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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Desejo

Dallin H. Oaks

Do Quórum dos Doze Apóstolos



Dallin H. Oaks
Para alcançar nosso destino eterno temos que desejar e trabalhar para adquirir as qualidades exigidas para tornar-nos seres eternos.
Decidi falar sobre a importância do desejo.Espero que examinemos nosso coração para ver quais são realmente nossos desejos e em que ordem de importância os classificamos.
Os desejos determinam nossas prioridades, as prioridades moldam nossas decisões, e as decisões determinam nossas ações. Os desejos que são colocados em prática determinam como mudamos, o que realizamos e em que nos tornamos.
Primeiramente, falarei de alguns desejos comuns. Sendo seres mortais, temos algumas necessidades físicas básicas. O desejo de satisfazer essas necessidades compele nossas escolhas e determina algumas de nossas ações. Três exemplos demonstram como muitas vezes substituímos esses desejos por outros que consideramos mais importantes.
Em primeiro lugar, comida. Temos a necessidade básica de alimentar-nos, mas por algum tempo ela pode ser substituída pelo desejo mais forte de jejuar.
Em segundo lugar, abrigo. Quando eu tinha doze anos, resisti ao desejo de buscar abrigo por causa de meu desejo maior de cumprir um requisito do escotismo de passar uma noite no bosque. Fui um dos vários rapazes que deixaram suas tendas confortáveis e descobriram um meio de construir um abrigo e de fazer uma cama primitiva usando materiais naturais que conseguimos achar.
Em terceiro lugar, sono. Até esse desejo básico pode ser substituído temporariamente por outro ainda mais importante. Quando eu era um jovem soldado na Guarda Nacional de Utah, vi um exemplo disso na vida de um oficial experiente em combate.
Nos primeiros meses da Guerra da Coreia, uma bateria de artilharia de campo de Richfield, da Guarda Nacional de Utah, foi convocada para lutar. Aquela bateria, comandada pelo capitão Ray Cox, era formada por uns 40 soldados mórmons. Depois de alguns treinamentos e reforçados por reservistas de outros lugares, logo foram enviados à Coreia, onde vivenciaram algumas das batalhas mais ferozes daquela guerra. Em uma delas, tiveram que repelir um ataque direto de centenas de soldados da infantaria inimiga, do tipo que já havia vencido e destruído outras baterias de artilharia de campo.
O que isso tem a ver com o desejo de dormir? Numa noite crucial, quando a infantaria inimiga transpôs a frente de batalha e chegou à retaguarda ocupada pela artilharia, o capitão fez com que as linhas telefônicas fossem conectadas a sua barraca e ordenou que seus muitos guardas de perímetro telefonassem pessoalmente para ele a cada hora, a noite inteira. Isso manteve os guardas acordados, mas também fez com que o sono do capitão Cox fosse interrompido muitas vezes. “Como conseguiu fazer isso?” perguntei a ele. A resposta mostra a força que tem um desejo premente.
“Eu sabia que se conseguisse voltar para casa encontraria os pais daqueles rapazes, nas ruas de nossa pequena cidade, e eu não poderia encarar nenhum deles se o filho deles não tivesse voltado para casa por causa de algo que deixei de fazer como seu comandante.” 1
Que grande exemplo da força de um desejo premente sobre as prioridades e as ações. Que poderoso exemplo para todos nós que somos responsáveis pelo bem-estar de outros — pais, líderes e professores da Igreja!
Concluindo essa ilustração, bem cedo pela manhã, após a noite insone, o capitão Cox liderou seus soldados em um contra-ataque à infantaria inimiga. Fizeram mais de 800 prisioneiros, e só dois dos seus ficaram feridos. Cox foi condecorado por bravura, e sua bateria recebeu uma Menção Honrosa Presidencial de Unidade por seu extraordinário heroísmo. E tal como os jovens guerreiros de Helamã (ver Alma 57:25–26), todos voltaram para casa. 2
O Livro de Mórmon contém muitos ensinamentos sobre a importância do desejo.
Depois de suplicar ao Senhor por muitas horas, Enos ouviu que seus pecados haviam sido perdoados. Ele então “[começou] a desejar” o bem-estar de seus irmãos (Enos 1:9). Enos escreveu: “E (…) após ter orado e me empenhado com toda a diligência, o Senhor disse-me: Por causa de tua fé conceder-te-ei de acordo com teus desejos” (versículo 12). Observem os três conceitos essenciais que precederam a bênção prometida: Desejo, trabalho e fé.
Em seu sermão sobre a fé, Alma ensina que ela pode começar com nada “mais que o desejo de acreditar” se deixarmos “que esse desejo opere em [nós]” (Alma 32:27).
Outro grande ensinamento sobre o desejo, especialmente sobre qual deve ser nosso maior desejo, ocorreu quando o rei lamanita foi ensinado pelo missionário Aarão. Quando os ensinamentos de Aarão lhe atraíram o interesse, o rei perguntou: “Que deverei fazer para nascer de Deus” e “conseguir essa vida eterna?” Alma 22:15. Aarão respondeu: “Se desejas isto, (…) se te arrependeres de todos os teus pecados e te curvares diante de Deus e invocares o seu nome com fé, acreditando que receberás, então obterás a esperança que desejas” (versículo 16).
O rei fez isso e declarou em vigorosa oração: “Abandonarei todos os meus pecados para conhecer-te” (versículo 18). Com esse comprometimento e essa identificação de seu maior desejo, sua oração foi respondida de modo milagroso.
O profeta Alma tinha grande desejo de clamar arrependimento a todos, mas compreendeu que não deveria desejar o poder de compelir as pessoas porque concluiu que “um Deus justo (…) concede aos homens segundo os seus desejos, sejam estes para a morte ou para a vida” (Alma 29:4). De modo semelhante, o Senhor declarou em revelação moderna que julgará “todos os homens segundo suas obras, segundo o desejo de seu coração” (D&C 137:9).
Será que estamos verdadeiramente preparados para que o Juiz Eterno atribua esse enorme significado àquilo que realmente desejamos?
Muitas escrituras falam do que desejamos em termos daquilo que buscamos. “Aquele que cedo me buscar achar-me-á e não será abandonado” (D&C 88:83). “Procurai com zelo os melhores dons” (D&C 46:8). “Pois aquele que procurar diligentemente achará”(1 Néfi 10:19). “Achegai-vos a mim e achegar-me-ei a vós; procurai-me diligentemente e achar-me-eis; pedi e recebereis; batei e ser-vos-á aberto” (D&C 88:63).
