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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Onde estão os pais que deveriam presidir seu lar com amor?


"Creio que nossos problemas, quase todos, têm sua origem no lar. Se é preciso haver uma reforma, se uma mudança se faz necessária, se é preciso voltar aos antigos e sagrados valores do passado, tudo isso precisa começar pelo lar. É ali que se aprende a verdade, que a integridade é cultivada, que a autodisciplina é instilada e que o amor é nutrido.
O lar está sob ataque. Há um número imenso de famílias desfeitas. Onde estão os pais que deveriam presidir seu lar com amor? É realmente afortunada a mulher que se casou com um bom homem, que a ama e é também por ela amado. Um homem que ama seus filhos, que lhes provê o sustento, que os ensina, que os guia, que os cria e protege enquanto caminham pela tempestuosa senda que conduz da infância para a vida adulta. " (Gordon B. Hinckley, Conferencia geral, out, 1998)

Andar na Luz do Senhor

Gordon B. Hinckley


Gordon B. Hinckley
Minha mensagem para vocês, meu desafio para vocês, minha oração é que se redediquem ao fortalecimento do lar.
Minhas queridas irmãs, gostaria de expressar-lhes no início de meu discurso o quanto sou grato pelas mulheres desta Igreja. Vocês são uma parte essencial da Igreja, uma parte extremamente importante. Ela não funcionaria adequadamente sem vocês.
Vocês dão-nos inspiração. Garantem o equilíbrio. São uma imensa fonte de fé e boas obras. Vocês são uma âncora de devoção, lealdade e realização. Ninguém pode negar o enorme papel que desempenham no progresso deste trabalho em toda a Terra. Vocês ensinam nas organizações e fazem isso extremamente bem. Sua preparação é um exemplo para todos nós. Cada uma de vocês faz parte da enorme organização que é a Sociedade de Socorro, uma grande família de irmãs com mais de quatro milhões de integrantes. Nesse imenso número de mulheres espalhadas por todo o mundo há um poder para realizar uma quantidade incalculável de coisas boas.
Vocês são as guardiãs do lar. Dão incentivo a seus respectivos maridos. Ensinam e criam seus filhos na fé. Para algumas de vocês a vida é muito difícil e até mesmo dolorosa. Mas vocês reclamam pouco e realizam muito. Que enorme dívida temos para com vocês!
Falando à Sociedade de Socorro, o Presidente Joseph F. Smith disse, certa vez:
“Esta organização foi divinamente criada, autorizada, instituída e ordenada por Deus para ministrar em favor da alma de mulheres e homens. Por conseguinte, não existe nenhuma organização que se compare a ela, ( . . . ) que esteja à sua altura ou possa ocupar a mesma posição que ela ocupa. ( . . . )
Façam com que [a Sociedade de Socorro] seja a primeira, a mais importante, a mais elevada, a melhor e a mais profunda de todas as organizações existentes no mundo. Vocês foram chamadas pela voz de um Profeta de Deus para realizar essas coisas, para serem as primeiras, as maiores, as melhores, as mais puras e as mais devotadas à causa da retidão.” (Atas da Junta Geral da Sociedade de Socorro, 17 de março de 1914, Arquivos do Departamento Histórico, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, pp. 54–56.)
Que grande desafio! Cada vez que uma de nossas filhas ou netas se casa, minha mulher lhe dá um presente muito especial. Não se trata de aspirador de pó, lavadora de pratos ou qualquer aparelho de utilidade doméstica. É um gráfico da história da família contendo sete gerações de sua linha materna, em uma moldura muito bonita. Nesse gráfico estão as fotografias de sua trisavó materna, de sua bisavó materna, de sua avó, de sua mãe, dela própria, de sua filha e de sua neta recém-casada.
Toda mulher das sete gerações daquele quadro trabalhou na Sociedade de Socorro. Esse lindo gráfico de história da família torna-se um lembrete sempre presente para as jovens desta geração da grande responsabilidade e da grande obrigação que têm de levar adiante esta obra seguindo a tradição de sua mãe e avós a serviço da organização da Sociedade de Socorro.
Vocês andam na luz do Senhor, da mesma forma que suas antepassadas. Desde o início, sua maior responsabilidade tem sido cuidar para que ninguém passe fome, ninguém fique sem ter o que vestir, ninguém fique sem teto. Tem sido sua responsabilidade visitar suas irmãs, onde quer que elas estejam, para dar-lhes a palavra de incentivo de que precisam e expressar-lhes amor, preocupação e interesse. Vocês têm tido a oportunidade de romper as cortinas de escuridão que obscurecem a visão de todas as que não tiveram a chance de estudar, levando para a vida delas a luz do entendimento, ao ensinar-lhes a ler e a escrever.
Vocês têm tido a oportunidade de reunirem-se, na qualidade de irmãs que se amam, honram e respeitam mutuamente, de modo a proporcionar as bênçãos de um agradável convívio social a dezenas de milhares que, como vocês, de outro modo teriam uma vida extremamente solitária e desolada.
Tirei um livro de minha estante há alguns dias. Li novamente a biografia de Mary Fielding Smith, mulher de Hyrum Smith, cunhada de Joseph Smith, mãe e avó de dois presidentes da Igreja. Tendo nascido na Inglaterra e depois se mudado para o Canadá, ela converteu-se à Igreja e foi para Kirtland com quase 40 anos de idade. Ali conheceu Hyrum Smith e casou-se com ele, que tinha seis filhos da primeira esposa que havia falecido.
Mary o amou e deu novo significado à vida dele. Iniciou assim uma nova vida, cheia de felicidade. Mas pouco tempo depois, teve que passar por sofrimentos imensuráveis, tendo que assumir uma responsabilidade assustadora e aterrorizadora, que a obrigou a cruzar o estado de Iowa, de Nauvoo até Winter Quarters, e depois, em 1848, seguir a longa trilha que conduzia até o vale do Lago Salgado. Aos cinqüenta e um anos de idade, exausta e cansada de tanto lutar. Faleceu no dia 21 de setembro de 1852.
Sua vida foi o grande exemplo da mulher da Sociedade de Socorro daquela época. De fato, algumas de suas experiências passaram-se antes da organização da sociedade, que ocorreu em 1842.
