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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Interagir e Ser Parceiros com Responsabilidades Iguais

Bruce C. Hafen
 
O marido coloca a chave da casa no trinco da porta. Ele voltou para casa do trabalho e está prestes a entrar. Na cozinha, a vida real está espalhada por toda parte. O bebê está chorando. A filha de três anos acabou de despejar o leite, não no copo, mas em toda a mesa. O menino de sete anos precisa de um pouco de atenção do pai. E o jantar não está pronto.
Tendo um trabalho para entregar no dia seguinte, a cabeça zunindo por causa do trânsito congestionado e uma reunião na Igreja naquela mesma noite, ele tinha esperança de que ela o recebesse de modo a dar-lhe um pouco de alívio.
Ao ouvi-lo entrar, ela ficou feliz porque a equipe de socorro tinha chegado! Mas quando viu a expressão no rosto dele, ao olhar em redor, ela começou a se defender. “Olhe aqui, eu também trabalho o dia inteiro! Estive cuidando dessas crianças sem parar e estou realmente precisando de um descanso. Quer, por favor, preparar este macarrão com queijo aqui e me ajudar com as crianças?”
Ouvindo esse protesto acalorado, sua esperança evaporou-se em exasperação, e ele estava prestes a reagir.
Naquele momento crítico de seu dia atarefado, os dois tinham algumas escolhas a fazer. Usariam aquele momento para ser o tipo de companheiro que, por convênio, assumiram ser? Ou cada um recorreria ao seu condicionamento passado — familiar e cultural? Certas atitudes e idéias estão impregnadas até no ar que respiramos, desafiando-nos quando procuramos trabalhar um com o outro em vez de um contra o outro.
Suponham que ele tivesse sido criado por um pai que era um marido dominador e por uma mãe que era uma esposa submissa. O marido sorridente diria, “Querida, cheguei!” ao entrar em casa, passando pela porta lustrosa. A esposa, bem calma — sem um único fio de cabelo fora do lugar, com batom nos lábios e um avental engomado — o cumprimentaria, dizendo: “Seu jantar está pronto, querido. Tire a gravata e sente-se”. Tudo estaria no lugar certo.
Suponham que os pais dele acreditassem que o primeiro dever da esposa era “submeter-se graciosamente ao marido”, como certa igreja americana incluiu recentemente em seu credo. E suponham que eles acreditassem que era dever do marido dar ordens: liderar, atribuir tarefas e esperar resultados.
Agora suponham que ela tivesse sido criada por pais que apoiassem o movimento de liberação feminina. A mãe dela sentia-se grata por viver numa época em que as mulheres já não se viam pressionadas a conformar-se com um papel rígido e sacrificado, que aparentemente lhes negava uma identidade própria.
Talvez a mãe dela, e até o pai, diriam que uma esposa inteligente devia limitar o tempo e o sacrifício que ofereceria para apoiar o marido e os filhos, porque precisa, em primeiro lugar, cuidar de si mesma e de suas prioridades pessoais, nesta nova era de liberdade feminina.

Ser Interdependentes

Corrigindo essas duas atitudes extremistas, “A Família: Proclamação ao Mundo” ensina um conceito de relacionamento marido-mulher que difere nitidamente das duas famílias em que esse casal hipotético foi criado. Ela declara que o pai “deve presidir” e “atender às necessidades de seus familiares e protegê-los”, ao passo que a “responsabilidade primordial da mãe é cuidar dos filhos”. O pai e a mãe devem “ajudar-se mutuamente” a cumprir esses deveres como “parceiros iguais”. 1
Os pais de nosso jovem marido acreditavam no antigo conceito de que as mulheres eram inteiramente dependentes dos maridos. Os pais de nossa jovem esposa acreditavam no novo conceito de que as mulheres são independentes dos maridos. Mas o evangelho restaurado ensina o conceito eterno de que o marido e a mulher são interdependentes entre si. São iguais. São parceiros.
Na história cristã, o conceito errôneo de que a esposa deve ser dependente do marido teve início na falsa suposição de que a Queda de Adão e Eva tinha sido um erro trágico, e que Eva foi a principal culpada. Assim, a tradicional submissão das mulheres aos homens era considerada como um castigo justo para o pecado de Eva. 2
Felizmente, a Restauração esclarece a escolha de Eva — e a de Adão — como sendo algo essencial para o progresso eterno dos filhos de Deus. Honramos em vez de condenarmos o que eles fizeram, e consideramos Adão e Eva como parceiros iguais.
O moderno conceito liberalista de que as pessoas casadas são independentes entre si também é incorreto. Geralmente se afirma que não há diferenças inatas entre os homens e as mulheres ou que, mesmo que existam algumas diferenças, ninguém tem direito de definir papéis para os diferentes sexos.
De certa forma, a excessiva abnegação da esposa dependente teria permitido e talvez até encorajado a dominação masculina. Em reação a isso, a ala radical do movimento de liberação feminina passou para o outro extremo de independência, ignorando a possibilidade da interdependência. Esse movimento cultural emocional levou algumas mulheres a deixarem de ser extremamente abnegadas para tornarem-se extremamente egoístas — fazendo com que perdessem o crescimento pessoal que somente pode advir do sacrifício voluntário, que torna possível o desenvolvimento dessa capacidade que a mulher tem de ajudar e nutrir todas as pessoas em sua esfera de influência (ver João 17:19).
O conceito de parceiros iguais e interdependentes está bem alicerçado na doutrina do evangelho restaurado. Eva foi uma “ajudadora idônea” para Adão (Gênesis 2:18). A palavra hebraica original para idônea significa que Eva era adequada para Adão, ou igual a ele. Não era serva dele nem sua subordinada. E a palavra hebraica para ajudadora, no termo “ajudadora idônea”, é ezer, um termo que significa que Eva era uma bênção celeste ao suprir o matrimônio com os instintos espirituais exclusivos das mulheres como uma dádiva de sua natureza feminina. 3
Como disse o Presidente Boyd K. Packer, Presidente Interino do Quórum dos Doze Apóstolos, os homens e as mulheres são diferentes por natureza, e embora compartilhem muitas características humanas básicas, “as virtudes e atributos dos quais dependem a perfeição e a exaltação são [mais] naturais na mulher”. 4
Gênesis 3:16 declara que Adão devia “dominar” Eva, mas isso não faz dele um ditador. Dominar pode ser traduzido como estabelecer padrões de avaliação. Portanto, Adão devia viver de modo que as pessoas pudessem, ao observá-lo, avaliar a retidão da própria conduta. Não se trata de um privilégio de poder, mas, sim, de uma obrigação que o homem tem de praticar o que prega. Além disso, em hebraico, após “dominar” aparece o termo bet, que significa governar com, e não prevalecer sobre. Se um homem exerce “domínio (…) em qualquer grau de iniqüidade” (D&C 121:37; grifo do autor), Deus encerra a autoridade daquele homem.
Talvez por causa dos falsos ensinamentos que distorceram o significado da escritura original, o Presidente Spencer W. Kimball (1895–1985) preferia “presidir” em vez de “dominar”. Ele disse: “As autoridades da Igreja nunca pediram a uma mulher que seguisse o marido para dentro de um abismo maligno. Ela [somente] deve segui-lo se ele obedecer ao Salvador do mundo e segui-Lo, mas ao decidir [se ele está obedecendo a Cristo], ela deve sempre assegurar-se de ser justa”. 5 Desse modo, o Presidente Kimball considerava o casamento como “uma parceria plena”, declarando: “Não queremos que nossas mulheres SUD sejam parceiras silenciosas ou limitadas”, mas, sim, “uma parceira plena que faça a sua contribuição”. 6
Os cônjuges não precisam desempenhar as mesmas funções para serem iguais. Os instintos espirituais inatos da mulher são como uma bússola moral, apontando para o norte espiritual — a menos que as partículas magnéticas dessa bússola estejam desorganizadas. O direito que o homem tem de presidir sua família vem do sacerdócio — a não ser que ele deixe de viver os princípios de retidão. Se o marido e a mulher forem sábios, seu aconselhamento será recíproco: ele ouvirá a inspiração da bússola espiritual interior dela, da mesma forma que ela ouvirá os conselhos justos dele.
Em um casamento de parceria, isto é, com responsabilidades iguais, ambos contribuem para a maturidade espiritual do casal, tanto o homem quanto a mulher. Ambos consideram a vida em família como seu trabalho mais importante. Cada um deles também se esforça para tornar-se um discípulo plenamente equilibrado de Jesus Cristo — um ser espiritual completo.

