templo de St. George, Utah, em 1° de janeiro de 1877, o Presidente Brigham Young, que faleceu naquele mesmo ano, disse:
“O que supõem que nossos antepassados diriam se pudessem falar dentre os mortos? Não diriam: ‘Estamos aqui há milhares de anos, nesta prisão, esperando a chegada desta dispensação’? (…) O que sussurrariam em nossos ouvidos? Ora, se tivessem poder para isso, fariam soar os próprios trovões do céu em nossos ouvidos, para que pudéssemos ter uma idéia da importância do trabalho que estamos realizando. Todos os anjos do céu estão observando este pequeno grupo de pessoas, incentivando-as a trabalhar pela salvação da família humana. (…) Quando penso nisso, desejo ter a voz de sete trovões para poder despertar as pessoas.” 1
Revelação Contínua
Em 1894, o Presidente Wilford Woodruff (1807–1898) instruiu os membros da Igreja: “Queremos que os santos dos últimos dias a partir de agora pesquisem sua genealogia e cheguem o mais longe possível e que sejam selados a seu pai e mãe. Selem os filhos aos pais e perpetuem essa corrente o mais que puderem. (…) Isso é o que o Senhor deseja para este povo”. 2
O propósito do trabalho de história da família é obter o nome e os dados dos nossos ancestrais para que se possam realizar as ordenanças do templo por eles.
A seção 138 de Doutrina e Convênios é a revelação mais valiosa do notável ministério do Presidente Joseph F. Smith (1838–1918). Ela foi recebida no mês anterior a sua morte, em outubro de 1918. Nessa situação ímpar, o Presidente Smith ainda estava no mundo, mas podia ver o mundo vindouro.
Começarei pelo versículo 11: “Vi as hostes dos mortos, tanto pequenos como grandes.
E achava-se reunido em um só lugar um grupo incontável dos espíritos dos justos, que foram fiéis no testemunho de Jesus enquanto viveram na mortalidade. (…)
Estavam reunidos, aguardando a chegada do Filho de Deus ao mundo dos espíritos para declarar sua redenção das ligaduras da morte. (…)
Enquanto essa vasta multidão esperava e conversava, regozijando-se pela hora de sua libertação das cadeias da morte, o Filho de Deus apareceu, anunciando a liberdade aos cativos. (…)
E ali pregou-lhes o evangelho eterno, a doutrina da ressurreição e a redenção do gênero humano da queda e dos pecados individuais, desde que houvesse arrependimento” (vers. 11–12, 16, 18–19).
E no versículo 51: “Esses o Senhor ensinou e deu-lhes poder para levantarem-se, depois que ele ressuscitasse dos mortos, e entrarem no reino de seu Pai, para que lá fossem coroados com imortalidade e vida eterna”.
Os templos tornam possível essa coroação! Como somos gratos por saber disso!
Permitam-me fazer uma digressão por um momento para contar uma experiência engraçada que tivemos há alguns anos. Minha mulher e eu tivemos o privilégio de levar o Presidente Spencer W. Kimball (1895–1985) e sua esposa a uma atividade. Nosso filho de cinco anos de idade estava conosco. Pedi-lhe que dissesse ao Presidente Kimball que gravura ele tinha na parede do quarto. Ele respondeu: “É o templo”.
O Presidente Kimball, com sua perspectiva global, perguntou: “Que templo?”
Aquilo deixou nosso filho completamente perplexo, por causa de sua perspectiva limitada. Ele pensou um minuto e então respondeu: “Ora, o templo do casamento, é claro”. O Presidente Kimball abriu um grande sorriso.
O Presidente Howard W. Hunter (1907–1995) disse, em 1994, ano anterior ao de sua morte: “Exorto os membros da Igreja a fazerem do templo do Senhor o grande símbolo de sua condição de membros e o local supremo de seus mais sagrados convênios. (…) Espero que todo membro adulto seja digno e possua uma recomendação atualizada para o templo, mesmo que a distância não lhe permita usá-la sempre”. 3