O filho de Mary, Joseph, nasceu quando o marido dela foi levado pela milícia local, que na época aterrorizava Far West. Hyrum e o Profeta Joseph foram levados para Liberty, Missouri, onde foram colocados na prisão. Sob a ameaça da ordem de extermínio promulgada pelo governador Lilburn W. Boggs, ela partiu de Missouri com os filhos adotivos que tomara sob sua responsabilidade, bem como seu próprio filho. Sua irmã Mercy colocou Mary, que ⌦estava gravemente enferma, sobre um colchão estendido na traseira de um carroção, com o filho recém- nascido deitado a seu lado.
Em fevereiro de 1839, quando ainda era inverno, viajaram para o leste, atravessando o estado e depois cruzando o rio Mississipi até chegarem a Quincy, Illinois, num carroção sacolejante sem molas, no qual cada solavanco era muito doloroso para Mary.
Quando seu marido e o Profeta escaparam da cadeia de Liberty e foram para Quincy, a vida voltou a melhorar. Os santos mudaram-se para o lugar em que seria construída Nauvoo e estabeleceram sua bela cidade às margens do rio Mississipi. Contudo, não tiveram paz por muito tempo. Seu filhinho estava com menos de seis anos de idade quando alguém bateu em sua janela à noite e disse: “Irmã Smith, mataram seu marido!”
Joseph F. nunca se esqueceu do dia em que sua mãe passou a noite toda chorando.
Todo o seu mundo havia sido destruído. Ela estava sozinha, com uma grande família para cuidar. No verão de 1846, despediram-se de sua casa confortável e cruzaram o Mississipi em uma barca chata. Assumindo a responsabilidade de cuidar de si mesma e da família, ela conseguiu negociar, trocar e comprar algumas parelhas de bois e carroções.
Enquanto moravam em Winter Quarters, ela e o irmão desceram o rio Missouri para comprar provisões e roupas. Eles tinham dois carroções, cada um deles com uma parelha de bois. Depois de acamparem durante a noite, descobriram pela manhã que seus dois melhores bois tinham sumido. O jovem Joseph e o tio passaram a manhã inteira procurando os animais perdidos. Não encontraram nada. Desconsolados, voltaram para contar à mãe. A situação em que estavam era terrivelmente desesperadora. Quando chegaram, Joseph viu a mãe de joelhos, orando fervorosamente e contando seu problema ao Senhor. Quando ela se ergueu, tinha um sorriso no rosto. Ela disse ao filho e ao irmão que comessem o desjejum, enquanto ela iria dar uma olhada nas proximidades. Seguindo um pequeno curso d’água, sem dar atenção ao que um homem que passava lhe disse, ela foi diretamente para a margem do rio.
Parando ali, chamou o filho e o irmão. Ela apontou para os bois, que estavam amarrados a alguns salgueiros que cresciam no sopé de uma ravina profunda. O ladrão, que havia tentado desviá-la daquele lugar, tinha perdido sua presa, e eles estavam salvos.
A fé que Mary possuía ficou profundamente marcada no coração de seu filho pequeno. Ele nunca se esqueceu dessa fé. Ele nunca duvidou de que o Senhor estivesse bem próximo da mãe.
Todas devem conhecer a experiência por que ela passou com um de seus bois, que, cansado e exausto, se deitou para morrer quando estavam a caminho destes vales no oeste. Num misto de desespero profundo e fé simples, ela apanhou o óleo consagrado e pediu ao irmão e a um conhecido que abençoassem o boi. Eles o fizeram. O animal ergueu-se com renovada força e carregou-os até o final de sua longa jornada.
Essa fé gentil, simples e bela foi uma característica da vida dessa mulher. Ela andou na luz do Senhor. Ela viveu essa luz. Foi por ela guiada em tudo o que fez. Essa foi a sua estrela guia na vida. Mary foi um exemplo dessa imensa fé com que hoje as mulheres desta Igreja, as mulheres da Sociedade de Socorro, em milhares de frentes de trabalho, levam adiante a mui dedicada obra dessa notável organização.
Mas vocês, irmãs, têm hoje um desafio a mais para enfrentar. Em nenhuma época, ao menos em nossa geração, as forças do mal estiveram tão inflamadas, descaradas e agressivas como agora. Certas coisas que sequer tínhamos coragem de mencionar estão agora sendo constantemente exibidas na sala de nossa casa. Toda a sensibilidade é deixada de lado quando os repórteres e críticos se expressam com aviltante clareza a respeito de coisas que simplesmente atiçam a curiosidade e conduzem ao mal.
Algumas pessoas que víamos como líderes acabaram por trair-nos. Ficamos desapontados e desiludidos. Mas a atividade dessas pessoas é apenas a ponta do iceberg. Em sucessivas camadas abaixo dessa ⌦ponta está uma imensa massa de sujeira e imundície, desonestidade e devassidão.
Há uma razão para isso, muito simples de definir. Creio que nossos problemas, quase todos, têm sua origem no lar. Se é preciso haver uma reforma, se uma mudança se faz necessária, se é preciso voltar aos antigos e sagrados valores do passado, tudo isso precisa começar pelo lar. É ali que se aprende a verdade, que a integridade é cultivada, que a autodisciplina é instilada e que o amor é nutrido.
O lar está sob ataque. Há um número imenso de famílias desfeitas. Onde estão os pais que deveriam presidir seu lar com amor? É realmente afortunada a mulher que se casou com um bom homem, que a ama e é também por ela amado. Um homem que ama seus filhos, que lhes provê o sustento, que os ensina, que os guia, que os cria e protege enquanto caminham pela tempestuosa senda que conduz da infância para a vida adulta.
É no lar que aprendemos os valores que guiam nossa vida. Esse lar pode ser extremamente humilde. Pode estar localizado em um bairro pobre, mas se nele houver um pai e uma mãe bondosos, ele se torna um lugar de crescimento maravilhoso. Minha mulher gosta de citar Sam Levenson. Ele conta como foi criado em um cortiço repleto de moradores, em Nova York, onde o ambiente era muito ruim. Nesse cortiço, a mãe criou seis filhos muito precoces. Ele disse: “O padrão moral de nosso lar era mais elevado que o da rua”. Quando eles agiam da maneira como faziam na rua, a mãe lhes dizia: “Vocês não estão na rua; estão em casa. Não estamos em um bar ou num salão de sinuca. Aqui vocês têm que se comportar como seres humanos”.