Parceiros Iguais

O Élder Neal A. Maxwell (1926–2004), do Quórum dos Doze Apóstolos, disse que por muito tempo, na Igreja, os homens foram os teólogos enquanto as mulheres foram as cristãs. 7 Para serem parceiros iguais, cada um deles deve ser tanto teólogo quanto cristão.
Quando o Élder Maxwell ficou sabendo, em 1996, que estava com leucemia, esse diagnóstico foi extremamente desalentador. Ele havia se empenhado por anos para tornar-se um homem “disposto a submeter-se” (Mosias 3:19) à vontade do Senhor. Se aquele era o momento de enfrentar a morte, ele não se recusaria a beber da taça amarga.
Mas sua esposa, Colleen, achou que ele estava mostrando-se excessivamente disposto a ceder. Com amor e persuasão, ela disse que o próprio Cristo suplicou sinceramente: “Se é possível, passe de mim este cálice”. Só então Ele se submeteu, dizendo: “Todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mateus 26:39). O Élder Maxwell refletiu sobre o ponto de vista doutrinário da esposa e concordou. Como resultado, eles suplicaram juntos para que a vida dele fosse poupada. Motivado pela determinação deles, o médico do Élder Maxwell descobriu um novo tratamento médico que prolongou sua vida por vários anos. O Élder Maxwell ficou grato por não ter sido o único teólogo em seu casamento. 8
Num casamento de parceiros iguais, “o amor não é uma posse mas, sim, participação, (…) parte daquela criação conjunta que é o nosso chamado humano”. 9 Com a verdadeira participação, marido e mulher se fundem na unidade sinérgica de um “domínio eterno” que “sem ser compelido” fluirá pleno de vida espiritual para o casal e sua posteridade “eternamente” (D&C 121:46).
No pequeno reino de uma família, cada cônjuge doa livremente algo que o outro não tem e sem o qual nenhum deles poderia tornar-se completo e retornar à presença de Deus. Os cônjuges não são um solista com acompanhante, tampouco são dois solistas. Fazem parte de um dueto interdependente, cantando juntos harmoniosamente em um nível de excelência que nenhum solista conseguiria alcançar.
Cada um deles doa em abundância o que falta no outro. Como Paulo escreveu:
“Mas, não digo isto para que os outros tenham alívio, e vós opressão,
Mas para igualdade (…), a vossa abundância supra a falta dos outros, para que também a sua abundância supra a vossa falta, e haja igualdade” (II Coríntios 8:13–14).
Os convênios do casamento no templo não garantem magicamente a igualdade numa parceria. Por meio desses convênios, comprometemo-nos a um processo progressivo de aprendizado e crescimento conjunto — na prática.
Aquele casal que vimos na cozinha assumiram juntos o compromisso de união familiar eterna. Mas a parceria igual não é feita no céu — ela é feita aqui na Terra, uma escolha por vez, uma conversa por vez, uma entrada em casa por vez. E alcançar essa meta é um trabalho árduo. Significa, por exemplo, trabalhar pacientemente com as diferentes suposições a respeito de quem deveria prover alívio a quem naquela noite ou em qualquer outra de milhares de noites semelhantes.
Enquanto o leite pinga da mesa, ela mostra uma caixa de macarrão com queijo, ele tem um trabalho para entregar e uma reunião, e ambos sentem o cansaço no rosto. Como é que os participantes de um relacionamento equilibrado de convênio lidam com um momento assim, e como é que os poucos momentos seguintes poderiam ajudar a criar uma parceria igual?
Jovem esposa, você vê nele alguém que trabalhou o dia inteiro para prover sua mesa? Jovem marido, você vê nela alguém que trabalhou o dia inteiro para transformar essa provisão em nutrição? Ambos conseguem enxergar além das coisas que fizeram durante o dia e lembrar o valor inestimável da pessoa com quem se casaram?