Não é fácil reajustar nossos desejos para dar maior prioridade às coisas da eternidade. Todos somos tentados a desejar o quarteto mundano: da posse, preeminência, presunção e do poder. Podemos desejar essas coisas, mas não devemos torná-las nossas maiores prioridades.
Aqueles cujo maior desejo é ter posses caem na armadilha do materialismo. Deixam de dar ouvidos ao aviso: “Não busques as riquezas nem as coisas vãs deste mundo” (Alma 39:14; ver também Jacó 2:18).
Aqueles que desejam preeminência ou poder deviam seguir o exemplo do valoroso capitão Morôni, que não serviu buscando “poder” nem as “honras do mundo” (Alma 60:36).
Como desenvolvemos desejos? Poucos terão o tipo de crise que motivou Aron Ralston, 3 mas a experiência pessoal dele deixa uma valiosa lição sobre o desenvolvimento do desejo. Quando Ralston excursionava por um desfiladeiro remoto no sul de Utah, uma rocha de quase meia tonelada soltou-se de repente, prendendo-lhe o braço. Por cinco dias solitários, ele fez de tudo para libertar-se. Quando estava prestes a desistir e aceitar a morte, teve a visão de um menino de três anos que corria em sua direção e a quem ele abraçava com o braço esquerdo. Compreendendo que aquela era uma visão de seu futuro filho, garantindo-lhe que ele poderia sobreviver, Ralston reuniu coragem e executou a drástica ação para salvar a vida antes de perder as forças. Ele quebrou os dois ossos do braço direito preso e depois usou a lâmina de seu canivete para cortar fora o braço. Depois reuniu forças para percorrer oito quilômetros em busca de ajuda. 4 Que grande exemplo da força de um desejo premente! Quando temos a visão daquilo em que podemos nos tornar, nosso desejo e nosso poder de agir aumentam enormemente.
A maioria de nós jamais enfrentará uma crise tão extrema, mas todos enfrentamos armadilhas potenciais que vão impedir o progresso rumo a nosso destino eterno. Se forem suficientemente intensos, os nossos desejos justos nos motivarão a cortar fora vícios e outras tendências pecaminosas e prioridades erradas que impedem nosso progresso eterno.
Devemos lembrar que os desejos justos não podem ser superficiais, impulsivos ou temporários. Precisam ser sinceros, inabaláveis e permanentes. Motivados dessa maneira, procuraremos aquela condição descrita pelo Profeta Joseph Smith, na qual teremos “[superado] todas as coisas ruins da vida e [perdido] toda a vontade de pecar”. Essa é uma decisão muito pessoal. 5 Essa é uma decisão muito pessoal. Como disse o Élder Neal A. Maxwell:
“Quando se diz que as pessoas ‘perderam todo o desejo de pecar’, significa que elas, e somente elas, decidiram, de modo deliberado, perder esses desejos iníquos, voluntariamente ‘abandonando todos os seus pecados’ a fim de conhecerem a Deus.
Assim, o que insistentemente desejamos no decorrer da vida é o que acabaremos nos tornando e o que receberemos na eternidade”. 6
Por mais importante que seja a perda de todo o desejo de pecar, a vida eterna exige mais que isso. Para alcançar nosso destino eterno temos que desejar e trabalhar para adquirir as qualidades exigidas a fim de tornar-nos seres eternos. Por exemplo: os seres eternos perdoam todos aqueles que os injuriaram. Eles colocam o bem-estar das outras pessoas acima deles mesmos. E amam todos os filhos de Deus. Se isso parecer difícil — e sem dúvida não é fácil para nenhum de nós — então devemos começar com o desejo de ter essas qualidades e rogar a ajuda do amoroso Pai Celestial para lidarmos com nossos sentimentos. O Livro de Mórmon nos ensina que devemos rogar ao Pai, com toda a energia de nosso coração, que sejamos cheios desse amor que Ele concedeu a todos os que são verdadeiros seguidores de Seu Filho, Jesus Cristo (ver Morôni 7:48).
Encerro com um último exemplo de desejo que deve ser de extrema importância para todos os homens e mulheres, tanto casados quanto solteiros. Todos devemos desejar e esforçar-nos seriamente para garantir um casamento eterno. Aqueles que já se casaram no templo devem fazer tudo o que puderem para preservar seu casamento. Os solteiros devem desejar um casamento no templo e dar a máxima prioridade para consegui-lo. Os jovens e os jovens adultos devem resistir ao conceito politicamente correto, mas falso do ponto de vista eterno, de que o casamento e os filhos não são importantes. 7
Vocês, homens solteiros, pensem no desafio lançado nesta carta escrita por uma irmã solteira. Ela rogava pelas “filhas dignas de Deus, que sinceramente procuram um companheiro digno, mas os homens parecem cegos e confusos em relação a terem ou não a responsabilidade de procurar essas filhas maravilhosas e especiais do Pai Celestial e namorá-las, estando dispostos a fazer e cumprir convênios sagrados na casa do Senhor”. Ela conclui, dizendo: “Há muitos homens SUD solteiros que ficam felizes em sair e divertir-se a dois ou em grupo, mas que não têm absolutamente nenhum desejo de assumir qualquer tipo de compromisso com uma mulher”. 8
Tenho certeza que alguns rapazes que buscam ansiosamente uma companheira gostariam que eu acrescentasse que há moças cujo desejo de ter um casamento e filhos é bem menor do que seu desejo de ter uma carreira profissional ou outras honras mortais. Tanto os homens quanto as mulheres necessitam ter desejos justos que vão conduzi-los à vida eterna.
Lembremos que os desejos determinam nossas prioridades, as prioridades moldam nossas decisões, e as decisões determinam nossas ações. Além disso, são nossas ações e nossos desejos que nos fazem tornar-nos alguma coisa, seja um amigo verdadeiro, um professor talentoso ou alguém qualificado para a vida eterna.
Presto testemunho de Jesus Cristo, cujo amor, cujos ensinamentos e cuja Expiação tornaram tudo isso possível. Oro para que desejemos acima de tudo nos tornarmos como Ele para que um dia possamos retornar a Sua presença e receber a plenitude de Sua alegria. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Show References 