O Presidente Gordon B. Hinckley reafirmou essa esperança. Ele também ajudou a expandir o trabalho do templo e de história da família com extrema rapidez. Em maio de 1999, lançou o serviço FamilySearch™ na Internet. Esse serviço está agora com uma média de mais de 50.000 visitantes por dia. A partir do Pedigree Resource File (Arquivo para Localização de Linhagem), que é parte desse empreendimento, passamos a receber mais de um milhão de nomes por mês, todos ligados a linhagens. O banco de dados já tem mais de um bilhão de nomes.
Quando o Presidente Hinckley foi chamado para servir na Primeira Presidência, em 1981, quantos templos tínhamos na Igreja? Dezenove. Hoje temos 122! Há mais templos sendo construídos e outros já foram anunciados.
A Preparação Pessoal para o Templo
Para cada um de vocês, jovens adultos, eu enfatizo que o templo pode abençoá-los — mesmo antes de entrarem nele. Se mantiverem um padrão de conduta moral alto o suficiente para se qualificarem para uma recomendação para o templo, vocês encontrarão paz interior e força espiritual. Agora é o tempo para purificar sua vida de qualquer coisa que desagrade ao Senhor. Agora é o tempo para eliminar os sentimentos de inveja ou inimizade e buscar o perdão para qualquer ofensa.
Há vários anos, a Primeira Presidência enviou uma carta aos líderes do sacerdócio concernente ao melhor momento para os membros receberem uma recomendação para o templo. Parte dela dizia:
“Os membros solteiros com pouco mais ou pouco menos de vinte anos que não receberam o chamado missionário nem estejam noivos, prestes a casar-se no templo, não devem receber a recomendação para a própria investidura no templo. Podem, porém, receber uma Recomendação de Uso Limitado para fazer batismos pelos mortos. O desejo de assistir ao casamento de um irmão, irmã ou amigo no templo não é motivo para que um jovem adulto receba a investidura” (12 de novembro de 2002; ver também carta da Primeira Presidência, 21 de junho de 2005).
Notem que essa instrução se aplica a solteiros “com pouco mais ou pouco menos de vinte anos”. Esperamos que depois de alguns anos, essas pessoas estejam casadas ou levando uma vida estável, e que a adoração no templo seja uma grande prioridade em sua vida.
Antes de entrar no templo pela primeira vez, é útil participar de um curso de preparação para o templo. Outra coisa útil é a leitura de um livreto que o bispo ou presidente do ramo lhes dará: Preparação para Entrar no Templo Sagrado. 4 Isso os ajudará a entender a magnificência das ordenanças e convênios do templo.
Planejem agora casar-se no templo e conduzam seu namoro tendo o templo em mente. Quando você e seu companheiro se ajoelharem no altar de um templo sagrado, farão isso como parceiros iguais. Vocês se tornarão uma unidade familiar eterna. Qualquer coisa que corroa a espiritualidade, o amor e o senso do verdadeiro companheirismo é contrária à vontade do Senhor. A fidelidade a essas ordenanças e convênios sagrados trará bênçãos eternas a você e às gerações que ainda virão.
Um Momento de Urgência e Oportunidades
A urgência do trabalho vicário no templo foi salientada em uma carta da Primeira Presidência datada de 11 de março de 2003. Dirigida a todos os membros da Igreja, dizia que “milhões de nossos ancestrais viveram na Terra sem terem o benefício das ordenanças no templo. (…)
Todas as ordenanças realizadas na Casa do Senhor tornam-se a expressão de nossa crença na doutrina essencial e fundamental da imortalidade da alma humana”. 5
Meus queridos irmãos e irmãs, nossos dias foram previstos por nosso Mestre: “Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel (…), diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo” (Jeremias 31:33).
Somos o Seu povo, portanto “[herdaremos] tronos, reinos, principados e poderes, domínios (…) exaltação e glória em todas as coisas” (D&C 132:19). Esse é o nosso legado. Essa é nossa oportunidade. Isso testifico.
De uma transmissão via satélite do Sistema Educacional da Igreja, feita em 4 de maio de 2003, em Salt Lake City, Utah.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