Interação de Amor

Depois de uma vida inteira de prática e paciência juntos, como será sua última interação? Será que vocês verão e sentirão de modo semelhante a John e Therissa Clarks? Em 1921, John Haslem Clark, de Manti, Utah, escreveu o que se tornaria sua última anotação no diário:
“Nossos parentes estiveram aqui, mas foram embora para a casa deles. O barulho das crianças correndo, as risadas e toda a balbúrdia terminaram. Estamos sozinhos, nós dois. Os dois cujo destino tornou um. Faz muito tempo, já se passaram sessenta anos desde que nos conhecemos sob as árvores de junho. Eu beijei você primeiro. Quão tímida e medrosa você era em sua juventude. Nenhuma outra mulher na Terra ou no céu poderia ser o que você é para mim. Prefiro você aqui a meu lado, mulher, com seu cabelo grisalho, do que qualquer broto de juventude. Onde você está, é lar. Onde você está, não há saudade. Quando olho para você, percebo que há algo maior do que o amor, embora o amor seja a maior coisa na Terra. É lealdade. Se eu fosse expulso do meio das pessoas, envergonhado, você me seguiria. Se eu estivesse queimando de febre, sua mão fresca me consolaria. Segurando a sua mão eu poderia passar e tomar meu lugar entre os salvos no céu. Como sou oito anos mais velho — e com o passar dos anos tenho sentido que o momento da despedida se aproxima — freqüentemente pensamos e comentamos: Como é que um de nós poderia ficar sozinho? Sozinho, após vivermos juntos por 56 anos. Mal ouso pensar nisso, mas embora seja um pouco egoísta da minha parte, consolo-me pensando [que], tendo em vista a nossa idade, provavelmente não serei eu quem ficará sozinho”.
Outro escrito aparece depois, na mesma página. É a letra de Therissa, gentilmente encerrando o diário de John:
“Quase dois anos e meio se passaram desde a última anotação, e os eventos que se seguiram foram muito tristes, de partir o coração desta sua companheira de vida, de modo que esta caneta foi deixada de lado muitas vezes antes de eu fazer esta anotação. A saudade e a solidão [estão] sempre presentes e estarão comigo até o fim (…). Será que o tempo amenizará essa tristeza? Serei capaz de deixar o Velho Lar e não mais sentir que ele está esperando por mim, chamando por mim? Só me sinto contente em casa, onde sinto que ele está zelando por mim, que sua presença está sempre comigo.
Em 11 de março de 1923, John Haslem Clark faleceu, depois de uma enfermidade de apenas uma semana. Ele parecia tão bem, conversador e ativo. Não tínhamos idéia de que o fim estava tão próximo, até que ele perdeu a consciência poucas horas antes de sua morte. Oh, que todos sejamos tão limpos e puros quanto ele, prontos para apresentar-nos diante de nosso Criador”. 10
Não sabemos os detalhes da vida de John e Therissa, em suas interações do dia-a-dia. Mas sabemos como 56 anos de conversas diárias finalmente moldaram o tipo de pessoa em que eles se tornaram, o tipo de amor que eles conheceram.
Se nosso jovem casal pudesse saber que esse é o amor que eles podem vir a sentir e compreender no final de sua vida, o que eles não dariam por isso! Ouviriam mais e fariam escolhas melhores, sempre e sempre, dia após dia, decisão após decisão. Aprenderiam, por paciente experiência, que “o trabalho é o amor que se torna visível”. 11 Saberiam que, à medida que os anos se passam, seu casamento os estará ajudando a tornarem-se melhores discípulos de Jesus Cristo, sim, tornarem-se um pouco mais semelhantes a Ele. Então compreenderiam, ao cruzarem o limiar final da mortalidade que na medida em que se tornaram um com Ele, eles se tornaram um com o outro.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Desejo