  1. 1. Ray Cox, entrevistado pelo autor, em 1º de agosto de 1985, Mount Pleasant, Utah, confirmando o que me contara em Provo, Utah, aproximadamente em 1953.
  2. 2. Ver Richard C. Roberts, Legacy: The History of the Utah National Guard, 2003, p. 307–314; “Self-Propelled Task Force”, National Guardsman, maio de 1971, última capa; Miracle at Kapyong: The History of the 213th (filme produzido pela Universidade do Sul de Utah, 2002).
  3. 3. Ver Aron Ralston, Between a Rock and a Hard Place, 2004.
  4. 4. Ralston, Between a Rock and a Hard Place, p. 248.
  5. 5. Ver Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 220.
  6. 6. 6. Ver Neal A. Maxwell, “Segundo o Desejo de [Nossos] Corações”, A Liahona, janeiro de 1997, pp. 21–23.
  7. 7. Ver Julie B. Beck, “Ensinar a Doutrina da Família”, A Liahona, Março 2011, pp. 32–37; Ensign março 2011, pp. 12–17.
  8. 8. Carta de 14 de setembro de 2006.

A Essência do Discipulado


Abril 2011 General Conference

Silvia H. Allred
Primeira Conselheira na Presidência Geral da Sociedade de Socorro
Silvia H. Allred
Quando o amor se torna o princípio orientador do serviço que prestamos às pessoas, isso se torna o evangelho em ação.
Desde o princípio dos tempos, o Senhor ensinou que para tornar-nos Seu povo precisamos ser unos de coração e mente.1 O Salvador também explicou que os dois grandes mandamentos da lei são: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.2 Por fim, logo após a Igreja ser restaurada, o Senhor deu aos santos o mandamento de “visitar os pobres e os necessitados e ministrar-lhes auxílio”.3
Qual é o tema comum de todos esses mandamentos? É o de que precisamos amar uns aos outros e servir uns aos outros. Essa é, de fato, a essência do discipulado na verdadeira Igreja de Jesus Cristo.
Ao comemorarmos os 75 anos do Programa de Bem-Estar da Igreja, são-nos lembrados os propósitos do Bem-Estar, que são: ajudar os membros a tornar-se autossuficientes, cuidar dos pobres e necessitados, e prestar serviço. A Igreja organizou seus recursos para ajudar os membros a prover o bem-estar físico, espiritual, social e emocional deles próprios, de seus familiares e de outras pessoas. O ofício de bispo traz consigo a obrigação especial de cuidar dos pobres e necessitados e de administrar esses recursos para os membros de sua ala. Ele é auxiliado nesse trabalho pelos quóruns do sacerdócio, pela Sociedade de Socorro, e principalmente pelos mestres familiares e pelas professoras visitantes.
A Sociedade de Socorro sempre esteve no âmago do Bem-Estar. Quando o Profeta Joseph Smith organizou a Sociedade de Socorro, em 1842, ele disse às mulheres: “Este é o início de dias melhores” para os pobres e necessitados.4Ele disse às irmãs que o propósito da sociedade era “socorrer os pobres, os desamparados, a viúva e o órfão e colocar em prática todos os propósitos benevolentes. (…) Derramarão óleo e vinho no coração ferido do aflito; enxugarão as lágrimas do órfão e farão o coração da viúva regozijar-se”.5
Ele também declarou que a Sociedade “incentivaria os irmãos a realizarem boas obras atendendo às necessidades dos pobres — buscando pessoas que necessitem de caridade e cuidando de suas necessidades — auxiliando a corrigir a moralidade e fortalecendo as virtudes da comunidade”.6
Hoje em dia, os homens e as mulheres da Igreja participam juntos no trabalho de auxiliar os necessitados. Os portadores do sacerdócio dão o apoio essencial para os que necessitam de auxílio e orientação espiritual. Mestres familiares inspirados abençoam a vida das pessoas e proporcionam as bênçãos do evangelho a todas as famílias. Além disso, empregam sua força e talentos de outras maneiras, como ao ajudar uma família necessitada a realizar consertos no lar ou a mudar-se, ou ao ajudar um irmão a encontrar emprego.
A presidente da Sociedade de Socorro visita os lares para avaliar as necessidades para o bispo. Professoras visitantes inspiradas zelam pelas irmãs e famílias e cuidam delas. Geralmente são as primeiras a atender ao chamado nos momentos de necessidade imediata. As irmãs da Sociedade de Socorro oferecem refeições, prestam serviço compassivo e dão apoio constante nos momentos de provação.
Os membros da Igreja no mundo inteiro se regozijaram no passado e devem regozijar-se hoje com as oportunidades que têm de servir ao próximo. Nosso esforço conjunto proporciona auxílio aos pobres, famintos, aflitos ou angustiados, salvando almas com isso.
Todo bispo tem à disposição o armazém do Senhor, que é estabelecido quando “os membros fiéis dão ao bispo de seu tempo, talentos, habilidades, solidariedade, recursos financeiros e materiais, para ajudar os pobres e edificar o reino de Deus na Terra”.7 Todos podemos contribuir para o armazém do Senhor quando pagamos nossas ofertas de jejum e disponibilizamos nossos recursos para que o bispo auxilie os necessitados.
Apesar de o mundo estar em rápida mudança, os princípios de bem-estar não mudaram com o passar do tempo, porque são uma verdade inspirada e revelada por Deus. Quando um membro da Igreja e sua família fazem tudo o que podem para sustentar-se e ainda assim não conseguem suprir suas necessidades básicas, a Igreja está pronta a ajudar. Dá-se atenção imediata às necessidades de curto prazo, e estabelece-se um plano para ajudar o beneficiário a tornar-se autossuficiente. A autossuficiência é a capacidade de prover as necessidades espirituais e materiais da vida para si mesmo e para a família.
Ao elevarmos nosso próprio nível de autossuficiência, aumentamos nossa capacidade de ajudar e servir ao próximo, como o Salvador fez. Seguimos o exemplo do Salvador quando ministramos aos necessitados, aos enfermos e aos aflitos. Quando o amor se torna o princípio orientador do serviço que prestamos às pessoas, isso se torna o evangelho em ação. Esse é o evangelho em sua melhor expressão. É religião pura.
Em minhas várias atribuições na Igreja, senti-me humilde com o amor e a preocupação que os bispos e as líderes da Sociedade de Socorro demonstraram por seus rebanhos. Quando eu servia como presidente da Sociedade de Socorro no Chile, no início da década de 1980, o país passava por uma profunda recessão e a taxa de desemprego era de 30%. Testemunhei o modo como heróicas presidentes da Sociedade de Socorro e fiéis professoras visitantes “faziam bem” 8, naquelas difíceis circunstâncias. Elas exemplificavam a escritura encontrada em Provérbios 31:20: “[Ela] abre a sua mão ao pobre, e estende as suas mãos ao necessitado”.
Havia irmãs, cuja própria família tinha bem pouco, que ajudavam constantemente as que consideravam ter necessidades maiores. Foi então que compreendi mais claramente o que o Salvador viu, quando declarou em Lucas 21:3–4::
“Em verdade vos digo que lançou mais do que todos, esta pobre viúva;
Porque todos aqueles deitaram para as ofertas de Deus do que lhes sobeja; mas esta, da sua pobreza, deitou todo o sustento que tinha”.
Poucos anos depois, testemunhei a mesma coisa como presidente da Sociedade de Socorro da estaca, na Argentina, quando a hiperinflação assolou o país e o colapso econômico subsequente afetou muitos de nossos membros fiéis. Testemunhei isso de novo em minhas recentes visitas a Kinshasa, na República Democrática do Congo; em Antananarivo, Madagascar; e em Bulawayo, no Zimbábue. Em toda parte, há membros da ala e, em especial, irmãs da Sociedade de Socorro, que continuam a edificar a fé, a fortalecer pessoas e famílias, e a ajudar os necessitados.
É admirável pensar que uma irmã ou irmão humilde, com um chamado na Igreja, pode ir a uma casa onde há pobreza, sofrimento, doença ou aflição e levar paz, apoio e felicidade. Não importa onde seja a ala ou ramo, ou quão grande ou pequeno seja o grupo, todo membro no mundo tem essa oportunidade. Isso acontece todos os dias e está acontecendo em algum lugar neste exato momento.
Karla é uma jovem mãe com dois filhos. Seu marido Brent trabalha muitas horas e viaja uma hora para chegar ao local de trabalho. Logo depois do nascimento de sua segunda filhinha, ela conta a seguinte experiência pessoal: “Um dia, depois de receber o chamado para servir como conselheira na Sociedade de Socorro da minha ala, senti que era demais para mim. Como eu poderia assumir a responsabilidade de cuidar das mulheres de minha ala, se estava tendo dificuldades para simplesmente cumprir meu papel de esposa e de mãe de uma filha muito ativa, de dois anos, e de um bebê recém-nascido? Enquanto refletia sobre esses sentimentos, minha filha de dois anos ficou doente. Não sabia muito bem o que fazer por ela e ainda cuidar do bebê ao mesmo tempo. Foi então que a irmã Wasden, uma de minhas professoras visitantes, apareceu inesperadamente em casa. Como ela era mãe de filhos crescidos, sabia exatamente o que fazer para me ajudar. Disse-me o que eu precisava fazer enquanto ela ia até a farmácia comprar algumas coisas. Mais tarde, ela providenciou para que alguém fosse à estação ferroviária buscar meu marido, para que ele voltasse logo para casa, a fim me ajudar. Sua atitude, que acredito ter sido inspirada pelo Espírito Santo, somada a sua disposição de servir, foram a confirmação que eu precisava receber do Senhor de que Ele ia ajudar-me a cumprir meu novo chamado”.
O Pai Celestial nos ama e conhece nossa situação e nossas capacidades especiais. Embora busquemos diariamente Sua ajuda por meio da oração, geralmente é por meio de outra pessoa que Ele atende a nossas necessidades.9
O Senhor disse: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”.10
O puro amor de Cristo se expressa quando prestamos serviço abnegado. A oportunidade de ajudar-nos uns aos outros é uma experiência santificadora, que exalta o que recebe e torna humilde o que doa. Ela nos ajuda a tornar-nos verdadeiros discípulos de Cristo.
O plano de Bem-Estar sempre foi a aplicação prática de princípios eternos do evangelho. Ele é verdadeiramente prover à maneira do Senhor. Vamos todos renovar nosso desejo de fazer parte do armazém do Senhor para abençoar as pessoas.
Oro para que o Senhor abençoe cada um de nós com maior sentimento de misericórdia, caridade e compaixão. Rogo que tenhamos mais desejo e capacidade de estender a mão e ajudar os menos afortunados, os aflitos e os que sofrem. Que suas necessidades sejam satisfeitas, que sua fé seja fortalecida, que seu coração se encha de gratidão e amor.
Que o Senhor abençoe cada um de nós ao prosseguirmos sendo obedientes a Seus mandamentos, a Seu evangelho e a Sua luz. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Show References 