As Virtudes das Íntegras Filhas de Deus

James E. Faust
Incentivo-as a fortalecerem as virtudes que já adquiriram e a se decidirem a desenvolver muitas outras.
Minhas queridas jovens irmãs, sinto-me fascinado por estar em sua presença devido ao seu imenso potencial para o bem. Vocês são parte indispensável do que a Igreja e o mundo serão, da mesma forma que sua mãe, tias e avós o foram no passado. Vocês podem desfrutar de uma felicidade que vai muito além de seus mais caros sonhos e expectativas.
Sentimo-nos especialmente honrados esta noite pela presença do Presidente Gordon B. Hinckley, do Presidente Thomas S. Monson e de outras Autoridades Gerais aqui conosco. Parabenizo a irmã Tanner, a irmã Beck e a irmã Dalton por suas excelentes mensagens a respeito de sermos firmes em Cristo. A música do coro das jovens é também admirável.
A Primeira Presidência enviou uma carta datada de 19 de março de 2003, para os líderes do sacerdócio incentivando-os a ajudarem as Moças em sua desafiadora transição para a vida adulta. Isso é muito importante. A carta enfatiza que, enquanto os pais têm a responsabilidade básica, os bispados, as líderes da Organização das Moças e da Sociedade de Socorro devem trabalhar juntas para fortalecer nossas jovens nessa transição.
Minhas queridas jovens irmãs, ao viajar para várias partes do mundo no cumprimento de designações da Igreja, tenho conhecido algumas de vocês, jovens maravilhosas, e tenho-me sentido impressionado com sua firmeza. Posso dizer sem hesitação que vocês terão “um perfeito esplendor de esperança” em seu futuro e alegria sem fim se “[prosseguirem]” 1 como filhas íntegras de Deus. Vocês são jovens virtuosas e de grande promessa. Incentivo-as a fortalecerem as virtudes que já adquiriram e a se decidirem a desenvolver muitas outras.
Esta noite gostaria de falar a respeito de algumas dessas virtudes. Muitas pessoas não entendem plenamente o significado da virtude. Um significado que é normalmente entendido é o de a pessoa ser casta ou moralmente limpa, mas a virtude, em seu sentido pleno, abrange todas as características da retidão que nos ajudam a formarmos nosso caráter. Em um antigo bordado, de 1813, que se encontra em um museu em Terra Nova, acha-se a seguinte inscrição: “A virtude é a maior beleza da mente, o ornamento de maior grandeza da humanidade. A virtude é nosso salvo- conduto e nossa estrela-guia, que desperta a razão quando nossos sentidos se enganam”.
Quero sugerir dez virtudes que cada uma de vocês pode ir ao encalço em sua busca da excelência e da felicidade:

1. Fé

Incluo a virtude da fé em primeiro lugar na lista porque ela é a mais importante. O Profeta Joseph Smith ensinou que a fé no Senhor Jesus Cristo é o “alicerce de toda a retidão”. 2 Prometo-lhes, doces jovens, que ao se esforçarem por viver os mandamentos, sua fé continuará a crescer. Quando exercitamos a fé, tornamo-nos alegres e otimistas, caridosos e corajosos, porque a fé é o agente que impulsiona todas essas virtudes.

2. Honestidade

Uma jovem da seleção de voleibol de uma universidade conta da época em que ela e sua amiga Muki participavam de um jogo num campeonato:
“Lembro-me que o placar estava apertado, (…) Gracie [do time adversário] aproximou-se da linha de saque, saltou e deu um tapa na bola com toda a força de que era capaz. (…) Os fiscais de linha sinalizaram bola fora e o primeiro árbitro levantou a mão para indicar ponto [para a nossa equipe]. Começamos a comemorar quando percebemos que Muki estava sinalizando com a mão para o árbitro que ela tocara na bola ao saltar para o bloqueio. Muki estava acusando seu próprio toque. Os fiscais de linha (…) estavam (…) sinalizando bola fora [indicando] que ninguém tocara na bola.
A silenciosa e introvertida Muki mostrara um ato de integridade e honestidade que eu nunca vira antes. Gracie Shute ficou tão impressionada que conversou com Muki após a partida. (…) Muki posteriormente deu-lhe uma cópia do Livro de Mórmon. Não sei se Gracie leu o livro. (…), mas sei que Gracie se sentiu tocada pelo exemplo de Muki, da mesma forma que todos nós.” 3
Não se pode ser honesto com outros a menos que seja honesto consigo próprio.

3. Castidade

Em “A Família — Proclamação ao Mundo”, lemos: “(…) Os poderes sagrados de procriação [devem ser] empregados somente entre homem e mulher, legalmente casados”. 4 Além do mais, o Senhor diz no Livro de Mórmon: “(…) Eu, o Senhor Deus, deleito-me na castidade das mulheres”. 5 As pessoas que se envolvem em intimidades físicas com alguém fora do matrimônio provavelmente terão sentimentos de culpa bem como profundo sofrimento emocional e físico. Relações íntimas entre homens e mulheres fora dos laços que o Senhor estabeleceu, trazem muita desgraça, vergonha, degradação e infelicidade aos envolvidos.
Em contraste, quando esses dons sagrados são exercidos da maneira como o Senhor planejou, dentro dos laços de um casamento no templo, eles nos proporcionam nossa maior alegria e felicidade. Tornamo-nos co-criadores com Deus para termos uma família e posteridade. A castidade antes do matrimônio seguida por fidelidade após o casamento é um passaporte sagrado ao auto-respeito e felicidade para todos. O Presidente N. Eldon Tanner deu um bom conselho que eu gostaria de repetir: ”Lembre-se sempre que você pode progredir muito mais no que se refere ao respeito do que à popularidade”. 6 Indico a vocês o excelente conselho dado a respeito da pureza sexual contido no livreto Para o Vigor da Juventude.