Se existe alguém que pode mudar a situação desoladora para a qual ⌦estamos gradualmente nos encaminhando, são vocês. Ergam-se, ó mulheres de Sião, e enfrentem o grande desafio que está diante de vocês.
Ergam-se acima da sujeira, da imundície e das tentações que estão à sua volta.
Para vocês, mulheres solteiras, e algumas de vocês, casadas, que trabalham fora quero deixar algumas palavras de cautela. Vocês trabalham ao lado de homens. Cada vez mais, surgirão convites para almoçar juntos, supostamente para falar de negócios. Vocês terão que viajar juntos e hospedar-se no mesmo hotel. Vocês trabalham juntos.
Talvez não possam evitar parte disso, mas podem esquivar-se de situações comprometedoras. Façam seu trabalho, mas mantenham-se à distância. Não se tornem o motivo pelo qual o lar de outra mulher venha a ser destruído. Vocês são membros d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Sabem o que se espera de vocês. Afastem-se da tentação. Fujam até da aparência do mal.
Vocês, esposas e mães, são a âncora da família. Vocês geram filhos. Que imensa e sagrada responsabilidade! Foi-me dito que entre 1972 e 1990 ocorreram 27 milhões de abortos só nos Estados Unidos. O que está acontecendo com nosso apreço pela santidade da vida humana? O aborto é um mal evidente, real e repugnante que está varrendo a Terra. Rogo às mulheres desta Igreja que se esquivem dele, que se ergam acima dele, que se afastem de situações comprometedoras que o façam parecer desejável. Existem algumas poucas situações em que ele pode ocorrer, mas são extremamente limitadas e, na maior parte das vezes, improváveis. Vocês são mães de filhos e filhas de Deus, cujas vidas são sagradas. Proteger essas vidas é uma responsabilidade dada por Deus que não pode ser negligentemente posta de lado.
Nutram e cultivem seu casamento. Protejam-no e esforcem-se para mantê-lo sólido e belo. O divórcio está-se tornando tão comum, ou mesmo desenfreado, a ponto de os estudos mostrarem que, em poucos anos, metade das pessoas atualmente casadas estarão divorciadas. Lamento dizer que isso está acontecendo até entre alguns dos que foram selados na casa do Senhor. O casamento é um contrato, um pacto, uma união entre o homem e a mulher no plano do Todo-Poderoso. Ele pode ser frágil. Precisa de cuidado e muito esforço. Entristece-me saber que alguns maridos maltratam a mulher, são rudes, insensíveis ou mesmo iníquos. Esses maridos permitem que a pornografia entre em sua vida, provocando situações que destroem sua vida, sua família e o mais sagrado de todos os relacionamentos.
Sinto pena do homem que certa vez olhou para uma bela jovem e conduziu-a pela mão até o altar da Casa do Senhor, onde fizeram promessas eternas e sagradas um ao outro, mas que por falta de autodisciplina, deixou de cultivar a melhor parte de sua natureza, afundou na grosseria e no pecado, e destruiu o relacionamento que lhe foi concedido por Deus.
Irmãs, protejam seus filhos. Eles vivem em um mundo cheio de males. Essas forças estão em toda parte. Tenho orgulho de muitos de seus filhos e filhas que estão vivendo em retidão. Mas sinto-me profundamente preocupado com muitos ⌦outros que gradualmente estão passando a seguir os caminhos do mundo. Nada é mais precioso para vocês, mães, absolutamente nada. Seus filhos são a coisa mais valiosa que terão nesta vida ou em toda a eternidade. Vocês serão realmente afortunadas se, quando ficarem mais idosas e olharem para aqueles que trouxeram ao mundo, souberem que são retos, virtuosos e íntegros.
Creio que a criação e a educação dos filhos é mais do que um serviço de meio-período. Reconheço que algumas mulheres precisem trabalhar, mas temo que haja muitas que o fazem apenas para adquirir alguns luxos a mais ou alguns brinquedos mais sofisticados.
Se precisarem trabalhar, terão uma carga a mais nos ombros. Não podem permitir que seus filhos sejam negligenciados. Eles precisam de sua supervisão nos estudos, no trabalho dentro e fora de casa e na educação que somente vocês podem lhes dar e necessitam do amor, das bênçãos, do incentivo e da presença da mãe.
As famílias estão sendo divididas em todos os lugares. O relacionamento familiar fica prejudicado quando a mulher tenta acompanhar os rigores de seu trabalho de tempo integral.
Tive muitas oportunidades de conversar com líderes que desaprovam o que está acontecendo: As quadrilhas de rua de nossas cidades, em que crianças matam crianças, passando a vida praticando coisas que somente as conduzirão para a prisão ou para a morte. Vemos uma enorme multidão de crianças nascendo de mães que não têm marido. O futuro dessas crianças, quase inevitavelmente, fica marcado desde o dia em que nascem. Todo lar precisa de um bom pai e uma boa mãe.
Não temos tido condições de construir prisões neste país tão rapidamente quanto tem aumentado a necessidade delas.
Não hesito em dizer que vocês, mães, podem fazer mais do que qualquer outro grupo de pessoas para mudar essa situação. Todos esses problemas têm suas origens no lar. São os lares desfeitos que provocam a dissolução da sociedade.
Hoje, portanto, minhas amadas irmãs, minha mensagem para vocês, meu desafio para vocês, minha oração é que se redediquem ao fortalecimento do lar.
Há três anos, nesta mesma reunião, li pela primeira vez em público a proclamação referente à família, feita pela Primeira Presidência e o Conselho dos Doze Apóstolos. Espero que cada uma de vocês tenha uma cópia e a leia cuidadosa e fervorosamente de tempo em tempo. Ela explica os nossos grandiosos conceitos do casamento e da família, em relação ao homem e à mulher unidos em um laço sagrado de acordo com o plano eterno do Todo-Poderoso.
Para terminar, gostaria de expressar novamente minha profunda gratidão e apreço pelas mulheres desta Igreja e pelos magníficos filhos e filhas a quem estão ensinando, educando e ajudando a assumir o devido lugar no mundo. Mas a tarefa nunca estará terminada. Ela nunca acaba. Que a luz do Senhor brilhe sobre vocês. Que o Senhor as abençoe em seu grandioso e sagrado trabalho.
Deixo com vocês minha bênção, meu testemunho e meu amor, em nome de Jesus Cristo. Amém. 9