Dallin H. Oaks

Do Quórum dos Doze Apóstolos



Dallin H. Oaks
Para alcançar nosso destino eterno temos que desejar e trabalhar para adquirir as qualidades exigidas para tornar-nos seres eternos.
Decidi falar sobre a importância do desejo.Espero que examinemos nosso coração para ver quais são realmente nossos desejos e em que ordem de importância os classificamos.
Os desejos determinam nossas prioridades, as prioridades moldam nossas decisões, e as decisões determinam nossas ações. Os desejos que são colocados em prática determinam como mudamos, o que realizamos e em que nos tornamos.
Primeiramente, falarei de alguns desejos comuns. Sendo seres mortais, temos algumas necessidades físicas básicas. O desejo de satisfazer essas necessidades compele nossas escolhas e determina algumas de nossas ações. Três exemplos demonstram como muitas vezes substituímos esses desejos por outros que consideramos mais importantes.
Em primeiro lugar, comida. Temos a necessidade básica de alimentar-nos, mas por algum tempo ela pode ser substituída pelo desejo mais forte de jejuar.
Em segundo lugar, abrigo. Quando eu tinha doze anos, resisti ao desejo de buscar abrigo por causa de meu desejo maior de cumprir um requisito do escotismo de passar uma noite no bosque. Fui um dos vários rapazes que deixaram suas tendas confortáveis e descobriram um meio de construir um abrigo e de fazer uma cama primitiva usando materiais naturais que conseguimos achar.
Em terceiro lugar, sono. Até esse desejo básico pode ser substituído temporariamente por outro ainda mais importante. Quando eu era um jovem soldado na Guarda Nacional de Utah, vi um exemplo disso na vida de um oficial experiente em combate.
Nos primeiros meses da Guerra da Coreia, uma bateria de artilharia de campo de Richfield, da Guarda Nacional de Utah, foi convocada para lutar. Aquela bateria, comandada pelo capitão Ray Cox, era formada por uns 40 soldados mórmons. Depois de alguns treinamentos e reforçados por reservistas de outros lugares, logo foram enviados à Coreia, onde vivenciaram algumas das batalhas mais ferozes daquela guerra. Em uma delas, tiveram que repelir um ataque direto de centenas de soldados da infantaria inimiga, do tipo que já havia vencido e destruído outras baterias de artilharia de campo.
O que isso tem a ver com o desejo de dormir? Numa noite crucial, quando a infantaria inimiga transpôs a frente de batalha e chegou à retaguarda ocupada pela artilharia, o capitão fez com que as linhas telefônicas fossem conectadas a sua barraca e ordenou que seus muitos guardas de perímetro telefonassem pessoalmente para ele a cada hora, a noite inteira. Isso manteve os guardas acordados, mas também fez com que o sono do capitão Cox fosse interrompido muitas vezes. “Como conseguiu fazer isso?” perguntei a ele. A resposta mostra a força que tem um desejo premente.
“Eu sabia que se conseguisse voltar para casa encontraria os pais daqueles rapazes, nas ruas de nossa pequena cidade, e eu não poderia encarar nenhum deles se o filho deles não tivesse voltado para casa por causa de algo que deixei de fazer como seu comandante.” 1
Que grande exemplo da força de um desejo premente sobre as prioridades e as ações. Que poderoso exemplo para todos nós que somos responsáveis pelo bem-estar de outros — pais, líderes e professores da Igreja!
Concluindo essa ilustração, bem cedo pela manhã, após a noite insone, o capitão Cox liderou seus soldados em um contra-ataque à infantaria inimiga. Fizeram mais de 800 prisioneiros, e só dois dos seus ficaram feridos. Cox foi condecorado por bravura, e sua bateria recebeu uma Menção Honrosa Presidencial de Unidade por seu extraordinário heroísmo. E tal como os jovens guerreiros de Helamã (ver Alma 57:25–26), todos voltaram para casa. 2
O Livro de Mórmon contém muitos ensinamentos sobre a importância do desejo.
Depois de suplicar ao Senhor por muitas horas, Enos ouviu que seus pecados haviam sido perdoados. Ele então “[começou] a desejar” o bem-estar de seus irmãos (Enos 1:9). Enos escreveu: “E (…) após ter orado e me empenhado com toda a diligência, o Senhor disse-me: Por causa de tua fé conceder-te-ei de acordo com teus desejos” (versículo 12). Observem os três conceitos essenciais que precederam a bênção prometida: Desejo, trabalho e fé.
Em seu sermão sobre a fé, Alma ensina que ela pode começar com nada “mais que o desejo de acreditar” se deixarmos “que esse desejo opere em [nós]” (Alma 32:27).
Outro grande ensinamento sobre o desejo, especialmente sobre qual deve ser nosso maior desejo, ocorreu quando o rei lamanita foi ensinado pelo missionário Aarão. Quando os ensinamentos de Aarão lhe atraíram o interesse, o rei perguntou: “Que deverei fazer para nascer de Deus” e “conseguir essa vida eterna?” Alma 22:15. Aarão respondeu: “Se desejas isto, (…) se te arrependeres de todos os teus pecados e te curvares diante de Deus e invocares o seu nome com fé, acreditando que receberás, então obterás a esperança que desejas” (versículo 16).
O rei fez isso e declarou em vigorosa oração: “Abandonarei todos os meus pecados para conhecer-te” (versículo 18). Com esse comprometimento e essa identificação de seu maior desejo, sua oração foi respondida de modo milagroso.
O profeta Alma tinha grande desejo de clamar arrependimento a todos, mas compreendeu que não deveria desejar o poder de compelir as pessoas porque concluiu que “um Deus justo (…) concede aos homens segundo os seus desejos, sejam estes para a morte ou para a vida” (Alma 29:4). De modo semelhante, o Senhor declarou em revelação moderna que julgará “todos os homens segundo suas obras, segundo o desejo de seu coração” (D&C 137:9).
Será que estamos verdadeiramente preparados para que o Juiz Eterno atribua esse enorme significado àquilo que realmente desejamos?
Muitas escrituras falam do que desejamos em termos daquilo que buscamos. “Aquele que cedo me buscar achar-me-á e não será abandonado” (D&C 88:83). “Procurai com zelo os melhores dons” (D&C 46:8). “Pois aquele que procurar diligentemente achará”(1 Néfi 10:19). “Achegai-vos a mim e achegar-me-ei a vós; procurai-me diligentemente e achar-me-eis; pedi e recebereis; batei e ser-vos-á aberto” (D&C 88:63).