4. Humildade

A humildade tem tudo a ver com manter o equilíbrio. Por exemplo, quando vocês receberem um elogio, recebam-no gentilmente, não deixem que lhes suba à cabeça. Vocês, jovens já aprenderam muito, mas têm ainda mais para aprender. A pessoa que é humilde está aberta ao que lhe for ensinado. De fato, o Senhor prometeu: “Pois meu Espírito é enviado ao mundo a fim de iluminar os humildes e contritos (…)”. 7 Um de meus provérbios favoritos é o seguinte: “Aprenda a dizer: ‘Não sei’. Se usar essa expressão quando adequada, irá usá-la com freqüência”. 8

5. Autodisciplina

Vocês precisam ter a força para controlar-se para que consigam atingir suas metas e acentuar seus pontos fortes naturais. Hábitos que levam à autodisciplina adquiridos enquanto são jovens, tornar-se-ão parte do que constitui seu caráter para o resto da vida. O caráter formado dessa maneira surgirá com vocês na Ressurreição. 9
O princípio do trabalho é parte da autodisciplina. Bem, minhas queridas jovens irmãs, já vivi muitos e muitos anos mais do que vocês, mas até na época do meu avô, havia uma coisa que faria vocês quererem deitar e dormir — eles a chamavam de trabalho.

6. Justiça

Precisamos ser justos e solidários em nossos negócios com outros seres humanos. O Salvador deu-nos a parábola do servo injusto que devia uma grande quantia em dinheiro. Seu senhor perdoou-lhe a dívida, mas esse mesmo servo encerrou outro servo na prisão por uma dívida muito menor. Seu senhor repreendeu-o por não demonstrar a mesma compaixão que recebera e então enviou-o ao mesmo destino do outro. 10
Se forem justas com outras pessoas, elas muito provavelmente serão justas com vocês. Conta-se a história de uma professora da Escola Dominical que estava ensinando esse princípio. Ela disse à sua classe: “Lembrem-se, estamos aqui para ajudar os outros”. Uma garota da classe replicou: “Então para que os outros estão aqui?”

7. Moderação

Parte do espírito da Palavra de Sabedoria é a moderação em todas as coisas, exceto as coisas especificamente proibidas pelo Senhor. É conveniente evitar-se extremos na forma de se vestir, de se pentear, de usar maquiagem, de comportar-se, de falar e no tipo de música que se ouve. Os extremos podem atrair a atenção de alguns, mas é muito provável que afastem aqueles a quem vocês querem realmente impressionar.
Quando eu era jovem, meus amigos e eu fomos a um parque de diversões, e entramos numa atração chamada Disco Voador. Seu formato era parecido com o de um prato virado para baixo e que rodava e rodava. A maior parte de nós tentou ficar no centro para não sermos atirados para fora pela força centrífuga enquanto o disco ganhava velocidade. Algumas vezes, quem ficava na beirada agarrava um amigo que estava mais próximo ao centro, mas isso puxava os dois completamente para fora do disco. Logo descobri que a força centrífuga tinha menos potência no meio. Eu ficava bem protegido no centro muito embora o disco continuasse a rodopiar. Mas era arriscado quando alguém na parte externa do disco se agarrava em mim. Aprendi que a melhor proteção era ficar próximo ao centro.

8. Limpeza

Anos atrás, o Presidente Howard W. Hunter, a irmã Faust e eu nos encontramos com alguns alunos da BYU na época em que o programa de estudos em Jerusalém estava alojado em um kibbutz, um alojamento israelita. Na porta de dois dos alunos havia um aviso onde se lia: “Se a limpeza está ao lado da divindade, benvindos ao purgatório!”
O Presidente Hinckley deu um conselho excelente quando disse: “Sejam puros no modo de vestir e no comportamento. (…) A época em que estamos vivendo agora é uma época em que trajes e maneiras descuidadas se tornaram moda. Contudo, não estou muito preocupado com o modo com que se vestem, contanto que estejam limpos. (…) Cuidem de sua higiene pessoal”. 11 Lembrem-se de que você e a Igreja serão julgados em parte por sua pureza e asseio.

9. Coragem

Vocês, moças de grande valor precisarão muita coragem — coragem para resistir à pressão de grupo, não sucumbir à tentação, suportar a zombaria e o ostracismo, defender a verdade. Vocês também precisarão de coragem para enfrentar os desafios da vida. Uma jovem, que era maratonista, escreveu: “Sinto-me sempre tentada a parar e desistir durante uma corrida. Em minha primeira corrida este ano, quando eu estava quase sendo subjugada e quase parando de correr, as palavras da terceira estrofe de ‘Que Firme Alicerce’ ocupou meu pensamento. A letra deu-me coragem para terminar a corrida”. 12
Se Deus é convosco, a quem temereis?
Ele é vosso Deus, seu auxílio tereis.
Se o mundo vos tenta, se o mal faz tremer,
Com mão poderosa vos há de suster. 13