  1. 1. Ver Moisés 7:18.
  2. 2. Ver Mateus 22:36–40.
  3. 3.  Doutrina e Convênios 44:6..
  4. 4. Joseph Smith, History of the Church., vol. 4, p. 607.
  5. 5.  Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 475.
  6. 6.  Ensinamentos: Joseph Smith, p. 475.
  7. 7.  Prover à Maneira do Senhor: Guia do Líder para o Bem-Estar, 1990, p. 11.
  8. 8.  Atos 10:38; Regras de Fé 1:13.
  9. 9. Ver Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Spencer W. Kimball, 2006, p. 92.
  10. 10.  João 13:35.

O Trabalho Santificador do Bem-Estar



Abril 2011 General Conference

O Trabalho Santificador do Bem-Estar
Bispo H. David Burton
Bispo Presidente
H. David Burton
O trabalho de cuidar dos outros e de ser “bondosos com os pobres” é um trabalho santificador, ordenado pelo Pai.
Bom dia, irmãos e irmãs. Em 1897, o jovem David O. McKay parou diante de uma porta com um folheto na mão. Sendo missionário em Stirling, Escócia, ele já havia feito aquilo muitas vezes. Mas naquele dia, uma senhora muito abatida abriu a porta e se pôs diante dele. Estava mal vestida e tinha o rosto magérrimo e os cabelos desarrumados.
Ela pegou o folheto que o Élder McKay lhe ofereceu e disse seis palavras que ele jamais esqueceria: “Será que isso me compra pão?”
Aquele encontro deixou uma impressão duradoura no jovem missionário. Mais tarde, ele escreveu: “Daquele momento em diante, compreendi mais profundamente o que a Igreja de Cristo deveria ser, e o que ela é: uma igreja interessada na salvação física do homem. Deixei aquela porta sentindo que aquela [mulher], com (…) tamanha amargura no coração contra os homens e contra Deus, não [estava] em condições de receber a mensagem do evangelho. [Ela] precisava de auxílio material, e não havia em Stirling, pelo que consegui descobrir, nenhuma organização que [lhe] pudesse oferecer isso.” 1
Poucas décadas depois, o mundo se angustiou sob o fardo da Grande Depressão. Foi naquela época, em 6 de abril de 1936, que o Presidente Heber J. Grant e seus conselheiros, J. Reuben Clark e David O. McKay, anunciaram o que mais tarde viria a ser conhecido como o Programa de Bem-Estar da Igreja. Coincidência ou não, duas semanas depois, o Élder Melvin J. Ballard e Harold{nb B. Lee foram respectivamente nomeados primeiro presidente e primeiro diretor administrativo do programa.
Não foi um empreendimento comum. Embora o Senhor tenha chamado pessoas extraordinárias para administrá-lo, o Presidente J. Reuben Clark deixou bem claro que “o estabelecimento do sistema [de bem-estar] veio por revelação do Espírito Santo ao Presidente Grant, e ele tem sido administrado desde aquela época por meio de revelações semelhantes que foram dadas aos irmãos encarregados do programa.” 2
O comprometimento dos líderes da Igreja com a tarefa de aliviar o sofrimento humano foi firme e irrevogável. O Presidente Grant queria “um sistema que auxiliasse as pessoas e cuidasse delas, não importando os custos”. Ele disse que chegaria ao ponto de “suspender os seminários, de interromper o trabalho missionário por algum tempo, ou até de fechar os templos, mas não deixaria as pessoas passarem fome”. 3
Eu estava ao lado do Presidente Gordon B. Hinckley, em Manágua, Nicarágua, quando ele falou para 1.300 membros da Igreja que tinham sobrevivido a um furacão devastador que ceifou mais de 11.000 vidas. “Enquanto a Igreja tiver recursos”, disse ele, “não deixaremos que passem fome ou que fiquem sem ter o que vestir ou onde se abrigar. Faremos tudo o que pudermos para auxiliá-los da maneira que o Senhor determinou que fosse feito.” 4
Uma das características marcantes desse trabalho, que é centrado no evangelho, é sua ênfase na responsabilidade individual e na autossuficiência. O Presidente Marion G. Romney explicou: “Muitos programas foram criados por pessoas bem-intencionadas para auxiliar os necessitados. Contudo, muitos desses programas foram elaborados com o objetivo de curto prazo de ‘ajudar as pessoas’, em vez de ‘ajudar as pessoas a ajudarem-se a si mesmas’.“ 5
A autossuficiência é fruto do viver previdente e do exercício da autodisciplina financeira. Desde o início, a Igreja ensinou que a família — na medida do possível — precisa assumir a responsabilidade pelo próprio bem-estar material. É primordial que cada geração aprenda de novo os princípios fundamentais da autossuficiência: evitar dívidas, implementar os princípios da frugalidade, preparar-se para tempos difíceis, ouvir e seguir as palavras dos oráculos vivos, desenvolver disciplina para distinguir necessidades de desejos e, depois, viver segundo esses princípios.
O propósito, as premissas e os princípios que fortalecem nosso trabalho de cuidar do pobre e do necessitado se estendem muito além dos limites da mortalidade. Esse trabalho sagrado não apenas beneficia e abençoa os que sofrem ou passam necessidades. Como filhos e filhas de Deus, não podemos herdar plenamente a vida eterna sem estarmos completamente investidos do cuidado de outros enquanto estamos aqui na Terra. É na benevolente prática do sacrifício e da doação pessoal a outros que aprendemos os princípios celestiais do sacrifício e da consagração. 6
O grande rei Benjamim ensinou que um dos motivos pelos quais dividimos o que temos com os pobres e lhes oferecemos auxílio é para que possamos preservar a remissão de nossos pecados dia a dia e andar sem culpa perante Deus. 7