Não é fácil reajustar nossos desejos para dar maior prioridade às coisas da eternidade. Todos somos tentados a desejar o quarteto mundano: da posse, preeminência, presunção e do poder. Podemos desejar essas coisas, mas não devemos torná-las nossas maiores prioridades.
Aqueles cujo maior desejo é ter posses caem na armadilha do materialismo. Deixam de dar ouvidos ao aviso: “Não busques as riquezas nem as coisas vãs deste mundo” (Alma 39:14; ver também Jacó 2:18).
Aqueles que desejam preeminência ou poder deviam seguir o exemplo do valoroso capitão Morôni, que não serviu buscando “poder” nem as “honras do mundo” (Alma 60:36).
Como desenvolvemos desejos? Poucos terão o tipo de crise que motivou Aron Ralston, 3 mas a experiência pessoal dele deixa uma valiosa lição sobre o desenvolvimento do desejo. Quando Ralston excursionava por um desfiladeiro remoto no sul de Utah, uma rocha de quase meia tonelada soltou-se de repente, prendendo-lhe o braço. Por cinco dias solitários, ele fez de tudo para libertar-se. Quando estava prestes a desistir e aceitar a morte, teve a visão de um menino de três anos que corria em sua direção e a quem ele abraçava com o braço esquerdo. Compreendendo que aquela era uma visão de seu futuro filho, garantindo-lhe que ele poderia sobreviver, Ralston reuniu coragem e executou a drástica ação para salvar a vida antes de perder as forças. Ele quebrou os dois ossos do braço direito preso e depois usou a lâmina de seu canivete para cortar fora o braço. Depois reuniu forças para percorrer oito quilômetros em busca de ajuda. 4 Que grande exemplo da força de um desejo premente! Quando temos a visão daquilo em que podemos nos tornar, nosso desejo e nosso poder de agir aumentam enormemente.
A maioria de nós jamais enfrentará uma crise tão extrema, mas todos enfrentamos armadilhas potenciais que vão impedir o progresso rumo a nosso destino eterno. Se forem suficientemente intensos, os nossos desejos justos nos motivarão a cortar fora vícios e outras tendências pecaminosas e prioridades erradas que impedem nosso progresso eterno.
Devemos lembrar que os desejos justos não podem ser superficiais, impulsivos ou temporários. Precisam ser sinceros, inabaláveis e permanentes. Motivados dessa maneira, procuraremos aquela condição descrita pelo Profeta Joseph Smith, na qual teremos “[superado] todas as coisas ruins da vida e [perdido] toda a vontade de pecar”. Essa é uma decisão muito pessoal. 5 Essa é uma decisão muito pessoal. Como disse o Élder Neal A. Maxwell:
“Quando se diz que as pessoas ‘perderam todo o desejo de pecar’, significa que elas, e somente elas, decidiram, de modo deliberado, perder esses desejos iníquos, voluntariamente ‘abandonando todos os seus pecados’ a fim de conhecerem a Deus.
Assim, o que insistentemente desejamos no decorrer da vida é o que acabaremos nos tornando e o que receberemos na eternidade”. 6
Por mais importante que seja a perda de todo o desejo de pecar, a vida eterna exige mais que isso. Para alcançar nosso destino eterno temos que desejar e trabalhar para adquirir as qualidades exigidas a fim de tornar-nos seres eternos. Por exemplo: os seres eternos perdoam todos aqueles que os injuriaram. Eles colocam o bem-estar das outras pessoas acima deles mesmos. E amam todos os filhos de Deus. Se isso parecer difícil — e sem dúvida não é fácil para nenhum de nós — então devemos começar com o desejo de ter essas qualidades e rogar a ajuda do amoroso Pai Celestial para lidarmos com nossos sentimentos. O Livro de Mórmon nos ensina que devemos rogar ao Pai, com toda a energia de nosso coração, que sejamos cheios desse amor que Ele concedeu a todos os que são verdadeiros seguidores de Seu Filho, Jesus Cristo (ver Morôni 7:48).
Encerro com um último exemplo de desejo que deve ser de extrema importância para todos os homens e mulheres, tanto casados quanto solteiros. Todos devemos desejar e esforçar-nos seriamente para garantir um casamento eterno. Aqueles que já se casaram no templo devem fazer tudo o que puderem para preservar seu casamento. Os solteiros devem desejar um casamento no templo e dar a máxima prioridade para consegui-lo. Os jovens e os jovens adultos devem resistir ao conceito politicamente correto, mas falso do ponto de vista eterno, de que o casamento e os filhos não são importantes. 7
Vocês, homens solteiros, pensem no desafio lançado nesta carta escrita por uma irmã solteira. Ela rogava pelas “filhas dignas de Deus, que sinceramente procuram um companheiro digno, mas os homens parecem cegos e confusos em relação a terem ou não a responsabilidade de procurar essas filhas maravilhosas e especiais do Pai Celestial e namorá-las, estando dispostos a fazer e cumprir convênios sagrados na casa do Senhor”. Ela conclui, dizendo: “Há muitos homens SUD solteiros que ficam felizes em sair e divertir-se a dois ou em grupo, mas que não têm absolutamente nenhum desejo de assumir qualquer tipo de compromisso com uma mulher”. 8
Tenho certeza que alguns rapazes que buscam ansiosamente uma companheira gostariam que eu acrescentasse que há moças cujo desejo de ter um casamento e filhos é bem menor do que seu desejo de ter uma carreira profissional ou outras honras mortais. Tanto os homens quanto as mulheres necessitam ter desejos justos que vão conduzi-los à vida eterna.
Lembremos que os desejos determinam nossas prioridades, as prioridades moldam nossas decisões, e as decisões determinam nossas ações. Além disso, são nossas ações e nossos desejos que nos fazem tornar-nos alguma coisa, seja um amigo verdadeiro, um professor talentoso ou alguém qualificado para a vida eterna.
Presto testemunho de Jesus Cristo, cujo amor, cujos ensinamentos e cuja Expiação tornaram tudo isso possível. Oro para que desejemos acima de tudo nos tornarmos como Ele para que um dia possamos retornar a Sua presença e receber a plenitude de Sua alegria. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

