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quarta-feira, 18 de maio de 2011

mulheres de retidão

O valor da mulher depende exclusivamente de seu papel como esposa e mãe?”


“O valor da mulher depende exclusivamente de seu papel como esposa e mãe?” A resposta é simples e óbvia: Não. Embora nenhuma realização de uma mulher tenha impacto mais duradouro e eterno do que criar seus filhos para que andem em retidão, a condição de mãe e a de esposa não são as únicas medidas do valor de uma mulher. Algumas mulheres não têm o privilégio de casar-se nem ter filhos nesta vida. Contudo, se forem dignas, receberão essas bênçãos depois. Os homens e mulheres que tiverem o privilégio de criar filhos certamente prestarão contas dessa mordomia inestimável e eterna. Ainda que simplesmente não haja uma contribuição mais significativa que se possa fazer à sociedade, à Igreja ou ao destino eterno dos filhos de nosso Pai do que o que vocês fizerem como pai ou mãe, a maternidade e a paternidade não são as únicas formas de atribuir valor a alguém ou receber aprovação de Deus.” 
                   (Élder M. Russel Ballard. Mulheres de Retidão, A Liahona, dez. 2002 )

As Virtudes das Íntegras Filhas de Deus

James E. Faust
Incentivo-as a fortalecerem as virtudes que já adquiriram e a se decidirem a desenvolver muitas outras.
Minhas queridas jovens irmãs, sinto-me fascinado por estar em sua presença devido ao seu imenso potencial para o bem. Vocês são parte indispensável do que a Igreja e o mundo serão, da mesma forma que sua mãe, tias e avós o foram no passado. Vocês podem desfrutar de uma felicidade que vai muito além de seus mais caros sonhos e expectativas.
Sentimo-nos especialmente honrados esta noite pela presença do Presidente Gordon B. Hinckley, do Presidente Thomas S. Monson e de outras Autoridades Gerais aqui conosco. Parabenizo a irmã Tanner, a irmã Beck e a irmã Dalton por suas excelentes mensagens a respeito de sermos firmes em Cristo. A música do coro das jovens é também admirável.
A Primeira Presidência enviou uma carta datada de 19 de março de 2003, para os líderes do sacerdócio incentivando-os a ajudarem as Moças em sua desafiadora transição para a vida adulta. Isso é muito importante. A carta enfatiza que, enquanto os pais têm a responsabilidade básica, os bispados, as líderes da Organização das Moças e da Sociedade de Socorro devem trabalhar juntas para fortalecer nossas jovens nessa transição.
Minhas queridas jovens irmãs, ao viajar para várias partes do mundo no cumprimento de designações da Igreja, tenho conhecido algumas de vocês, jovens maravilhosas, e tenho-me sentido impressionado com sua firmeza. Posso dizer sem hesitação que vocês terão “um perfeito esplendor de esperança” em seu futuro e alegria sem fim se “[prosseguirem]” 1 como filhas íntegras de Deus. Vocês são jovens virtuosas e de grande promessa. Incentivo-as a fortalecerem as virtudes que já adquiriram e a se decidirem a desenvolver muitas outras.
Esta noite gostaria de falar a respeito de algumas dessas virtudes. Muitas pessoas não entendem plenamente o significado da virtude. Um significado que é normalmente entendido é o de a pessoa ser casta ou moralmente limpa, mas a virtude, em seu sentido pleno, abrange todas as características da retidão que nos ajudam a formarmos nosso caráter. Em um antigo bordado, de 1813, que se encontra em um museu em Terra Nova, acha-se a seguinte inscrição: “A virtude é a maior beleza da mente, o ornamento de maior grandeza da humanidade. A virtude é nosso salvo- conduto e nossa estrela-guia, que desperta a razão quando nossos sentidos se enganam”.
Quero sugerir dez virtudes que cada uma de vocês pode ir ao encalço em sua busca da excelência e da felicidade:

1. Fé

Incluo a virtude da fé em primeiro lugar na lista porque ela é a mais importante. O Profeta Joseph Smith ensinou que a fé no Senhor Jesus Cristo é o “alicerce de toda a retidão”. 2 Prometo-lhes, doces jovens, que ao se esforçarem por viver os mandamentos, sua fé continuará a crescer. Quando exercitamos a fé, tornamo-nos alegres e otimistas, caridosos e corajosos, porque a fé é o agente que impulsiona todas essas virtudes.