Desde a fundação do mundo, as sociedades justas sempre foram tecidas com os fios dourados da caridade. Ansiamos por um mundo pacífico e por comunidades prósperas. Oramos por uma sociedade bondosa e virtuosa, na qual a iniquidade seja abolida e prevaleçam a virtude e a retidão. Não importam quantos templos construamos, não importa o quanto cresça o número de membros, não importa quão bem sejamos vistos aos olhos do mundo — se deixarmos de cumprir o grande e vital mandamento de “[socorrer] os fracos, [erguer] as mãos que pendem e [fortalecer] os joelhos enfraquecidos”, 8 ou se desviarmos o coração dos que sofrem e choram, estaremos sob condenação e não poderemos agradar ao Senhor. 9 e a esperança jubilosa de nosso coração estará sempre distante.
Em todo o mundo, 28.000 bispos procuram os pobres para atender a suas necessidades. Cada bispo é auxiliado por um conselho de ala, formado por líderes do sacerdócio e das auxiliares, incluindo uma dedicada presidente da Sociedade de Socorro. Eles podem “apressar-se em auxiliar o estrangeiro, (…) deitar azeite e vinho no coração ferido do aflito, (…) e secar as lágrimas do órfão e fazer o coração da viúva rejubilar”. 10
O coração dos membros e líderes da Igreja do mundo inteiro está sendo influenciado positivamente e guiado pelas doutrinas e pelo divino espírito de carinho e amor ao próximo.
Um líder do sacerdócio na América do Sul estava preocupado com a fome e a pobreza dos membros de sua pequena estaca. Não querendo deixar que as crianças passassem fome, ele procurou um terreno livre e organizou o sacerdócio para cultivá-lo e semeá-lo. Encontraram um velho cavalo, atrelaram a ele um arado primitivo e começaram a trabalhar o solo. Mas antes que pudessem terminar, aconteceu uma tragédia e o velho cavalo morreu.
Em vez de deixar que seus irmãos e irmãs passassem fome, os irmãos do sacerdócio atrelaram o velho arado às próprias costas e o puxaram ao longo do terreno implacável. Literalmente tomaram sobre si o jugo do sofrimento e da carga de seus irmãos e irmãs. 11
Um episódio da história da minha própria família exemplifica o compromisso de cuidar dos necessitados. Muitos ouviram falar das companhias de carrinhos de mão Willie e Martin, e de como aqueles fiéis pioneiros sofreram e morreram ao enfrentar o gélido inverno e as condições debilitantes de sua jornada para o Oeste. Robert Taylor Burton, um dos meus trisavôs, foi uma das pessoas a quem Brigham Young pediu que fossem resgatar aqueles santos queridos e aflitos.
A respeito daquela ocasião, vovô escreveu em seu diário: “A neve estava bem alta e muito gelada (…). Fazia tanto frio que não conseguíamos nos mover. O termômetro marcava 24 graus abaixo de zero (…) estava tão frio que as pessoas não conseguiam viajar”. 12
Foram distribuídos mantimentos para salvar a vida dos santos aflitos, mas “apesar de tudo o que [os resgatadores] puderam fazer, muitos foram enterrados à beira do caminho”.13
Quando os santos resgatados atravessavam uma parte da trilha que passava pelo desfiladeiro de Echo Canyon, vários carroções pararam para ajudar na chegada de um bebê — uma menina. Robert notou que a jovem mãe não tinha roupas suficientes para aquecer o bebê recém-nascido. Apesar das temperaturas congelantes, ele “tirou sua camisa feita em casa e a deu à mãe para envolver o bebê”. 14 A criança recebeu o nome de Echo — Echo Squires — em lembrança do local e das condições de seu nascimento.
Anos mais tarde, Robert foi chamado para o Bispado Presidente da Igreja, onde serviu por mais de três décadas. Aos 86 anos de idade, Robert Taylor Burton ficou doente. Ele reuniu a família junto a seu leito para dar-lhes sua última bênção. Entre suas últimas palavras estava este conselho simples, porém muito profundo: “Sejam bondosos com os pobres”.15
Irmãos e irmãs, honramos aqueles gigantes inovadores que o Senhor levantou para organizar e administrar o empreendimento institucional de auxílio aos membros necessitados de Sua Igreja. Honramos aqueles que, em nossos dias, estendem a mão de maneiras incontáveis e muitas vezes silenciosas para “ser bondosos com os pobres”, alimentar o faminto, vestir o nu, ministrar ao enfermo e visitar o cativo.
Esse é o trabalho sagrado que o Salvador espera de Seus discípulos. É o trabalho que Ele amava quando esteve neste mundo. É o trabalho que sabemos que O veríamos fazer se estivesse entre nós hoje. 16
Há setenta e cinco anos, um sistema dedicado à salvação espiritual e material da humanidade surgiu de modo bem humilde. Desde aquela época, ele enobreceu e abençoou a vida de dezenas de milhões de pessoas no mundo inteiro. O plano profético de bem-estar não é uma mera nota de rodapé na história da Igreja. Os princípios sobre os quais ele se baseia definem quem somos como povo. É a essência de quem somos como discípulos individuais de nosso Salvador e nosso exemplo, Jesus Cristo.
O trabalho de cuidar dos outros e de ser “bondosos com os pobres” é um trabalho santificador, ordenado pelo Pai e divinamente atribuído para abençoar, refinar e exaltar Seus filhos. Que possamos seguir o conselho do Salvador a certo advogado na parábola do bom samaritano: “Vai, e faze da mesma maneira”. 17 Disso eu testifico, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Show References 