Ponha em Ordem Sua Casa” , Élder Russell M. Nelson


Russell M. Nelson
“Nossa família é o objetivo de nossa maior obra e alegria nesta vida; assim será ela por toda a eternidade.”

Há alguns anos, quando várias de nossas filhas ainda eram adolescentes, a irmã Nelson e eu viajamos de férias com a família, bem longe de telefones e namorados. Planejamos uma viagem em um bote inflável pelo Rio Colorado, atravessando o Grand Canyon. Ao começarmos o passeio, não tínhamos idéia de como ele poderia ser perigoso.
O primeiro dia foi lindo. Mas no segundo, quando nos aproximamos das corredeiras do Horn Creek e vimos a descida extremamente íngreme à frente, fiquei apavorado. Navegando em um bote de borracha, nossa preciosa família estava se aproximando de uma cascata. Coloquei, instintivamente, um braço em volta de minha mulher e o outro abraçando minha filha mais nova. Para protegê-las, tentei apertá-las contra mim. Mas, ao chegarmos ao precipício, o barco dobrou-se e atirou-me ao ar, como se fosse um enorme estilingue. Caí nas corredeiras agitadas do rio. Foi bem difícil voltar à tona. Cada vez que eu tentava tomar ar, batia com a cabeça na parte de baixo do bote. Minha família não conseguia me ver, mas eu podia ouvi-los gritando: “Pai! Onde está o papai?”
Finalmente achei a lateral do bote e voltei à superfície. A família puxou meu corpo semi afogado para fora da água. Ficamos gratos por estarmos em segurança juntos.
Os dias que se seguiram foram agradáveis e deliciosos. Chegou então o último, quando deveríamos atravessar uma cachoeira denominada Lava Falls, conhecida como o declive mais perigoso da viagem. Quando percebi o que vinha pela frente, imediatamente pedi que puxassem o bote para a margem, para realizarmos uma reunião de emergência do conselho de família. Sabia que se quiséssemos sobreviver àquela experiência, precisaríamos planejar tudo cuidadosamente. Argumentei com a família: “Aconteça o que acontecer, o bote de borracha ficará flutuando. Se nos segurarmos com toda a força às cordas amarradas no bote, conseguiremos. Mesmo que ele vire, ficaremos bem se nos segurarmos firmemente às cordas”.
Voltei-me para minha filhinha de sete anos e disse-lhe: “Todos os outros vão agarrar-se firmemente a uma corda. Mas você terá que abraçar o papai. Sente-se atrás de mim e coloque seus braços ao meu redor e segure-se bem apertado, enquanto me agarro à corda”.
E assim fizemos. Atravessamos aquelas corredeiras íngremes e agitadas — agarrando-nos à vida — e todos conseguimos fazê-lo em segurança. 1

A lição

Irmãos e irmãs, quase perdi a vida aprendendo uma lição que agora lhes transmito. Ao passarmos pela vida, quando estamos em águas agitadas, o impulso instintivo de um pai de agarrar-se firmemente à mulher ou aos filhos pode não ser a melhor maneira de alcançar seu objetivo. Em vez disso, se ele se agarrar ternamente ao Salvador e à barra de ferro do evangelho, sua família desejará agarrar-se a ele e ao Salvador.
Certamente esta lição não está limitada aos pais. A despeito do sexo, estado civil ou idade, as pessoas podem optar por ligar-se diretamente ao Salvador, agarrar-se à barra de Sua verdade e conduzir-se por meio da luz dessa verdade. Ao fazê-lo, tornam-se exemplos de justiça a quem os outros desejarão seguir de perto.

O mandamento

Para o Senhor, as famílias são indispensáveis. Ele criou a Terra para que pudéssemos ter um corpo físico e formássemos famílias. 2 Estabeleceu Sua Igreja para exaltar as famílias. Ele provê templos a fim de que as famílias possam ser unidas para sempre. 3
É claro que Ele deseja que os pais presidam, sustentem e protejam a família. 4 Mas o Mestre pediu muito mais. Gravado nas escrituras sagradas está um mandamento de pôr “em ordem sua casa”. 5 Uma vez que nós, como pais, compreendemos o significado e a importância dessa ordem, precisamos aprender a cumpri-la.

Como pôr sua casa em ordem

Para pormos nossa casa em uma ordem agradável ao Senhor, precisamos fazê-lo a Seu modo. Devemos empregar Seus atributos de “justiça, piedade, fé, amor, paciência e mansidão”. 6 Cada pai deve lembrar-se de que “nenhum poder ou influência pode ou deve ser mantido em virtude do sacerdócio, a não ser com persuasão, com longanimidade, com brandura e mansidão e com amor não fingido”. 7
Os pais devem ser exemplos vivos de “bondade e conhecimento puro, que grandemente expandirão a alma”. 8 Todas as mães e pais devem deixar de lado interesses egoístas e evitar qualquer pensamento de hipocrisia, força física ou murmurações. 9 Os pais aprendem logo que cada filho tem um anseio inato de ser livre. Cada pessoa deseja determinar seu próprio caminho. Ninguém quer ser reprimido, mesmo que seja por um pai ou mãe bem-intencionados. Mas todos nós podemos apegar-nos ao Senhor.
Séculos atrás, Jó ensinou esse conceito, quando disse: “À minha justiça me apegarei e não a largarei (…)”. 10 Néfi também ensinou que: “(…) todos os que dessem ouvidos à palavra de Deus e a ela se apegassem; jamais pereceriam”. 11
Essas doutrinas são eternas como o evangelho e infinitas como a eternidade. Ponderem sobre essas admoestações das escrituras:
Lemos nos Provérbios, do Velho Testamento: “Apega-te à instrução e não a largues; guarda-a, porque ela é a tua vida”. 12
Do Novo Testamento: “(…) irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas”. 13
Do Livro de Mórmon, aprendemos a respeito de multidões que “avançavam continuamente agarradas à barra de ferro”, 14 assemelhando-a “à palavra de Deus”. 15 Alicerçada sobre a verdade, aquela barra de ferro não se altera e é imutável.

Outras ordens divinas

Não somente os pais devem agarrar-se à palavra do Senhor, mas têm uma ordem divina para ensiná-la aos filhos. As orientações das escrituras são bem claras: “(…) Se em Sião (…) houver pais que, tendo filhos não os ensinarem a compreender a doutrina do arrependimento, da fé em Cristo, o Filho do Deus vivo, e do batismo e do Dom do Espírito Santo pela imposição das mãos, quando tiverem oito anos, sobre a cabeça dos pais seja o pecado”. 16
Esse mandamento coloca a incumbência e responsabilidade pelo ensino dos filhos como uma obrigação explícita dos pais. A proclamação ao mundo relativa à família adverte que as pessoas “que deixam de cumprir suas responsabilidades familiares, deverão um dia responder perante Deus”. 17 Reafirmo hoje, solenemente, essa realidade.
Para cumprir com esses deveres, precisamos tanto da Igreja como da família. Elas trabalham de mãos dadas para fortalecer uma à outra. A Igreja existe para exaltar a família. E a família é a unidade fundamental da Igreja.
Esses inter-relacionamentos são evidentes quando estudamos o início da história da Igreja. Em 1833, o Senhor repreendeu os jovens líderes de Sua Igreja devido a suas deficiências como pais. O Senhor disse: “(…) ordenei que criásseis vossos filhos em luz e verdade.
Mas, em verdade (…) digo-te (…).
Não ensinaste luz e verdade a teus filhos, segundo os mandamentos (…).
E agora te dou um mandamento (…) terás que pôr em ordem tua própria casa. 17 (…) primeiro, ponha em ordem sua casa”. 18
Essa revelação representa uma das muitas poderosas confirmações da integridade do Profeta Joseph Smith. Ele não tirou da escritura as palavras de dura repreensão, muito embora algumas delas fossem dirigidas a ele mesmo. 19
Em nossos dias, a Primeira Presidência mais uma vez salientou o papel primordial dos pais. Cito, de sua recente carta aos santos: “Exortamos os pais a empenharem-se ao máximo para criarem seus filhos em princípios do evangelho que os mantenham próximos da Igreja. O lar é o alicerce de uma vida reta e nenhum outro recurso pode tomar o seu lugar ou desempenhar suas funções indispensáveis de cumprir esta responsabilidade designada por Deus”. 20

O que os pais devem ensinar?