10. Graça

É-nos dito em Doutrina e Convênios que é preciso que “[cresçamos] em graça”. 14 A graça é uma virtude dada por Deus. É a disposição de ser gentil e fazer o bem. É uma característica ou talento encantador; “um aspecto agradavelmente gracioso”. 15 O charme é o encanto que vem de um sentimento de dignidade pessoal; uma beleza interior que vem da auto-estima. Alguém disse que a expressão de nosso rosto é mais importante do que as roupas que vestimos. Um excelente rapaz solteiro que conheço preparou uma lista de qualidades que procura em sua futura esposa. O entusiasmo encontra-se no alto da lista.
Com freqüência vemos que a influência de boas mulheres é subestimada. É uma influência muitas vezes sutil, ainda assim, de extraordinárias conseqüências. Uma mulher pode fazer a diferença em toda uma nação. Menciono aqui dois exemplos das escrituras, uma para o mal e uma para o bem.
No livro de Éter, a linda filha de Jarede, com uma dança insinuante, seduziu Aquis para que se casasse com ela. Para ter sua mão em casamento Aquis deveria assassinar o avô dela, o rei Ômer, para que o pai se tornasse rei. Devido à sua insistência, Aquis formou combinações secretas onde seus integrantes fizeram juramentos que causaram a destruição da nação jaredita. 16
Por outro lado, Ester, uma judia no Velho Testamento, salvou seu povo. Quando os judeus estavam no cativeiro, Ester casou-se com o rei Assuero. O rei assinou um decreto de que todos os judeus deveriam ser executados. O primo de Ester, Mardoqueu, insistiu com ela para que intercedesse junto ao rei em prol de seu povo, dizendo a ela: “(…) Quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino”. 17 Ester, correndo risco de perder a vida, implorou ao rei que poupasse seu povo. O rei escutou sua súplica e eles foram salvos. Uma mulher pode fazer uma grande diferença, até mesmo para uma nação.
Esta é uma época desafiadora. Acredito que o espírito de vocês foi reservado para estes últimos dias; que vocês, como Ester vieram para a Terra “para tal tempo como este”. Pode ser que suas realizações eternas mais significativas sejam a influência justa que exercem sobre outras pessoas; que sua divina beleza feminina interior e intuição encontre expressão em sua força serena, bondade, dignidade, charme, graça, criatividade, sensibilidade, felicidade e espiritualidade. Realce esses sublimes dons femininos. Eles as tornarão encantadoras e irresistíveis ao servirem outros como servas de Deus.
Testifico que se praticarem essas virtudes poderão “prosseguir com firmeza em Cristo, tendo um perfeito esplendor de esperança e amor a Deus e a todos os homens”. 18
Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Exibir Referências 

    Notas

  1. 1. Ver 2 Néfi 31:20.
  2. 2. Lectures on Faith, 1985, palestra 1:1.
  3. 3. Carta pessoal escrita por Michele Lewis, 12 de agosto de 1996.
  4. 4. A Liahona, outubro de 1998, p. 24.
  5. 5. Jacó 2:28.
  6. 6. “No Greater Honor; The Woman’s Role”, Woman, 1979. p. 8.
  7. 7. D&C 136:33.
  8. 8. “Rumsfeld’s Rules”, Parade Magazine, 18 de novembro de 2001, p. 9.
  9. 9. Ver D&C 130:18.
  10. 10. Ver Mateus 18:24–34.
  11. 11. “Sede Puros”, A Liahona, maio de 1996, p. 50.
  12. 12. “Feedback”, New Era, agosto de 1990, p. 3.
  13. 13. Hinos, nº 42
  14. 14. D&C 50:40.
  15. 15. Merriam-Webster’s Collegiate Dicionary, 10ª ed. 2000, “grace”, p. 504.
  16. 16. Ver Éter 8:8–21, Helamã 6:28.
  17. 17. Ester 4:14.
  18. 18. 2 Néfi 31:20.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Fortalecer as Futuras Mães, Susan W. Tanner