  1. 1.  Cherished Experiences from the Writings of President David O. McKay, comp. Clare Middlemiss, 1955, p. 189.
  2. 2. J. Reuben Clark Jr., “Testimony of Divine Origin of Welfare Plan,” Church News, 8 de agosto de 1951, p.15; ver também Glen L. Rudd, Pure Religion, 1995, p. 47.
  3. 3. Glen L. Rudd, Pure Religion, p. 34.
  4. 4. “President Hinckley Visits Hurricane Mitch Victims and Mid-Atlantic United States,” Ensign, fevereiro de 1999, p.74.
  5. 5. Marion G. Romney, “A Natureza Celestial da Auto-Suficiência” A Liahona, março de 2009, p. 15.
  6. 6. Ver Doutrina e Convênios 104:15–18; ver também Doutrina e Convênios 105:2–3.
  7. 7. Ver Mosias 4:26–27.
  8. 8.  Doutrina e Convênios 81:5; ver também Mateus 22:36–40.
  9. 9. Ver Doutrina e Convênios 104:18.
  10. 10. Joseph Smith, History of the Church, vol.4, pp. 567–568.
  11. 11. Entrevista com Harold C. Brown, antigo diretor administrativo do Departamento de Serviços de Bem-Estar.
  12. 12. Diário de Robert T. Burton, Church History Library, Salt Lake City, 2–6 de novembro de 1856.
  13. 13. Robert Taylor Burton, Janet Burton Seegmiller, ”Be Kind to the Poor”: The Life Story of Robert Taylor Burton, 1988, p. 164.
  14. 14. Lenore Gunderson, Jolene S. Allphin, Tell My Story, Too, tellmystorytoo.com/art_imagepages/image43.html.
  15. 15. Robert Taylor Burton, Seegmiller, “Be Kind to the Poor”, p. 416.
  16. 16. Ver Dieter F. Uchtdorf, “Vóis Sois Minhas Mãos,” A Liahona, maio de 2010, p. 68.
  17. 17.  Lucas 10:37.

As Mulheres da Igreja São Incríveis!

Abril 2011 General Conference

Élder Quentin L. Cook
Do Quórum dos Doze Apóstolos
Quentin L. Cook
Muito do que realizamos na Igreja deve-se ao serviço abnegado das mulheres.
O escritor e historiador Wallace Stegner escreveu sobre a migração e a coligação mórmon no Vale do Lago Salgado. Ele não aceitava nossa religião e, em muitos aspectos, fez críticas; no entanto, ficou impressionado com a dedicação e o heroísmo dos primeiros membros da Igreja, especialmente das mulheres. Ele declarou: “Suas mulheres eram incríveis”. 1 Faço eco a esse sentimento hoje. Nossas mulheres da Igreja são incríveis!
Deus colocou nas mulheres qualidades divinas de força, virtude, amor e disposição de sacrifício para criar as futuras gerações de Seus filhos espirituais.
Um recente estudo americano afirma que as mulheres de todas as religiões “acreditam mais fervorosamente em Deus” e participam de mais serviços religiosos do que os homens. “Em praticamente todas as formas de avaliação, elas são mais religiosas.” 2
Não fiquei surpreendido com esse resultado, particularmente ao refletir sobre o papel preeminente da família e das mulheres em nossa religião. Nossa doutrina é clara: as mulheres são filhas de nosso Pai Celestial, que as ama. A esposa está à altura de seu marido. O casamento exige uma plena parceria em que a mulher e o marido trabalhem lado a lado para atender às necessidades da família. 3
Sabemos que existem muitos desafios para as mulheres, inclusive para aquelas que se empenham em viver o evangelho.

Herança de Irmãs Pioneiras

Um atributo predominante na vida de nossos antepassados pioneiros foi a fé das irmãs. As mulheres, por natureza divina, têm maior dom e responsabilidade pelo lar e pelos filhos, nutrindo-os naquela circunstância e em outras. Em vista disso, a fé expressa pelas irmãs, ao se disporem a abandonar suas casas para atravessar as planícies rumo ao desconhecido, é inspiradora. Se alguém tivesse de caracterizar seu atributo mais importante, seria a sua inabalável fé no evangelho restaurado do Senhor Jesus Cristo.
O relato heroico do que aquelas mulheres pioneiras sacrificaram e realizaram enquanto atravessavam as planícies é um legado inestimável para a Igreja. Senti-me tocado pelas palavras de Elizabeth Jackson, cujo marido, Aaron, morreu após a última travessia do Rio Plate, com a companhia Martin de carrinhos de mão. Ela escreveu:
“Não tentarei descrever meus sentimentos ao encontrar-me assim, viúva e com três filhos, em tais circunstâncias torturantes. (…) Eu acredito (…) que meus sofrimentos por causa do evangelho serão santificados para o meu bem (…)
“[Recorri] ao Senhor, (…) Ele que prometera ser um marido para a viúva, e um pai para os órfãos. Recorri a Ele, e Ele veio em meu auxílio”. 4
Elizabeth disse que estava escrevendo aquela história em nome daqueles que passaram por situações semelhantes, com a esperança de que a posteridade estivesse disposta a sofrer e a sacrificar todas as coisas pelo reino de Deus. 5