Tendo em mente esse encargo sagrado, ponderemos o que devemos ensinar. As escrituras orientam os pais a ensinarem a fé em Jesus Cristo, o arrependimento, o batismo e o dom do Espírito Santo. 21 Os pais devem ensinar o plano de salvação 22 e a importância de viver em total harmonia com os mandamentos de Deus. 23 De outra forma, seus filhos indubitavelmente sofrerão por ignorarem a lei redentora e libertadora de Deus. 24 Os pais também devem ensinar por meio do exemplo como consagrar a vida — usando seu tempo, talentos e meios 25 para estabelecer a Igreja e reino de Deus na Terra. 26 Viver dessa forma abençoará literalmente sua posteridade. Uma escritura declara: “Teu dever será para com a igreja eternamente; e isto por causa de tua família”. 27

A oposição à família

Os pais e os filhos devem compreender que sempre haverá uma forte oposição à obra e à vontade do Senhor. 28 Porque a obra (e glória) de Deus é levar a efeito nossa imortalidade e vida eterna como família. 29 Conclui-se, logicamente, que a obra do adversário atacará diretamente o centro do lar — a família. Satanás ataca de modo incansável a santidade da vida e a alegria da paternidade.
Visto que o maligno está permanentemente trabalhando, nossa atenção não pode arrefecer — nem mesmo por um momento. Um pequeno convite, aparentemente inocente, pode transformar-se em uma grande tentação que nos levará a um trágico pecado. Noite e dia, em casa ou fora, precisamos evitar o pecado e “[reter] o bem”. 30
Os males sediciosos da pornografia, do aborto e do vício pernicioso em substâncias prejudiciais servem como cupins que minam as forças morais de um lar feliz e de uma família fiel. Não podemos entregar-nos a nenhuma iniqüidade sem colocarmos em risco nossa família.
Satanás deseja que sejamos tão miseráveis quanto ele. 31 Ele quer incitar nossos apetites carnais, seduzir-nos para viver em escuridão espiritual e duvidar da realidade da vida após a morte. O Apóstolo Paulo observou: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”. 32

Perpetuação das bênçãos familiares

No entanto, a compreensão do grande plano de felicidade de Deus fortifica nossa fé no futuro. Seu plano traz respostas a perguntas que atravessam os tempos: Nossa afinidade e amor mútuo serão apenas temporários — que se perdem na morte? Não! A vida familiar pode permanecer além desse período de provação mortal? Sim! Deus revelou a natureza eterna do casamento celestial e a família como a fonte de nossa maior alegria.
Irmãos e irmãs, os bens materiais e as honrarias do mundo não duram. Só nossa união como marido, mulher e família. A única duração da vida familiar que satisfaz aos anseios mais elevados da alma humana é a eterna. Nenhum sacrifício é grande demais para se conseguir as bênçãos de um casamento eterno. Para qualificar-se, a pessoa precisa apenas abster-se da iniqüidade e respeitar as ordenanças do templo. Ao fazer e guardar convênios sagrados do templo, podemos evidenciar nosso amor a Deus, a nosso cônjuge e um interesse verdadeiro por nossa posteridade — até mesmo aos que ainda não nasceram. Nossa família é o objetivo de nossa maior obra e alegria nesta vida; assim será ela por toda a eternidade, quando poderemos herdar “tronos, reinos, principados e poderes, domínios (…) exaltação e glória”. 33
Essas bênçãos inestimáveis poderão ser nossas se pusermos nossa casa em ordem agora e nos apegarmos fielmente ao evangelho. Deus vive. Jesus é o Cristo. Esta é Sua Igreja. O Presidente Gordon B. Hinckley é Seu profeta. Disto eu testifico no nome sagrado de Jesus Cristo. Amém.

Ensinar a Doutrina da Família

Extraído de um discurso proferido numa transmissão via satélite para professores do seminário e instituto em 4 de agosto de 2009.

Julie B. Beck
Esta geração precisará defender a doutrina da família como nunca antes. Se essa geração não conhecer a doutrina, não poderá defendê-la.
Ao entrar em contato com jovens adultos solteiros de todo o mundo, pergunto-lhes: “Por que a Primeira Presidência se preocupa tanto com vocês e lhes destina tantos recursos?” Eis algumas respostas que ouço: “Somos os futuros líderes da Igreja”. “Precisamos de treinamento para ficarmos firmes.” “Nosso testemunho se fortalece nas aulas do seminário e instituto.” “Precisamos conhecer outros jovens fiéis da Igreja.” “Somos a esperança do futuro.” Raras vezes escuto algo do tipo: “Para que um dia eu venha a me tornar um pai ou uma mãe melhor”. As respostas costumam girar em torno deles mesmos, algo típico da fase da vida em que estão.
Contudo, os pais, professores e líderes dos jovens precisam ensinar a doutrina da família para a nova geração. É algo essencial para ajudá-los a alcançar a vida eterna (ver Moisés 1:39). Eles precisam saber que a teologia da família se baseia na Criação, na Queda e na Expiação. Têm de compreender as ameaças que pairam sobre a família a fim de saberem o que estão combatendo e poderem se preparar. Precisam entender com clareza que a plenitude do evangelho culmina nas ordenanças e nos convênios do templo.