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  1. 1. Ray Cox, entrevistado pelo autor, em 1º de agosto de 1985, Mount Pleasant, Utah, confirmando o que me contara em Provo, Utah, aproximadamente em 1953.
  2. 2. Ver Richard C. Roberts, Legacy: The History of the Utah National Guard, 2003, p. 307–314; “Self-Propelled Task Force”, National Guardsman, maio de 1971, última capa; Miracle at Kapyong: The History of the 213th (filme produzido pela Universidade do Sul de Utah, 2002).
  3. 3. Ver Aron Ralston, Between a Rock and a Hard Place, 2004.
  4. 4. Ralston, Between a Rock and a Hard Place, p. 248.
  5. 5. Ver Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 220.
  6. 6. 6. Ver Neal A. Maxwell, “Segundo o Desejo de [Nossos] Corações”, A Liahona, janeiro de 1997, pp. 21–23.
  7. 7. Ver Julie B. Beck, “Ensinar a Doutrina da Família”, A Liahona, Março 2011, pp. 32–37; Ensign março 2011, pp. 12–17.
  8. 8. Carta de 14 de setembro de 2006.

domingo, 24 de abril de 2011

Casamento Celestial,Russell M. Nelson


Russell M. Nelson
A proclamação sobre a família nos ajuda a compreender que o casamento celestial proporciona maiores possibilidades para a felicidade do que qualquer outro relacionamento.

Meus amados irmãos e irmãs, sinto-me profundamente grato a vocês. Todos sentimos uma profunda gratidão pelo evangelho de Jesus Cristo. Neste mundo cheio de tristezas, somos verdadeiramente gratos a Deus por Seu “grande plano de felicidade”. 1 Seu plano declara que os homens e as mulheres existem “para que tenham alegria”. 2 Essa alegria vem quando decidimos viver em harmonia com o plano eterno de Deus.
A importância da escolha pode ser ilustrada por um conceito bem familiar que me veio à mente certo dia, quando estava fazendo compras numa grande loja. Eu o chamo de “padrões do comprador”. Como fazer compras faz parte de nossa vida diária, esses padrões são conhecidos.
Os compradores sensatos estudam cuidadosamente suas opções antes de fazer uma escolha. Enfocam principalmente a qualidade e a durabilidade do produto desejado. Eles querem o melhor. Por outro lado, alguns compradores procuram pechinchas, e outros gastam excessivamente — para descobrir depois, para sua consternação — que a escolha que fizeram não durou muito. Infelizmente, há aqueles raros indivíduos que deixam de lado a integridade pessoal e roubam o que desejam. Nós os chamamos de “ladrões”.
Os padrões do comprador podem ser aplicados ao casamento. Um casal que se ama pode escolher um casamento da mais alta qualidade, ou um tipo inferior que não perdura. Ou podem não escolher nenhum dos dois e roubar descaradamente o que desejam como “ladrões conjugais”.
O casamento está sendo debatido no mundo inteiro, e há várias convenções para a vida conjugal. Meu propósito ao abordar esse tema é o de declarar, como Apóstolo do Senhor, 3 que o casamento entre homem e mulher é sagrado: ele foi ordenado por Deus. 4 Também quero declarar as virtudes do casamento no templo. É o mais elevado e duradouro tipo de casamento que nosso Criador pode oferecer a Seus filhos.
Embora a salvação seja uma questão individual, a exaltação é uma questão familiar. 5 Somente aqueles que forem casados no templo, cujo casamento tenha sido selado pelo Santo Espírito da Promessa é que continuarão como marido e mulher depois da morte e receberão o mais alto grau da glória celestial ou exaltação. 6 O casamento no templo também é chamado de casamento celestial. Na glória celestial há três níveis. Para alcançar o mais alto, o marido e a mulher precisam ser selados para esta vida e para toda a eternidade e guardar os convênios que fizeram no templo sagrado. 7
O mais nobre anseio do coração humano é um casamento que perdure após a morte. A fidelidade no casamento do templo faz com que isso aconteça. Permite que as famílias sejam eternas.
Essa é uma meta gloriosa. Todas as atividades, os avançamentos, os quóruns e as classes são meios para se conseguir uma família exaltada. 8
Para tornar essa meta possível, nosso Pai Celestial restaurou as chaves do sacerdócio nesta dispensação, para que as ordenanças essenciais de Seu plano possam ser realizadas com a devida autoridade. Mensageiros celestes, inclusive João Batista, 9 Pedro, Tiago e João, 10 Moisés, Elias e Elias, o profeta, 11 todos participaram dessa restauração. 12
O conhecimento dessa verdade revelada está-se espalhando por todo o mundo. 13 Nós, como profetas e apóstolos do Senhor, proclamamos novamente ao mundo que “a família é essencial ao plano do Criador para o destino eterno de Seus filhos”. 14
Proclamamos ainda que “todos os seres humanos — homem e mulher — foram criados à imagem de Deus. Cada indivíduo é um filho (ou filha) gerado em espírito por pais celestiais que o amam e, como tal, possui natureza e destino divinos. O sexo (masculino ou feminino) é uma característica essencial da identidade e do propósito pré-mortal, mortal e eterno de cada um.
Na esfera pré-mortal, os filhos e filhas que foram gerados em espírito conheciam e adoravam a Deus como seu Pai Eterno e aceitaram Seu plano, segundo o qual Seus filhos poderiam obter um corpo físico e adquirir experiência terrena a fim de progredirem rumo à perfeição, terminando por alcançar seu destino divino como herdeiros da vida eterna. O plano divino de felicidade [do Pai Celestial] permite que os relacionamentos familiares sejam perpetuados além da morte. As ordenanças e os convênios sagrados dos templos santos permitem que as pessoas retornem à presença de Deus e que as famílias sejam unidas para sempre”. 15
Essa proclamação sobre a família nos ajuda a compreender que o casamento celestial proporciona maiores possibilidades para a felicidade do que qualquer outro relacionamento. 16 A Terra foi criada e esta Igreja foi restaurada para que as famílias possam ser formadas, seladas e exaltadas eternamente. 17
O Senhor declara que “é legítimo que [o homem] tenha uma esposa e os dois serão uma só carne; e tudo isto para que a Terra cumpra o fim de sua criação”. 18 Outra escritura afirma que “nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor”. 19 Portanto, o casamento é não apenas um princípio de exaltação do evangelho, mas também um mandamento divino.
Nosso Pai Celestial declarou: “Esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem”. 20 A Expiação de Seu Filho Amado permitiu que esses dois objetivos fossem realizados. Graças à Expiação, a imortalidade — ou a ressurreição dos mortos — tornou-se uma realidade para todos. 21 E graças à Expiação, a vida eterna — que é viver para sempre na presença de Deus, “o maior de todos os dons de Deus” 22 tornou-se uma possibilidade. A fim de qualificar-nos para a vida eterna, precisamos fazer um convênio eterno com nosso Pai Celestial. 23 Isso significa que o casamento no templo é realizado não apenas entre marido e mulher, mas inclui a parceria com Deus. 24
A proclamação sobre a família também nos lembra que “o marido e a mulher têm a solene responsabilidade de amar-se mutuamente e (…) de cuidar um do outro”. 25 Os filhos nascidos dessa união são “herança do Senhor”. 26 Quando a família é selada no templo, ela se torna eterna como o próprio reino de Deus. 27
Essa recompensa exige mais do que apenas um desejo esperançoso. Certa vez, li um obituário no jornal desejando que um falecimento recente tivesse reunido a pessoa a seu cônjuge falecido, quando, na verdade, eles não tinham escolhido essa opção eterna. Em vez disso, optaram por um casamento que era válido somente enquanto vivessem. O Pai Celestial lhes oferecera um dom sublime, mas eles o recusaram. E por rejeitarem o dom, rejeitaram o seu Doador. 28
Uma afirmação categórica das escrituras deixa bem clara a diferença entre um simples anseio ou desejo e a verdade eterna: “Todos os convênios, contratos, (…) compromissos, juramentos, votos (…) ou expectativas que não forem feitos nem acertados nem selados pelo Santo Espírito da promessa, tanto para esta vida como para toda a eternidade, (…) não terão eficácia, virtude ou vigor algum na ressurreição dos mortos nem depois dela; porque todos os contratos que não são realizados com esse propósito têm fim quando os homens morrem”. 29
Essas verdades são absolutas. Os membros desta Igreja convidam todas as pessoas a aprender essas verdades e qualificar-se para a vida eterna. 30 Convidamos todos a adquirir fé em Deus, o Pai Eterno, e em Seu Filho, Jesus Cristo; a arrepender-se; a receber o Espírito Santo; a receber as bênçãos do templo; a fazer e guardar convênios sagrados; e a perseverar até o fim.
Misericordiosamente, o grande plano de felicidade de Deus e Suas bênçãos eternas podem ser concedidos aos que não tiveram a oportunidade de ouvir o evangelho na mortalidade. As ordenanças do templo podem ser realizadas vicariamente por eles. 31
Mas e quanto aos muitos membros adultos da Igreja que não são casados? Sem ter culpa disso, eles lidam com as provações da vida sozinhos. Todos devemos lembrar que, no devido tempo e à maneira do Senhor, nenhuma bênção será negada a Seus santos fiéis. 32 O Senhor julgará e recompensará cada pessoa de acordo com seu sincero desejo, bem como suas ações. 33
Enquanto isso, os mal-entendidos da mortalidade podem prejudicar um casamento. Na verdade, todo casamento começa com dois problemas intrínsecos. Ele envolve duas pessoas imperfeitas. O casal somente pode alcançar a felicidade por meio de sincero empenho. Assim, como só existe harmonia em uma orquestra se seus integrantes fizerem um esforço conjunto, a harmonia no casamento também exige empenho conjunto. Esse empenho será bem-sucedido se cada parceiro minimizar suas exigências pessoais e ampliar as ações de amorosa abnegação.
O Presidente Thomas S. Monson disse: “Para encontrar a real felicidade, precisamos procurá-la fora de nós mesmos. Ninguém aprende o significado da vida sem renunciar a seu ego e entregar-se no serviço ao próximo. O serviço ao próximo é semelhante ao dever: seu cumprimento é que nos proporciona a verdadeira alegria”. 34
Só há harmonia no casamento quando a pessoa coloca o bem-estar do cônjuge como uma de suas maiores prioridades. Quando isso realmente acontece, o casamento celestial se torna realidade, proporcionando grande alegria nesta vida e no mundo vindouro.
O plano de felicidade de Deus permite que escolhamos por nós mesmos. Como acontece com os padrões do comprador, podemos escolher o casamento celestial ou alternativas inferiores. 35 Algumas opções conjugais são baratas; outras são caras; algumas são ardilosamente confeccionadas pelo adversário. Estejam atentos às opções dele. Elas sempre resultam em infelicidade! 36
A melhor escolha é o casamento celestial. Felizmente, se uma escolha inferior tiver sido feita anteriormente, ela pode ser transformada numa escolha melhor. Isso exige uma poderosa mudança no coração 37 e uma melhoria pessoal permanente. 38 As bênçãos resultantes valem todo o esforço feito. 39
A plena realização das bênçãos do casamento no templo estão quase além de nossa compreensão mortal. Esse casamento continuará a crescer na esfera celestial. Ali, poderemos tornar-nos perfeitos. 40 Assim como Jesus recebeu, no final, a plenitude da glória do Pai, 41 também poderemos “[achegar-nos] ao Pai (…) e, no devido tempo, [receber] de sua plenitude”. 42
O casamento celestial é uma parte essencial da preparação para a vida eterna. Ele exige que casemos com a pessoa certa, no lugar certo, pela devida autoridade, e obedeçamos fielmente a esse sagrado convênio. 43 Então, poderemos ter a certeza da exaltação no reino celestial de Deus. Presto testemunho disso, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Exibir Referências 