As Mulheres na Igreja Hoje São Fortes e Valorosas

Creio que as mulheres da Igreja hoje enfrentam esse desafio e são igualmente fortes e fiéis. A liderança do sacerdócio da Igreja, em todos os níveis, reconhece com gratidão o serviço, o sacrifício, o empenho e a contribuição das irmãs.
Muito do que realizamos na Igreja deve-se ao serviço abnegado das mulheres. Seja na Igreja ou em casa, é uma coisa bonita de se ver o sacerdócio e a Sociedade de Socorro trabalhando em perfeita harmonia. Esse relacionamento é como uma orquestra bem afinada, e a sinfonia que resulta disso inspira-nos a todos.
Quando fui recentemente designado a participar de uma conferência na Estaca Mission Viejo Califórnia, senti-me tocado pelo relato do que aconteceu no baile da juventude, de quatro estacas, no Ano Novo. Após o baile, foi encontrada uma bolsa sem identificação externa. Quero compartilhar com vocês parte do que a irmã Monica Sedgwick, presidente das Moças da Estaca Laguna Niguel, relatou: “Não queríamos bisbilhotar, era um objeto pessoal de alguém! Por isso, nós a abrimos com cuidado e pegamos a primeira coisa que estava em cima, esperando que isso identificasse a dona. E identificou — mas de outra forma. Era um folheto Para o Vigor da Juventude. Uau! Isso nos dizia muito sobre a moça. Então, pegamos o que havia em seguida, um caderninho que certamente nos daria a resposta, mas não do tipo que esperávamos. Na primeira página havia uma lista de escrituras favoritas e havia mais cinco páginas com outras escrituras e anotações pessoais.”
As irmãs quiseram imediatamente conhecer aquela valorosa jovem. Voltaram a procurar na bolsa algo que a identificasse. Tiraram dali algumas pastilhas de hortelã, sabonete, loção e uma escova. Adorei seus comentários: “Oh, coisas boas provêm de sua boca, ela tem as mãos limpas e macias, e cuida bem de si mesma”.
Ansiaram por ver o tesouro seguinte. Encontraram uma esmerada bolsinha de moedas feita em casa com papelão de caixa de suco, e um pouco de dinheiro, num bolso com zíper. Exclamaram: “Ah, ela é criativa e está preparada!” Sentiram-se como crianças na manhã de Natal. O que tiraram em seguida surpreendeu-as ainda mais: uma receita de bolo de chocolate floresta negra, e um bilhete lembrando-a de fazer um bolo de aniversário para uma amiga. Elas quase gritaram: “Ela sabe COZINHAR! É prestativa e gosta de servir”. Então, finalmente, surgiu uma identificação. As líderes das jovens sentiram-se muito abençoadas “ao verem o sereno exemplo de uma moça que vivia o evangelho”. 6
Esse relato ilustra a dedicação de nossas moças aos padrões da Igreja. 7 Também é um exemplo de quão carinhosas, interessadas e dedicadas são as líderes das Moças do mundo inteiro. Elas são incríveis!
As irmãs têm papéis vitais na Igreja, na vida familiar e individualmente, os quais são essenciais ao plano do Pai Celestial. Muitas dessas responsabilidades não têm remuneração financeira, mas sem dúvida proporcionam satisfação e têm importância eterna. Recentemente, uma mulher notável e muito capaz da junta editorial de um jornal solicitou uma descrição do papel das mulheres na Igreja. Foi-lhe explicado que nenhuma líder de nossas congregações era remunerada.Ela interrompeu para dizer que seu interesse havia diminuído significativamente. Ela disse: “Não creio que as mulheres precisem de mais empregos não remunerados”.
Destacamos que a organização mais importante da Terra é a família, na qual “pais e mães são parceiros iguais”. 8 Nem um nem outro recebe remuneração financeira, mas as bênçãos são indescritíveis. Evidentemente, falamos para ela da Sociedade de Socorro, da organização das Moças e da Primária, que são lideradas por presidentes que são mulheres. Salientamos que desde o princípio de nossa história, tanto homens quanto mulheres oram, executam a música, fazem discursos e cantam no coro, até na reunião sacramental, nossa reunião mais sagrada.
Um livro muito aclamado recentemente, American Grace, relata a situação das mulheres de muitas religiões. Foi observado que as mulheres da Igreja são diferentes das demais por estarem amplamente satisfeitas com seu papel na liderança da Igreja. 9 Além disso, os santos dos últimos dias como um todo, homens e mulheres, têm o maior apego a sua fé dentre todas as religiões incluídas no estudo. 10
Nossas mulheres não são incríveis por terem conseguido evitar as dificuldades da vida — muito pelo contrário. Elas são incríveis por causa do modo como enfrentam as provações da vida. Apesar dos desafios e testes que a vida oferece — com o casamento, ou a falta dele, as escolhas dos filhos, problemas de saúde, falta de oportunidades e muitos outros problemas — elas continuam extraordinariamente fortes, inamovíveis e leais à fé. Nossas irmãs de toda a Igreja constantemente “[socorrem] os fracos, [erguem] as mãos que pendem e [fortalecem] os joelhos enfraquecidos”. 11
Uma presidente de Sociedade de Socorro que reconheceu esse extraordinário serviço disse: “Até quando as irmãs servem, elas ficam pensando: ‘Eu bem que poderia ter feito mais!’”Embora não sejam perfeitas e todas enfrentem problemas pessoais, sua fé em um Pai Celestial amoroso e a certeza do sacrifício expiatório do Salvador permeiam-lhes a vida.

O Papel das Irmãs na Igreja

Nos últimos três anos, a Primeira Presidência e o Quórum dos Doze buscaram orientação, inspiração e revelação ao reunirem-se em conselho com líderes do sacerdócio e das auxiliares para elaborar os novos manuais da Igreja. Nesse processo, senti imensa gratidão pelo papel essencial que as irmãs, tanto casadas quanto solteiras, desempenharam historicamente e hoje em dia, tanto na família quanto na Igreja.
Todos os membros da Igreja de Jesus Cristo devem “[trabalhar] em sua vinha para a salvação da alma dos homens”. 12 “Esse trabalho de salvação inclui o trabalho missionário dos membros, a retenção de conversos, a ativação de membros menos ativos, o trabalho do templo e de história da família, o ensino do evangelho” e o cuidado dos pobres e necessitados. 13 14 Isso é administrado primordialmente por meio do conselho da ala. 15
Especificamente pretende-se, nos novos manuais, que os bispos, sensíveis às demandas existentes, deleguem mais responsabilidades. Os membros precisam saber que o bispo foi instruído a delegar. Os membros precisam apoiá-lo quando ele seguir esse conselho. Isso permitirá que o bispo passe mais tempo com os jovens, com os jovens adultos solteiros e com sua própria família. Ele vai delegar outras responsabilidades importantes para os líderes do sacerdócio, para as presidentes das auxiliares e individualmente para homens e mulheres. Na Igreja, o papel da mulher no lar é altamente respeitado. 16 Quando a mãe recebe um chamado na Igreja que lhe demande um tempo significativo, o pai geralmente deve receber um chamado menos exigente, a fim de manter o equilíbrio na vida familiar.
Há vários anos, assisti a uma conferência de estaca em Tonga. No domingo pela manhã, as três fileiras da frente da capela estavam repletas de homens entre 26 e 35 anos de idade. Presumi que fizessem parte de um coro de homens. Mas quando foram tratados os assuntos da conferência, todos aqueles homens, 63 no total, levantaram-se quando seus nomes foram lidos e foram apoiados para serem ordenados ao Sacerdócio de Melquisedeque. Fiquei feliz e surpreso.
Após a sessão, perguntei ao presidente Mateaki, o presidente da estaca, como aquele milagre tinha acontecido. Ele me disse que, em uma reunião de conselho da estaca, foi abordada a reativação. A presidente da Sociedade de Socorro da estaca, a irmã Leinata Va’enuku, perguntou se seria adequado ela dizer alguma coisa. Enquanto ela falava, o Espírito confirmou ao presidente que o que ela estava sugerindo era verdade. Ela explicou que havia na estaca um grande número de maravilhosos jovens na faixa dos 20 e 30 anos de idade que não tinham servido missão. Ela disse que muitos deles sabiam ter decepcionado seus bispos e líderes do sacerdócio, que fortemente os incentivaram a servir missão, e agora se sentiam como membros de segunda classe da Igreja. Ela salientou que aqueles jovens tinham passado da idade de ser missionários. Expressou seu amor e preocupação por eles. Explicou que todas as ordenanças de salvação ainda estavam disponíveis para eles, e que o enfoque deveria ser a ordenação ao sacerdócio e às ordenanças do templo. Ela observou que, embora alguns daqueles jovens ainda fossem solteiros, a maioria deles havia-se casado com mulheres maravilhosas — algumas ativas, algumas inativas e algumas que não eram membros.
Após trocarem ideias no conselho da estaca, foi decidido que os homens do sacerdócio e as mulheres da Sociedade de Socorro procurariam resgatar aqueles homens e as esposas, enquanto os bispos passariam mais de seu tempo com os rapazes e as moças nas alas. Os envolvidos no resgate enfocaram principalmente a preparação para o sacerdócio, o casamento eterno e as ordenanças de salvação realizadas no templo. Nos dois anos subsequentes, quase todos os 63 homens que haviam sido apoiados para receber o Sacerdócio de Melquisedeque na conferência da qual participei receberam a investidura no templo e foram selados ao cônjuge. Esse relato é apenas um exemplo de como nossas irmãs são essenciais para o trabalho de salvação em nossas alas e estacas e como elas facilitam a revelação, especialmente na família e nos conselhos da Igreja. 17