A Teologia da Família

Na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, temos uma teologia da família que se baseia na Criação, na Queda e na Expiação. A Criação da Terra proporcionou um local para as famílias morarem. Deus criou um homem e uma mulher que eram as duas metades essenciais de uma família. Estava previsto no plano do Pai Celestial que Adão e Eva fossem selados e constituíssem uma família eterna.
A Queda permitiu que a família crescesse. Adão e Eva eram chefes de família que decidiram ter uma experiência mortal. A Queda lhes permitiu ter filhos.
A Expiação permite que a família seja selada para a eternidade. Dá-lhe a oportunidade de ter crescimento e perfeição eternos. O plano de felicidade, também chamado de plano de salvação, foi um plano criado para as famílias. A nova geração precisa entender que os principais pilares de nossa teologia se concentram na família.
Quando falamos sobre ser dignos das bênçãos da vida eterna, referimo-nos a ser dignos das bênçãos de uma família eterna. Essa era a doutrina de Cristo e foi restaurada por meio do Profeta Joseph Smith. Está registrada em Doutrina e Convênios 2:1–3:
“Eis que vos revelarei o Sacerdócio pela mão de Elias, o profeta, antes da vinda do grande e terrível dia do Senhor.
E ele plantará no coração dos filhos as promessas feitas aos pais e o coração dos filhos voltar-se-á para seus pais.
Se assim não fosse, toda a Terra seria completamente destruída na sua vinda.”
Essa passagem trata das bênçãos do templo — ordenanças e convênios sem os quais “toda a Terra seria completamente destruída”.
“A Família: Proclamação ao Mundo” foi escrita para ressaltar que a família é essencial para o plano do Criador. 1 Sem a família, não há plano; não há propósito para a vida mortal.

Ameaças à Família

Além de compreendermos a teologia da família, precisamos todos entender as ameaças à família. Caso contrário, não poderemos nos preparar para a batalha. Há evidências por toda parte de que a família está perdendo a importância. O número de casamentos está diminuindo, a idade de casamento está aumentando e as taxas de divórcio estão crescendo. O número de nascimentos fora do casamento está aumentando. O aborto está-se tornando mais frequente e sendo cada vez mais legalizado. Vemos índices de natalidade mais baixos. Vemos relacionamentos desiguais entre homens e mulheres, e há culturas que ainda perpetram maus-tratos no círculo familiar. Muitas vezes a carreira profissional tem precedência sobre a família.
Muitos de nossos jovens estão perdendo a confiança na instituição da família. Estão dando cada vez mais valor aos estudos e menos importância à formação de uma família eterna. Muitos não encaram o empenho para constituir família como algo decorrente da fé. Para eles, é um mero processo seletivo, como fazer compras. Muitos também perdem a confiança em sua própria força e na de seus semelhantes. Como as tentações são avassaladoras, muitos não têm certeza de que vão conseguir guardar os convênios.
Inúmeros jovens também não desenvolveram a contento sua capacidade de se relacionarem socialmente, o que constitui obstáculo para a formação de uma família eterna. Estão cada vez mais propensos a manter contato com alguém a dezenas de quilômetros de distância e menos aptos a conversar com pessoas que estão no mesmo recinto. Isso dificulta a criação de vínculos sociais.
Também temos o problema descrito no livro de Efésios 6:12: “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”. Todos os dias, estão sendo adotadas políticas contrárias à família, e a definição de família está sofrendo alterações jurídicas no mundo inteiro. A pornografia prolifera desenfreadamente. Para os criadores de pornografia, o mais novo público-alvo são as moças. Os pais estão sendo tachados de ineptos e fora da realidade. Há mensagens contra a família nos meios de comunicação, em toda parte. Os jovens estão sendo levados a perder a sensibilidade sobre a necessidade de formar uma família eterna.
Vemos como isso pode acontecer quando lemos as palavras de Corior, um anticristo: “E assim lhes pregava, desviando o coração de muitos, fazendo com que levantassem a cabeça em sua iniquidade; sim, induzindo muitas mulheres e também homens a cometerem devassidão” (Alma 30:18). Satanás sabe que nunca terá um corpo. Nunca terá uma família. Por isso, ele visa as moças, que vão criar o corpo das gerações futuras.
Corior era um anticristo. Ser anticristo é ser antifamília. Toda doutrina ou princípio que nossos jovens ouvirem no mundo que seja contra a família também é contra Cristo. É simples assim. Se nossos jovens pararem de crer nas tradições justas de seus pais, como fizeram as pessoas descritas em Mosias 26, se não compreenderem sua parte no plano, eles podem ser desencaminhados.

Ensinar a Nova Geração

O que esperamos que esta nova geração compreenda e faça em virtude do que lhes ensinarmos? As respostas a essa pergunta, bem como os elementos-chave da doutrina da família, encontram-se na proclamação da família. O Presidente Gordon B. Hinckley (1910–2008) disse que essa proclamação era “uma declaração e reafirmação dos padrões, doutrinas e práticas” que a Igreja sempre teve. 2
O Presidente Ezra Taft Benson (1899–1994) declarou: “Esta ordem (…) de governo familiar em que um homem e uma mulher fazem convênio com Deus — assim como Adão e Eva — de serem selados para toda a eternidade e de levantarem posteridade (…) é o único meio pelo qual um dia poderemos ver a face de Deus e viver”. 3
A nova geração precisa compreender que continua em vigor o mandamento: “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra” (Gênesis 1:28; Moisés 2:28). Ter filhos é um ato de fé. O Presidente Spencer W. Kimball (1895–1985) ensinou: “É um ato de extremo egoísmo um casal recusar-se a ter filhos quando é capaz de gerá-los”. 4 A maternidade e a paternidade são papéis eternos. Cada um de nós tem a responsabilidade de levar a efeito a parte do plano correspondente ao homem e à mulher. A juventude é a época de nos prepararmos para esses papéis e responsabilidades eternos.
Os pais, professores e líderes podem ajudar os jovens a se prepararem para as bênçãos de Abraão. Quais são essas bênçãos? Abraão nos responde em Abraão 1:2. Ele diz: “busquei (…) o direito ao qual eu deveria ser ordenado para [ministrar]; (…) desejando também ser possuidor de grande conhecimento (…); e ser pai de muitas nações, um príncipe da paz, e desejando receber instruções e guardar os mandamentos de Deus, tornei-me um herdeiro legítimo, um Sumo Sacerdote, portando o direito que pertencia aos pais”.
Onde estão essas bênçãos recebidas por Abraão? Elas só são recebidas por aqueles que passam pelo selamento e casamento no templo. Um homem não pode tornar-se um “pai de muitas nações” sem ser selado à esposa. Da mesma forma, Abraão não poderia usufruir o direito reservado aos pais sem ter uma esposa detentora do direito reservado às mães.
As histórias de Abraão e Sara e Isaque e Rebeca encontram-se em Gênesis. Abraão e Sara só tiveram um filho, Isaque. Já que Abraão estava destinado a tornar-se o “pai de muitas nações”, qual era a importância da esposa de Isaque, Rebeca? Era tão crucial que ele mandou seu servo percorrer centenas de quilômetros para achar a jovem certa — uma jovem que guardasse seus convênios e compreendesse o significado de constituir uma família eterna.
Em Gênesis 24:60, Rebeca é abençoada para ser “a mãe de milhares de milhares”. Onde achamos esse tipo de bênçãos? Elas são recebidas no templo.
A história de Isaque e Rebeca exemplifica o homem, que possui as chaves, e a mulher, que tem a influência, mas que trabalham juntos para garantir o cumprimento das bênçãos reservadas para ambos. A história deles é crucial. As bênçãos da casa de Israel dependiam de um homem e uma mulher que compreendessem seu lugar no plano e suas responsabilidades de constituir uma família eterna, ter filhos e ensiná-los.
Em nossos dias, temos a responsabilidade de fazer com que de nosso lar e de nossas salas de aula saiam jovens que serão um “Isaque” e uma “Rebeca”. Todos os rapazes e todas as moças devem entender seu papel nessa parceria grandiosa — que cada um deles é um “Isaque” ou uma “Rebeca”. Então eles saberão com clareza o que têm de fazer.