  1. 1. Alma 42:8. Ele também é conhecido como o “plano de (…) Deus” (ver 2 Néfi 9:13; Alma 34:9), o “plano de redenção” (ver Jacó 6:8; Alma 12:26, 30, 32–33; 29:2; 42:13), o “plano de salvação” (ver Alma 24:14; 42:5) e o “plano de misericórdia” (ver Alma 42:15, 31).
  2. 2. 2 Néfi 2:25.
  3. 3. Ver D&C 107:35.
  4. 4. Ver D&C 49:15–17.
  5. 5. Ver Russell M. Nelson, “Salvação e Exaltação”, A Liahona, maio de 2008, pp. 7–10.
  6. 6. Ver D&C 76: 53; 132:7.
  7. 7. Ver D&C 131:1–3.
  8. 8. Um exemplo desse objetivo é esta declaração das escrituras: “teu dever será para com a igreja eternamente; e isto por causa de tua família” (D&C 23:3; grifo do autor).
  9. 9. Ver D&C 13.
  10. 10. Ver Mateus 16:18–19; D&C 27:12–13; Joseph Smith — História 1:72.
  11. 11. Ver D&C 110:11–16.
  12. 12. Ver D&C 128:8, 18; 132:45–46.
  13. 13. Ver 2 Néfi 10:2; 30:8.
  14. 14. “A Família: Proclamação ao Mundo”, A Liahona, outubro de 2004, p. 49.
  15. 15.  A Liahona, outubro de 2004, p. 49.
  16. 16. Declarei anteriormente que “o casamento é a instituição que forma a ordem social, a fonte da virtude e o alicerce da exaltação eterna” (“Fortalecer o Casamento”, A Liahona, maio de 2006, p. 36).
  17. 17. Sempre que as escrituras alertam que “toda a Terra seria completamente destruída”, a advertência está ligada à necessidade da autoridade do sacerdócio para selar as famílias nos templos sagrados (ver D&C 2:1–3; 138:48; Joseph Smith — História 1:38–39).
  18. 18. D&C 49:16; ver também Gênesis 2:24; Mateus 19:5; Marcos 10:7–9; Moisés 3:24; Abraão 5:18; D&C 42:22.
  19. 19. I Coríntios 11:11.
  20. 20. Moisés 1:39.
  21. 21. Ver 2 Néfi 9:22; Alma 12:8; 33:22; Helamã 14:17; Mórmon 9:13; Moisés 7:62; Tradução de Joseph Smith, Gênesis 7:69.
  22. 22. D&C 14:7.
  23. 23. Ver D&C 132:19.
  24. 24. Ver Mateus 19:6.
  25. 25.  A Liahona, outubro de 2004, p. 49.
  26. 26. Salmos 127:3.
  27. 27. Ver D&C 132:19–20.
  28. 28. Ver D&C 88:33.
  29. 29. D&C 132:7; grifo do autor.
  30. 30. Jesus ensinou esse conceito ao povo da antiga América (ver 3 Néfi 27:16–20). Ver também 2 Néfi 33:4; D&C 42:61; Joseph Smith Translation, I João 5:13 (não disponível em português).
  31. 31. Ver D&C 128:1–18; 137:7–8.
  32. 32. Ver Joseph Fielding Smith, Doutrinas de Salvação, compilado por Bruce R. McConkie, 3 vols., 1954–1956, vol. 2, p. 76.
  33. 33. Ver Alma 41:3; D&C 137:9.
  34. 34.  Church News, 5 de julho de 2008, p. 2.
  35. 35. Ver 2 Néfi 2:27; Jacó 6:8.
  36. 36. Satanás quer que sejamos tão miseráveis como ele é (ver Apocalipse 12:9; 2 Néfi 2:18; Moisés 4:6; D&C 10:22–27).
  37. 37. Ver Alma 5:12–14. Essa poderosa mudança inclui o arrependimento, o perdão e uma renovada determinação de “[vir] a Cristo, [e ser] aperfeiçoados nele” (Morôni 10:32).
  38. 38. “Cremos que os primeiros princípios e ordenanças do Evangelho são: primeiro, Fé no Senhor Jesus Cristo; segundo, Arrependimento; terceiro, Batismo por imersão para remissão de pecados; quarto, Imposição de mãos para o dom do Espírito Santo” (Regras de Fé 1:4). O arrependimento exige uma completa mudança para melhor — um aperfeiçoamento total.
  39. 39. Ver D&C 93:1.
  40. 40. Ver Morôni 10:32.
  41. 41. Ver D&C 93:13–14.
  42. 42. D&C 93:19; ver também D&C 66:2; 132:5–6.
  43. 43. Ver Bruce R. McConkie, Mormon Doctrine, 2ª ed., 1966, p. 118.