Susan W. Tanner
Há vários anos, meu marido e eu perguntamos a nossos filhos do que eles tinham gostado na conferência geral. Nossa filha de dezesseis anos estava maravilhada. Ela disse: “Adorei! Adoro ouvir profetas e líderes inspirados e inteligentes apoiarem a maternidade”. Depois, ela nos disse que essa era uma das ansiedades perturbadoras que ela tinha na vida: “Não ouço isso em lugar algum, nem no seminário, nem nas Moças, e definitivamente nunca na escola; só ouço isso aqui em casa”.
Não sei se outras moças já sentiram o mesmo que ela, mas acho que sim. Sei que durante algum tempo era moda as mulheres louvarem as virtudes da maternidade ou as moças expressarem o desejo de seu coração de se tornarem mães.
Notei isso, em especial, há algum tempo quando conversei com um grupo de mais ou menos vinte Lauréis que eu não conhecia. Perguntei-lhes qual era a meta que tinham. As primeiras mencionaram objetivos educacionais, como fazer um doutorado; algumas disseram que gostariam de servir em uma missão. Todas eram metas dignas. Finalmente, uma moça timidamente expressou o desejo de tornar-se mãe. Depois disso, umas poucas moças falaram sobre outras metas. Depois que mais uma moça mencionou a maternidade, o restante delas expressou o mesmo. No entanto, foi muito corajoso por parte daquelas duas primeiras moças admitirem que desejavam tornar-se mães. E isso aconteceu num ambiente muito seguro.
Além do fato de que ao admitir essa meta a moça possa vir a ser ridicularizada, isso pode fazer com que ela se sinta uma fracassada. Ela sabe que não tem pleno controle sobre o cumprimento dessa meta, e isso pode fazer com que ela se sinta vulnerável ao declará-la. Também é uma meta que exige muito desprendimento; isso pode exigir que ela deixe de lado outras metas mais glamurosas. Estou ciente dos problemas que nossas jovens enfrentam atualmente, mas ainda assim sinto que precisamos ensinar princípios eternos.
Quero apoiar a maternidade e falar a respeito da mais nova frase do tema de nossas Moças: “Esteja preparada para fortalecer o lar e a família”. Abordarei cinco coisas que nós, pais e líderes, precisamos fazer por nossas moças.

1. Precisamos ensinar as moças a fortalecerem seu lar e sua família.

Todas as famílias, desde as melhores até as mais problemáticas, precisam de fortalecimento. O Élder Robert D. Hales, do Quórum dos Doze Apóstolos, disse: “Se pensamos que as outras famílias não têm dificuldades ou problemas, simplesmente não as conhecemos suficientemente bem”. 1 Precisamos incentivar as moças a procurarem o pai e a mãe, não apenas para receber ajuda, mas também para oferecê-la.
Várias das irmãs de nossa junta geral foram criadas num lar em que os pais eram menos ativos na Igreja. Uma delas teve uma sábia líder das Moças que a aconselhou a ficar com a família quando eles realizassem atividades recreativas no domingo, mas que mantivesse seus padrões pessoais. Assim, se eles fossem a um clube com piscina, ela ia com eles, mas não nadava. Desse modo, ela foi capaz de desenvolver um relacionamento carinhoso com a família dela.
Conheço uma moça que se entristeceu ao ver o irmão associar-se com o grupo errado de amigos. Depois de orar fervorosamente por ele, certa noite, ela seguiu a inspiração de ir buscá-lo na festa onde ele estava. Ficou conversando com ele no carro, enquanto dirigia, falando sobre quem ele era, como membro da sua própria família e como membro da família do Pai Celestial, e a respeito da responsabilidade que ele tinha de honrar essa sua identidade. O rapaz conseguiu corrigir sua vida, em parte por causa do amor de sua irmã.
Os jovens freqüentemente se sentem social ou espiritualmente solitários ou isolados. As amizades e um forte vínculo com seus irmãos e irmãs são o melhor antídoto. Uma adolescente foi rejeitada por um grupo de moças na escola. Suas irmãs e irmãos amenizaram o sofrimento dela incluindo-a nas atividades deles e dando-lhe uma dose extra de amor.
Esses foram exemplos de moças que fortaleceram seu lar e sua família. Servir a família é um modo de guardar os convênios, e isso resulta na bênção prometida de termos o Espírito em nossa vida. Precisamos ajudar nossas moças a começarem de onde estão, independentemente do tipo de família que tenham, no empenho de fortalecerem seu lar e sua família.