Viver a Esperança da Vida Eterna

Pais, professores e líderes: Vivam no lar, na família e no casamento de modo a ajudar os jovens a desenvolver esperança na vida eterna ao observarem o exemplo deixado por vocês. Vivam e ensinem com uma clareza tal que seus ensinamentos sobressaiam em meio a todo o ruído ouvido pelos jovens, de modo a tocá-los e a penetrar-lhes o coração.
Vivam em casa de modo a se destacarem nos princípios básicos, a fim de cumprirem seu papel e suas responsabilidades na família de maneira consciente. Pensem em termos de precisão e não de perfeição. Se vocês tiverem metas e forem meticulosos quanto ao modo de alcançá-las no lar, os jovens aprenderão com vocês. Aprenderão ao verem vocês orarem, estudarem as escrituras juntos, realizarem a reunião familiar, fazerem do horário das refeições uma prioridade e falarem do cônjuge de modo respeitoso. Assim, com seu exemplo, a nova geração ganhará grande esperança.

Isso Eu Sei

Estamos preparando nossos jovens para o templo e para a família eterna. Muitas ameaças os cercam e podem desanimá-los e dissuadi-los de formar uma família eterna. Nosso papel é ensiná-los para que não fiquem confusos. Precisamos ser bem claros sobre os aspectos mais importantes da doutrina, que lemos em “A Família: Proclamação ao Mundo”.
Esta geração terá de defender a doutrina da família como nunca antes. Se eles não a conhecerem, não poderão defendê-la. Eles precisam compreender os templos e o sacerdócio.
O Presidente Kimball ensinou:
“Muitas das restrições sociais que no passado ajudaram a reforçar e amparar a família estão se dissolvendo e desaparecendo. Tempo virá em que somente aqueles que acreditam realmente na família serão capazes de preservá-la em meio ao mal crescente entre nós. (…)
(…) Há pessoas que definem a família de maneiras tão pouco tradicionais que é como se ela não existisse. (…)
Irmãos, nós, mais do que ninguém, não devemos ser enganados pelos falsos argumentos de que a unidade familiar está de alguma forma ligada a determinada fase do desenvolvimento de uma sociedade moral. Somos livres para resistir a essas investidas que menosprezam a família e que enaltecem o individualismo egoísta. Sabemos que a família é eterna.” 5
O evangelho de Jesus Cristo é verdadeiro. Foi restaurado por meio do Profeta Joseph Smith. Temos a plenitude do evangelho em nossos dias. Somos filhos de pais celestiais, que nos mandaram para passar por esta experiência terrena a fim de nos prepararmos para a bênção da família eterna. Presto-lhes meu testemunho de nosso Salvador, Jesus Cristo. Testifico que, por meio de Sua Expiação, podemos tornar-nos perfeitos e estar à altura de nossas responsabilidades em nossa família terrena e que, por meio de Sua Expiação, temos a promessa da vida eterna em família.

A Família É Eterna

Elder Robert D. Hales
“A família não é um mero acidente de percurso na mortalidade. Existiu como unidade organizacional nos céus antes da criação do mundo; historicamente, começou na Terra com Adão e Eva, conforme registrado em Gênesis. Adão e Eva foram casados e selados para o tempo e toda a eternidade pelo Senhor e, por causa disso, sua família existirá eternamente.”
Élder Robert D. Hales, do Quórum dos Doze Apóstolos, “The Family: A Proclamation to the World”, em Dawn Hall Anderson, ed., Clothed with Charity: Talks from the 1996 Women’s Conference , 1997, p. 134.

Para os Professores

President J. Reuben Clark Jr.
“Seu principal interesse, seu dever essencial e quase que exclusivo é o de ensinar o evangelho do Senhor Jesus Cristo como revelado na época atual. Para ensinar esse evangelho vocês devem empregar como fonte e considerar autoridades no assunto as obras-padrão da Igreja e as palavras das pessoas chamadas por Deus para liderar Seu povo na época atual.”
Presidente J. Reuben Clark Jr. (1871–1961), Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência, O Curso Traçado para a Igreja nos Assuntos Educacionais, ed. rev., 1994, p. 10; ver também Ensinar o Evangelho: Um Manual para Professores e Líderes do SEI , 2001, p. 4.

Usar “A Família: Proclamação ao Mundo”

  • Pendure um exemplar da proclamação em sua casa ou na sala de aula.
  • Incentive os jovens a deixarem um exemplar da proclamação em suas escrituras.
  • Associe trechos-chave da proclamação a lições ensinadas nas escrituras.
  • Estude e cite a proclamação da família na reunião familiar.
Ilustração fotográfica: Steve Bunderson; fotografia da irmã Beck © Busath Photography
Temos uma teologia da família que se baseia na Criação, na Queda e na Expiação.
Uma das ameaças à família é o divórcio, que está em alta.
Os pais, bem como os líderes e professores da Igreja, devem ensinar a doutrina da família à nova geração conforme aparece nas escrituras e na proclamação da família.
Estamos preparando nossos jovens para o templo e para a família eterna.
À esquerda: detalhe de Universo, de Sidney King; detalhe de Deixando o Jardim do Éden, de Joseph Brickey; detalhe de Não Se Faça a Minha Vontade, Mas a Tua, de Harry Anderson, cortesia da Pacific Press Publishing Association, Inc.; ilustrações fotográficas de Weston C. Colton e craig dimond.
À esquerda: ilustração fotográfica de christina smith; à direita: fotografia do Templo de Nauvoo Illinois e ilustração fotográfica de John Luke © IRI; fotografia de pés © Getty Images