Élder Richard G. Scott, As bençãos eternas do casamento

Do

Richard G. Scott
O selamento no templo adquire maior significado à medida que a vida transcorre. Ele vai ajudá-los a achegarem-se cada vez mais um ao outro e a terem mais alegria e satisfação na mortalidade.

Acredito que a linda mensagem deste magnífico coro seja o padrão de vida de muitos de nós: “[tentar] ser como [Jesus]”.
Em 16 de julho de 1953, minha amada Jeanene e eu nos ajoelhamos como jovem casal, em um altar do Templo de Manti, Utah. O Presidente Lewis R. Anderson exerceu a autoridade de selamento e nos declarou marido e mulher, casados por esta vida e por toda a eternidade. Não consigo descrever a paz e a serenidade que advêm da certeza de que, se eu continuar a viver dignamente, poderei estar para sempre com minha amada Jeanene e nossos filhos, graças àquela ordenança sagrada realizada com a devida autoridade do sacerdócio, na casa do Senhor.
Nossos sete filhos são selados a nós pelas ordenanças sagradas do templo. Minha querida esposa, Jeanene, e dois de nossos filhos estão além do véu. Eles são uma forte motivação de vida para todos os membros de nossa família, a fim de que juntos recebamos todas as bênçãos eternas prometidas no templo.
Dois dos pilares fundamentais que sustentam o plano de felicidade do Pai Celestial são o casamento e a família. Sua nobre importância é ressaltada pelos esforços incansáveis de Satanás em dividir a família e minar o significado das ordenanças do templo, que unem a família para a eternidade. O selamento no templo adquire maior significado à medida que a vida transcorre. Ele vai ajudá-los a achegarem-se cada vez mais um ao outro e a terem mais alegria e satisfação na mortalidade.
Aprendi uma lição importante com minha esposa. Eu viajava muito devido a minha profissão. Eu estivera fora por quase duas semanas e voltei para casa em uma manhã de sábado. Tinha quatro horas antes de ter que sair para outra reunião. Percebi que a nossa pequena máquina de lavar havia quebrado e que minha esposa estava lavando a roupa à mão. Comecei a consertar a máquina.
Jeanene se aproximou e disse: “Rich, o que você está fazendo?”
Eu disse: “Eu estou consertando a máquina de lavar, assim você não precisará fazer isso manualmente”.
Ela disse: “Não. Vá brincar com as crianças”.
Respondi: “Posso brincar com as crianças a qualquer hora. Quero ajudar você”.
Ela então disse: “Richard, por favor, vá brincar com as crianças”.
Quando ela falou comigo com tanta autoridade, obedeci.
Passei um tempo maravilhoso com nossas crianças. Brincamos de pique e rolamos nas folhas caídas de outono. Depois, fui a minha reunião. Provavelmente eu teria esquecido aquela experiência, se não fosse pela lição que ela queria que eu aprendesse.
Na manhã seguinte, por volta das 4 horas da manhã, acordei quando senti dois bracinhos em volta do meu pescoço, um beijo na bochecha e estas palavras sussurradas em meu ouvido, que nunca vou esquecer: “Papai, amo você. Você é meu melhor amigo”.
Se você não está tendo esse tipo de experiência com sua família, está perdendo uma das alegrias mais sublimes da vida.
Se você é um jovem em idade adequada e não está casado, não perca tempo em atividades inúteis. Siga em frente na vida e concentre-se em se casar. Não fique à toa nesse período da vida. Rapazes, sirvam uma missão digna. Depois, faça com que sua mais alta prioridade seja encontrar uma digna companheira eterna. Quando achar que está desenvolvendo interesse por uma jovem, mostre-lhe que você é uma pessoa excepcional que ela acharia interessante conhecer melhor. Leve-a para lugares que valem a pena. Mostre uma certa criatividade. Se quer ter uma esposa maravilhosa, você tem de fazê-la ver em você um homem maravilhoso e um marido em perspectiva.
Se encontrou alguém, vocês podem ter um namoro e um casamento extraordinariamente maravilhosos, e serem muitíssimo felizes eternamente, se permanecerem dentro dos limites de dignidade que o Senhor estabeleceu.
Se for casado, você é fiel ao seu cônjuge tanto mental como fisicamente? Você é fiel a seus convênios matrimoniais, de modo a nunca iniciar uma conversa que você não gostaria que sua esposa ouvisse? Você é gentil e solidário com sua esposa e filhos?
Irmãos, vocês lideram as atividades familiares, tais como estudo de escrituras, oração familiar e noite familiar, ou deixam sua esposa preencher o vazio que sua falta de atenção deixa no lar? Vocês dizem frequentemente a sua esposa o quanto a amam? Isso trará a ela grande felicidade. Já ouvi homens me dizerem quando pergunto isso: “Oh, ela sabe”. Você precisa dizer a ela. Uma mulher cresce e é grandemente abençoada com tal afirmação. Expresse gratidão por aquilo que seu cônjuge faz para você. Expresse esse amor e gratidão com frequência. Isso vai tornar a vida bem mais preciosa, mais agradável e cheia de propósito. Não retenha essas expressões naturais do amor. E funciona muito melhor se você a abraçar quando disser isso a ela.
Aprendi com minha esposa a importância dessas expressões de amor. No início de nosso casamento, muitas vezes eu abria as escrituras para dar uma mensagem em uma reunião e encontrava um bilhete carinhoso de apoio que a Jeanene tinha deixado no meio das páginas. Às vezes eram tão carinhosos que eu mal conseguia falar. Aqueles preciosos bilhetes de uma esposa amorosa foram e continuam a ser um tesouro inestimável de consolo e inspiração.
Comecei a fazer a mesma coisa, não percebendo o quanto isso realmente significava para ela. Lembro-me de um ano em que não tínhamos recursos para eu lhe dar um presente do Dia dos Namorados, por isso decidi pintar uma aquarela na porta da geladeira. Fiz o melhor que pude, só que cometi um erro. Era tinta esmalte e não aquarela. Ela nunca me deixou tentar remover aquela tinta permanente da geladeira.
Lembro-me de um dia em que peguei alguns daqueles pequenos círculos de papel que se formam quando você fura um papel e escrevi neles os números de 1 a 100. No verso de cada um, escrevi uma mensagem para ela, uma palavra em cada círculo. Depois, juntei-os todos e coloquei-os em um envelope. Achei que seria algo engraçado.
Quando ela faleceu, descobri em meio a suas coisas pessoais o quanto ela apreciava as mensagens simples que compartilhávamos um com o outro. Notei que ela havia colado cuidadosamente cada um daqueles círculos em uma folha de papel. Ela não só havia guardado meus bilhetes para ela, mas os protegera em envelopes de plástico como se fossem um tesouro valioso. Há apenas um que ela não colocou com os outros. Ainda está por trás do vidro do nosso relógio de cozinha. Nele está escrito: “Jeanene, é hora de dizer que amo você”. Permanece lá e me lembra daquela filha especial do Pai Celestial.
Ao recordar nossa vida juntos, percebo o quanto temos sido abençoados. Não tínhamos desentendimentos em nossa casa nem palavras indelicadas entre nós. Agora compreendo que tal bênção nos adveio por causa dela. Resultou da sua disposição de doar, de partilhar e de nunca pensar em si mesma. Em nossa vida juntos, mais tarde, tentei imitar seu exemplo. Sugiro que, como marido e mulher, façam o mesmo em casa.
O puro amor é um poder incomparavelmente forte para fazer o bem. O amor exercido em retidão é o alicerce de um casamento bem-sucedido. É a principal razão de termos filhos contentes e bem criados. Quem pode medir adequadamente a influência justa do amor de uma mãe? Que frutos duradouros crescem das sementes de verdade que uma mãe planta com cuidado e cultiva com amor no solo fértil da mente e do coração de um filho que nela confia? Como mãe, foram-lhe dados instintos divinos para ajudar você a perceber os talentos especiais e a capacidade sem igual de seu filho. Com seu marido, você pode nutrir, fortalecer e fazer com que esse potencial floresça.
É muito gratificante estar casado. O casamento é maravilhoso. Com o tempo vocês começam a pensar da mesma forma e têm as mesmas ideias e impressões. Haverá momentos em que estarão extremamente felizes e haverá momentos de provação, mas o Senhor os guiará em todas essas experiências de crescimento conjunto.
Certa noite, nosso filhinho Richard, que tinha um problema cardíaco, acordou chorando. Nós dois ouvimos. Normalmente, minha esposa era quem sempre se levantava para cuidar do bebê chorando, mas daquela vez eu disse: “Eu vou cuidar dele”.
Por causa de seu problema, quando ele começava a chorar, seu coração batia muito rapidamente. Ele vomitava e sujava toda a roupa de cama. Naquela noite, eu o segurei bem perto de mim para tentar acalmar-lhe o coração acelerado e fazê-lo parar de chorar, enquanto trocava sua roupa e o lençol. Segurei-o até ele adormecer. Não sabia então que, apenas alguns meses mais tarde, ele viria a falecer. Sempre me lembrarei de quando o segurei em meus braços no meio da noite.
Lembro-me bem do dia em que ele morreu. Quando Jeanene e eu saímos do hospital, parei o carro junto à calçada. Abracei-a. Choramos um pouco, mas soubemos que poderíamos tê-lo além do véu, por causa dos convênios que fizéramos no templo. Isso fez com que sua morte fosse um pouco mais fácil de aceitar.
A bondade de Jeanene ensinou-me muitas coisas valiosas. Eu era tão imaturo, e ela era tão disciplinada e tão espiritual. O casamento oferece o ambiente ideal para superarmos qualquer tendência que tenhamos de ser egoístas ou egocêntricos. Acho que uma das razões de sermos aconselhados a casar cedo na vida é para evitar o desenvolvimento de traços de caráter impróprios que sejam difíceis de mudar.
Sinto pena de todo homem que ainda não tomou a decisão de buscar uma companheira eterna e dói-me o coração de pensar nas irmãs que não tiveram a oportunidade de se casar. Algumas de vocês podem sentir-se solitárias e pouco valorizadas e talvez não consigam ver como lhes será possível terem as bênçãos do casamento e de filhos, ou sua própria família. Tudo é possível para o Senhor, e Ele cumpre as promessas que inspira Seus profetas a declarar. A eternidade é um longo tempo. Tenham fé nessas promessas e vivam de modo a serem dignas delas, para que a Seu tempo o Senhor as possa tornar realidade em sua vida. Com certeza, vocês receberão todas as bênçãos prometidas das quais forem dignas.
Por favor, perdoem-me por falar de minha preciosa esposa, Jeanene, mas somos uma família eterna. Ela estava sempre alegre e feliz, e muito disso resultava do serviço que prestava às pessoas. Mesmo quando estava bem enferma, em sua oração da manhã, ela pedia ao Pai Celestial que a conduzisse a alguém a quem ela pudesse ajudar. Aquela súplica sincera teve resposta muitas e muitas vezes. Os fardos de muitos foram aliviados. Muitos sentiram mais luz na vida. Ela teve continuamente a bênção de ser um instrumento guiado pelo Senhor.
Sei o que é amar uma filha do Pai Celestial que, com graça e devoção, viveu o pleno esplendor de sua digna feminilidade. Estou confiante de que quando, em nosso futuro, eu a encontrar de novo além do véu, vamos reconhecer que nosso amor se tornou ainda mais profundo. Vamos ter ainda mais afeto um pelo outro, depois de passar esse tempo separados pelo véu. Em nome de Jesus Cristo. Amém.