2. Precisamos preparar as moças com habilidades, tanto físicas quanto espirituais, que irão abençoar seu futuro lar.

Creio que uma forma pela qual podemos auxiliar espiritualmente nossas moças é ajudá-las a desenvolver talentos ou habilidades físicas. Sabemos que para o Senhor todas as coisas são espirituais. (Ver D&C 29:34.)
As aptidões e habilidades domésticas estão sendo esquecidas e negligenciadas. Preocupo-me com isso. Se perdermos as pessoas capacitadas em prendas domésticas na sociedade, haverá um vazio emocional no lar muito semelhante ao que sofrem as pessoas que não têm um lar, com problemas semelhantes de desespero, abuso de drogas, imoralidade e falta de auto-estima. Numa revista chamada The Family in America, Bryce Christensen escreveu que o número de pessoas sem lar nas ruas “não nos dá sequer uma idéia da amplitude do problema da carência do lar nos Estados Unidos. Afinal de contas, desde quando a palavra lar significa simplesmente um teto para abrigar-nos, ou a carência do lar significa apenas a falta desse abrigo? (…) Um lar [significa] não apenas um teto, mas também o compromisso, a segurança e o vínculo emocional. A palavra lar significa não apenas um teto e um calefador, mas um lugar santificado pelos duradouros vínculos do matrimônio, da paternidade e da maternidade e das obrigações familiares. Um lugar que exige sacrifício e devoção, mas que promete carinho, amor e aceitação calorosa”. 2
Precisamos, portanto, ensinar as aptidões domésticas, inclusive as práticas, como cozinhar, costurar, fazer o orçamento e embelezar o lar. Precisamos fazer nossas moças compreenderem que as aptidões domésticas são honrosas e podem ajudá-las tanto espiritual quanto materialmente. A criação de um lar fisicamente atraente encorajará os entes queridos a desejarem estar ali e ajudará a criar o tipo de ambiente que convidará o Espírito.
As aulas dominicais, a Mutual e o Progresso Pessoal são todos programas que proporcionam a ocasião e a maneira de ensinarmos essas lições tão necessárias. Penso em minha própria experiência quando fui consultora das Lauréis. As moças que estavam sob minha responsabilidade tinham um ano antes de partirem para o mundo para o enfrentarem sozinhas. Perguntei-lhes o que precisavam saber para estarem prontas para essa independência. A partir de sua lista de necessidades — calcular o saldo do talão de cheques, matricular-se na faculdade e candidatar-se a empregos, saber preparar alimentos e não apenas biscoitos, etc. — planejamos nossas atividades da Mutual. Não tive mais problemas de freqüência, porque estávamos preparando habilidades que as moças precisariam para desempenhar seu importante papel no futuro. Percebi que no processo de aprenderem habilidades físicas, algumas capacidades espirituais estavam sendo desenvolvidas ao mesmo tempo. Havia uma amizade mais genuína entre as moças e elas se preocupavam mais umas com as outras. As mães me contaram que o ambiente espiritual dentro do lar melhorou quando as moças começaram a compartilhar algumas de suas habilidades recém-adquiridas.
Isso é o que nós pais e líderes precisamos fazer. Precisamos ajudar as moças a desenvolverem habilidades práticas e espirituais que irão abençoar o futuro lar delas.

3. Precisamos inspirar as moças a terem o desejo de serem esposas, mães e donas de casa maravilhosas.

As duas ferramentas mais eficazes que temos para inspirar nossas moças são o nosso exemplo e nossa sinceridade.
Já vi muitas líderes das Moças, inspiradoras, darem o exemplo de como viver seu papel com nobreza e alegria. Lembro-me do vigoroso exemplo de minha consultora das Lauréis, que criou fielmente seus filhos na Igreja, embora seu marido fosse menos ativo. Conheço uma moça cujos pais não eram ativos na Igreja. Ela era muito dócil e aprendeu bastante com o exemplo de seus líderes. Aprendeu a jejuar e a realizar reuniões familiares participando dessas atividades com suas professoras.
Meu melhor e mais constante exemplo para aprender a alegria da vida no lar e da maternidade foi a minha própria mãe. Ela me dizia muitas vezes, todos os dias, que valorizava imensamente o fato de ser mãe e dona de casa, e então colocava em prática essas palavras em tudo o que fazia. Ela cantava enquanto dobrava a roupa lavada; exultava com o cheiro de limpeza de um banheiro recém-lavado; ensinou-me a ler e escrever, costurar e cozinhar, amar e servir. Como ela emanava o Espírito e os frutos do amor, alegria, paz, mansidão, longanimidade e temperança, eu sentia tudo isso, e sabia que desejava ter as mesmas coisas na minha vida. (Ver Gálatas 5:22–23.) Seu exemplo continua a ensinar-me todos os dias.
Quero que todas vocês saibam da grande alegria que sinto por ser mãe, esposa e dona de casa. Devemos expressar nossa alegria freqüentemente por meio de palavras, ações e semblante.

4. Precisamos ajudar as moças a terem a coragem de enfrentar um mundo que está profanando a família e os valores familiares.