Multiplicar-se e Encher a Terra

(publicado em A Liahona, abril 2005)
Continuação da série de artigos com reflexões para seu estudo e uso de “A Família: Proclamação ao Mundo”.
“O primeiro mandamento dado por Deus a Adão e Eva referia-se ao potencial de tornarem-se pais, na condição de marido e mulher. Declaramos que o mandamento dado por Deus a Seus filhos, de multiplicarem-se e encherem a Terra, continua em vigor.” 1

Os Filhos Estão Cada Vez Menos Valorizados

O Presidente James E. Faust, Segundo Conselheiro na Primeira Presidência, falou de uma “mudança de atitude em relação ao propósito do casamento. Um número cada vez maior de jovens considera o casamento ‘como um relacionamento do casal, destinado a satisfazer as necessidades emocionais dos adultos, em vez de uma instituição para criar os filhos’”. (…)
“Outro problema perturbador para a família”, observou o Presidente Faust, “é que os filhos estão cada vez menos valorizados. Em muitas partes do mundo as pessoas estão tendo menos filhos. O aborto é provavelmente o sinal mais evidente de que os casais não querem filhos. Estima-se que um quarto das gravidezes do mundo inteiro terminam em aborto induzido.” 2

Uma Prática Devastadora

Os efeitos negativos do aborto são de longo alcance. Essa prática generalizada não só incentiva o egoísmo e o uso promíscuo dos poderes da procriação, mas também torna a adoção mais difícil para os casais incapazes de ter seus próprios filhos.
Em 1991, a Primeira Presidência emitiu uma declaração detalhada sobre o aborto. Embora reconhecessem certos “casos raros nos quais o aborto pode ser justificável”, eles ressaltaram que “tais casos não constituem automaticamente motivos para o aborto” e instaram “as pessoas em todas as partes a absterem-se da prática devastadora do aborto por conveniência pessoal ou social”. 3
Trazer filhos ao mundo certamente não é conveniente. Na maioria das vezes, envolve dor física, seguida de grandes sacrifícios e demonstrações de abnegação. Contudo, as bênçãos resultantes da obediência ao mandamento de Deus de criar filhos estão entre as mais doces oferecidas por Ele. De fato, de várias formas, a paternidade e a maternidade são para nós uma prévia da deidade.

Filhos Fora dos Laços Matrimoniais

Por mais importante que seja o mandamento de multiplicar-nos e encher a Terra, o Senhor deixou claro que devemos demonstrar nossa obediência somente no casamento. Há inúmeras razões para essa restrição, mas duas das mais significativas são desestimular a promiscuidade sexual e proporcionar um ambiente familiar estável e saudável para os filhos.
Na maioria das sociedades, ter filhos fora dos laços matrimoniais é considerado tradicionalmente uma vergonha e uma desonra. Porém, no mundo atual, onde o bem é chamado de mal e o mal de bem (ver Isaías 5:20), o estigma de ter filhos fora do casamento desapareceu quase que completamente. Essa prática é não apenas um pecado aos olhos dos céus, mas os pesquisadores concluíram que o nascimento fora dos laços do matrimônio costuma vir acompanhado de vários riscos para o bebê. Em comparação com os filhos nascidos de pais casados, as crianças que vêm ao mundo fora dos laços matrimoniais têm maiores chances, por exemplo, de morrerem da síndrome da morte súbita infantil, de sucumbirem a acidentes ou de mais tarde tornarem-se delinqüentes juvenis.
As crianças nascidas de pais não casados que são entregues à adoção saem-se significativamente melhor do que as que não são adotadas. Apresentam menos problemas de aprendizado, atingem níveis de instrução mais elevados e têm menos probabilidade de depender do auxílio governamental quando adultos. 4 é óbvio que trazer filhos ao mundo e criá-los nos caminhos do Senhor resulta em bênçãos espirituais e materiais.

Encher a Terra

Depois de dar a Adão e Eva o mandamento de frutificar e multiplicar-se, o Senhor ordenou-lhes: “Enchei a terra, e sujeitai-a”. (Gênesis 1:28) Ouvimos há muitos anos advertências sobre a superpopulação e os efeitos devastadores que ela pode provocar. Embora algumas áreas do planeta estejam sofrendo as conseqüências negativas de uma densidade populacional extrema, o mundo como um todo está na verdade caminhando na direção contrária. De fato, as pesquisas mostram que por volta do ano 2040 a população mundial atingirá seu pico e então começará a diminuir. 5
Um assunto mais relevante do que a densidade populacional talvez seja a maneira de usarmos os recursos que Deus nos concedeu para a sobrevivência da população agora e no futuro. “Pois a Terra está repleta e há bastante e de sobra. (…) Portanto, se algum homem tomar da abundância que fiz e não repartir sua porção com os pobres e os necessitados, de acordo com a lei de meu evangelho, ele, com os iníquos, erguerá seus olhos no inferno, estando em tormento.” (D&C 104:17–18). O inimigo da felicidade humana e a causa da pobreza e da fome não são o nascimento de crianças”, disse o élder Henry B. Eyring, do Quórum dos Doze Apóstolos, “mas, sim, o fato de as pessoas não fazerem com a Terra o que Deus poderia ensinar-lhes a fazer se simplesmente dessem ouvidos ao Senhor e obedecessem”. 6

Exibir Referências 

    Notas

  1. 1. “A Família: Proclamação ao Mundo”, A Liahona, outubro de 2004, p. 49.
  2. 2. “Problemas que as Famílias Enfrentam”, Reunião Mundial de Treinamento de Liderança, 10 de janeiro de 2004, p. 2; citando David Popenoe e Barbara Dafoe Whitehead, “Marriage and Children: Coming Together Again?” em The State of Our Unions 2003: The Social Health of Marriage in America, National Marriage Project (relatório anual, 2003), pp. 10–11.
  3. 3. Ver “Church Issues Statement on Abortion”, Ensign, março de 1991, p. 78.
  4. 4. Ver a Internet, www.heritage.org/research/features/familydatabase/ results.cfm?key=463.
  5. 5. Ver Nicholas Eberstadt, “The Problem Isn’t Overpopulation and the Future May Be Depopulation”, Marriage and Families, abril de 2000, pp. 9–10.
  6. 6. “A Família”, A Liahona, outubro de 1998, p. 17.

domingo, 17 de abril de 2011

Tres maneiras de tornar sua familia mais feliz

O proposito da vida

Guia da família

Fortalecer o casamento - guia de recursos para casais

relacionamento conjugal e familiar - manual do professor

A familia - proclamamação ao mundo