O Papel das Irmãs na Família

Reconhecemos que existem forças imensas mobilizadas contra as mulheres e as famílias. Estudos recentes mostram um declínio na devoção ao casamento, com uma diminuição no número de adultos que se casam. 18 Para alguns, o casamento e a família estão-se tornando “uma opção de menu em vez do princípio organizador central da nossa sociedade”. 19 As mulheres se deparam com muitas opções e precisam ponderar em espírito de oração sobre as escolhas que fazem e em como essas escolhas afetam a família.
Quando estive na Nova Zelândia, no ano passado, li em um jornal de Auckland que algumas mulheres, que não eram da Igreja, se debatiam com essas questões. Uma mãe disse que percebeu, em seu caso, que sua decisão entre trabalhar ou ficar em casa girava em torno de um tapete novo e de um segundo carro dos quais ela realmente não precisava. Outra mulher, no entanto, sentia que o maior inimigo da “vida familiar feliz não era o trabalho remunerado — mas, sim, a televisão”. Ela disse que as famílias despendiam mais tempo assistindo à TV do que com a família. 20
Essas são decisões muito pessoais e delicadas, mas há dois princípios que devemos sempre ter em mente. Em primeiro lugar, nenhuma mulher deve jamais sentir a necessidade de pedir desculpas ou de achar que sua contribuição é menos significativa, por estar-se dedicando principalmente à criação e à educação dos filhos. Nada poderia ser mais significativo no plano de nosso Pai Celestial. Em segundo lugar, todos devemos ter cuidado para não julgar ou supor que as irmãs sejam menos valorosas, se elas tomarem a decisão de trabalhar fora de casa. Raramente compreendemos ou reconhecemos plenamente as circunstâncias das pessoas. O marido e a mulher devem aconselhar-se fervorosamente, sabendo que são responsáveis perante Deus por suas decisões.
A vocês, irmãs que criam sozinhas os filhos seja qual for o motivo, de coração lhes estendemos nosso apreço. Os profetas deixaram bem claro “que muitas mãos estão prontas a ajudá-las. O Senhor não Se esqueceu de vocês. Nem Sua Igreja”. 21 Espero que os santos dos últimos dias estejam na vanguarda quanto à criação de um ambiente no local de trabalho que seja mais receptivo e acolhedor para as mulheres e os homens em suas responsabilidades como pais.
Vocês, valorosas e fiéis irmãs solteiras, saibam que as amamos e que lhes somos gratos, e asseguramos que nenhuma bênção eterna lhes será negada.
A extraordinária mulher pioneira Emily H. Woodmansee escreveu a letra do hino “Irmãs em Sião”. Ela corretamente declarou que “missão qual dos anjos [às mulheres] é dada”. 22 Isso foi descrito como “nada menos que uma convocação direta e urgente de nosso Pai Celestial, e ‘esse é um dom que (…) as irmãs (…) reivindicam para si.‘” 23
Queridas irmãs, amamos e admiramos vocês. Agradecemos o seu serviço no reino do Senhor. Vocês são incríveis! Expresso minha gratidão especial pelas mulheres presentes em minha vida. Presto testemunho da realidade da Expiação, da divindade do Salvador e da Restauração de Sua Igreja, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Show References 

  1. 1. Wallace Stegner, The Gathering of Zion: The Story of the Mormon Trail, 1971, p. 13.
  2. 2. Robert D. Putnam and David E. Campbell, American Grace: How Religion Divides and Unites Us, 2010, p. 233.
  3. 3. Ver Manual 2: Administração da Igreja, 2010, 1.3.1; ver também Moisés 5:1, 4, 12, 27.
  4. 4. Andrew D. Olsen, The Price We Paid: The Extraordinary Story of the Willie and Martin Handcart Pioneers, 2006, p. 445.
  5. 5.  Ver “Leaves from the Life of Elizabeth Horrocks Jackson Kingsford,” Sociedade Histórica do Norte de Utah, Manuscrito A 719; em “Remembering the Rescue,” Ensign, agosto de 1997, p. 47
  6. 6. Versão resumida de um e-mail enviado por Monica Sedgwick, presidente das Moças da Estaca Laguna Niguel Califórnia, e de um discurso proferido por Leslie Mortensen, presidente das Moças da Estaca Mission Viejo Califórnia.
  7. 7. Extraído de um artigo intitulado “Why Do We Let Them Dress Like That?” (Wall Street Journal, março 19–20 de 2011, C3), uma mãe judia solícita defende os padrões de vestimenta e modéstia e reconhece o exemplo das mulheres mórmons.
  8. 8. “A Família: Proclamação ao Mundo”, A Liahona, novembro de 2010, última contracapa.
  9. 9. Ver Putnam and Campbell, American Grace, pp. 244–245.
  10. 10. Ver Putnam and Campbell, American Grace, p. 504.
  11. 11.  Doutrina e Convênios 81:5; ver também Mosias 4:26.
  12. 12.  Doutrina e Convênios 138:56.
  13. 13.  Manual 2: Administração da Igreja, 2010, p. 24.
  14. 14. Ver Manual 2, 6.1.
  15. 15. Ver Manual 2, 4.5.
  16. 16. Ver Emily Matchar, “Why I Can’t Stop Reading Mórmon Housewife Blogs,” salon.com/life/feature/2011/01/15/feminist_obsessed_with_mormon_blogs. Essa mulher que se identifica como sendo feminista e ateia admite o fato e diz que é viciada em ler blogs de donas de casa mórmons.
  17. 17. De conversas com o Presidente da Estaca Nuku’alofa Tonga Ha’akame, Presidente Lehonitai Mateaki (que posteriormente serviu como presidente da Missão Papua-Nova Guiné Port Moresby) e da presidente da Sociedade de Socorro Leinata Va’enuku.
  18. 18. Ver D’Vera Cohn e Richard Fry, “Women, Men, and the New Economics of Marriage,” Centro de Pesquisas Pew, Tendências Sociais e Demográficas, pewsocialtrends.org. O número de crianças nascidas também diminuiu significativamente em muitos países. Isso tem sido chamado de Inverno Demográfico.
  19. 19. “A Troubling Marriage Trend,” Deseret News, 22 de novembro de 2010, A14, citando um relatório do msnbc.com.
  20. 20. Ver Simon Collins, “Put Family before Moneymaking Is Message from Festival,” Nova Zelândia Herald, 1º de fevereiro de 2010, A2.
  21. 21. Gordon B. Hinckley, “Mulheres da Igreja,” A Liahona, janeiro de 1997, p. 72; ver também Spencer W. Kimball, “Nossas Irmãs na Igreja,” A Liahona, março de 1980, p. 72 [traduções atualizadas].
  22. 22. “Irmãs em Sião,” Hinos, nº 200.
  23. 23. Karen Lynn Davidson, Our Latter-Day Hymns: The Stories and the Messages, . ed. Rev., 2009, pp. 338–339.