É alarmante sentir em nossos dias a plena fúria do ataque de Satanás contra a família. Os estilos de vida alternativos, o aborto, a coabitação, o divórcio, a imoralidade e a violência são questões gritantes com as quais nos deparamos em toda parte.
Embora me sinta alarmada, não tenho medo. O medo é o oposto da fé. Paulo disse a Timóteo: “Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação”. (II Timóteo 1:7)
Sinto fé em Jesus Cristo e em Seu evangelho restaurado na Terra. Sinto-me revigorada pelas verdades do evangelho declaradas sucintamente na proclamação sobre a família. Ela expressa nossa posição a respeito de cada uma das questões que mencionei, além de outras. Por exemplo:
Estilos de vida alternativos: “O sexo (masculino ou feminino) é uma característica essencial da identidade e do propósito pré-mortal, mortal e eterno de cada um. (…)
(…) Declaramos também que Deus ordenou que os poderes sagrados de procriação sejam empregados somente entre homem e mulher, legalmente casados”.
Aborto: “Afirmamos a santidade da vida e sua importância no plano eterno de Deus”.
Coabitação: “O casamento entre o homem e a mulher é essencial para (…) [o] plano eterno [de Deus]”.
Divórcio: “O marido e a mulher têm a solene responsabilidade de amar-se mutuamente e amar os filhos”.
Imoralidade: “Advertimos que as pessoas que violam os convênios de castidade (…) deverão um dia responder perante Deus”.
Violência: “Advertimos que as pessoas que (…) maltratam o cônjuge ou os filhos (…) deverão um dia responder perante Deus”. 3
Não apenas me sinto fortalecida por essas verdades, mas também me sinto amada por um Pai Celestial sábio e onisciente, que nos abençoou com profetas e apóstolos para guiar esta Igreja. Se nossas moças puderem conhecer o Seu amor, se puderem sentir as verdades do evangelho firmemente enraizadas no coração, não temerão. Com um forte testemunho do evangelho e um firme conhecimento das doutrinas eternas, nossas moças terão a coragem de enfrentar um mundo que está profanando a família.

5. Precisamos salientar para as moças a responsabilidade eterna e o privilégio que é a maternidade e ajudá-las a compreender que todas terão um lar e influenciarão os filhos, quer tenham ou não a oportunidade de ter filhos nesta vida.

O Presidente Spencer W. Kimball (1895–1985) falou sobre a influência exercida pelas vigorosas mulheres de Deus no mundo: “Grande parte do importante crescimento futuro da Igreja nos últimos dias se dará porque muitas mulheres bondosas do mundo (que freqüentemente possuem grande espiritualidade interior) irão filiar-se à Igreja em grande número. Isso acontecerá à medida que as mulheres da Igreja demonstrarem retidão e inteligência na vida, e à medida que elas forem vistas como diferentes e distintas das mulheres do mundo, de forma positiva e feliz”. 4
Somos distintas e diferentes de forma positiva e feliz porque sabemos quem somos eternamente. Os papéis femininos de ser mãe e de criar os filhos nos foram designados por Deus.
Minha prima Carrie foi um grande exemplo de mulher solteira feliz, generosa, amorosa, que abençoava todas com quem convivia. Ela morreu num acidente automobilístico quando estava com quase quarenta anos de idade, mas seu último ato de bondade antes de sua morte prematura foi terminar um livro de recortes para cada um de seus sobrinhos e sobrinhas. Ela estava cumprindo sua missão, dentro dos limites de suas oportunidades.
Gostaria de deixar uma palavra para vocês, maravilhosas líderes das Moças. Espero que o Espírito as ajude a saber como simplificar — com isso quero dizer que devem utilizar seu valioso tempo nas coisas mais importantes. Ensinem princípios e doutrinas. Dêem amor. Sejam um exemplo. Ensinem da maneira mais agradável e simples que lhes for possível.
Embora o que nós, líderes, estejamos fazendo com nossas jovens atualmente seja fundamental para salvar este mundo, aquilo que estamos fazendo com nossos chamados eternos é de importância ainda maior. Também temos um manto para nosso chamado de esposa, mãe e dona de casa. Precisamos pedir a ajuda do Senhor para que Seu Espírito esteja conosco nesses papéis eternos. Nosso lar pode ser o nosso único e último local de refúgio, como nossos profetas profetizaram. Imploro-lhes que sejam líderes exemplares, mas não negligenciem suas responsabilidades no lar.
Nosso papel como mãe é extremamente importante! Nosso papel como líder também! É fundamental que treinemos adequadamente as futuras mulheres dignas de Deus! Sei que este trabalho no qual estamos engajadas é a Sua obra, e tenho grande gratidão pelo maravilhoso privilégio que temos de ser Seus instrumentos.
Adaptado de um discurso realizado numa visitação pública das Moças, em março de 2004.

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    Notas

  1. 1. “How Will Our Children Remember Us?” Ensign, novembro de 1993, p. 10.
  2. 2. “HomeLess America: What the Disappearance of the American Homemaker Really Means”, The Family in America, janeiro de 2003, www.profam.org/pub/fia/xfia_1701.htm.
  3. 3. “A Família: Proclamação ao Mundo”, A Liahona, outubro de 2004, p. 49.
  4. 4. “The Role of Righteous Women”, Ensign, novembro de 1979, pp. 103–104.