2. Honestidade

Uma jovem da seleção de voleibol de uma universidade conta da época em que ela e sua amiga Muki participavam de um jogo num campeonato:
“Lembro-me que o placar estava apertado, (…) Gracie [do time adversário] aproximou-se da linha de saque, saltou e deu um tapa na bola com toda a força de que era capaz. (…) Os fiscais de linha sinalizaram bola fora e o primeiro árbitro levantou a mão para indicar ponto [para a nossa equipe]. Começamos a comemorar quando percebemos que Muki estava sinalizando com a mão para o árbitro que ela tocara na bola ao saltar para o bloqueio. Muki estava acusando seu próprio toque. Os fiscais de linha (…) estavam (…) sinalizando bola fora [indicando] que ninguém tocara na bola.
A silenciosa e introvertida Muki mostrara um ato de integridade e honestidade que eu nunca vira antes. Gracie Shute ficou tão impressionada que conversou com Muki após a partida. (…) Muki posteriormente deu-lhe uma cópia do Livro de Mórmon. Não sei se Gracie leu o livro. (…), mas sei que Gracie se sentiu tocada pelo exemplo de Muki, da mesma forma que todos nós.” 3
Não se pode ser honesto com outros a menos que seja honesto consigo próprio.

3. Castidade

Em “A Família — Proclamação ao Mundo”, lemos: “(…) Os poderes sagrados de procriação [devem ser] empregados somente entre homem e mulher, legalmente casados”. 4 Além do mais, o Senhor diz no Livro de Mórmon: “(…) Eu, o Senhor Deus, deleito-me na castidade das mulheres”. 5 As pessoas que se envolvem em intimidades físicas com alguém fora do matrimônio provavelmente terão sentimentos de culpa bem como profundo sofrimento emocional e físico. Relações íntimas entre homens e mulheres fora dos laços que o Senhor estabeleceu, trazem muita desgraça, vergonha, degradação e infelicidade aos envolvidos.
Em contraste, quando esses dons sagrados são exercidos da maneira como o Senhor planejou, dentro dos laços de um casamento no templo, eles nos proporcionam nossa maior alegria e felicidade. Tornamo-nos co-criadores com Deus para termos uma família e posteridade. A castidade antes do matrimônio seguida por fidelidade após o casamento é um passaporte sagrado ao auto-respeito e felicidade para todos. O Presidente N. Eldon Tanner deu um bom conselho que eu gostaria de repetir: ”Lembre-se sempre que você pode progredir muito mais no que se refere ao respeito do que à popularidade”. 6 Indico a vocês o excelente conselho dado a respeito da pureza sexual contido no livreto Para o Vigor da Juventude.

4. Humildade

A humildade tem tudo a ver com manter o equilíbrio. Por exemplo, quando vocês receberem um elogio, recebam-no gentilmente, não deixem que lhes suba à cabeça. Vocês, jovens já aprenderam muito, mas têm ainda mais para aprender. A pessoa que é humilde está aberta ao que lhe for ensinado. De fato, o Senhor prometeu: “Pois meu Espírito é enviado ao mundo a fim de iluminar os humildes e contritos (…)”. 7 Um de meus provérbios favoritos é o seguinte: “Aprenda a dizer: ‘Não sei’. Se usar essa expressão quando adequada, irá usá-la com freqüência”. 8

5. Autodisciplina

Vocês precisam ter a força para controlar-se para que consigam atingir suas metas e acentuar seus pontos fortes naturais. Hábitos que levam à autodisciplina adquiridos enquanto são jovens, tornar-se-ão parte do que constitui seu caráter para o resto da vida. O caráter formado dessa maneira surgirá com vocês na Ressurreição. 9
O princípio do trabalho é parte da autodisciplina. Bem, minhas queridas jovens irmãs, já vivi muitos e muitos anos mais do que vocês, mas até na época do meu avô, havia uma coisa que faria vocês quererem deitar e dormir — eles a chamavam de trabalho.

6. Justiça

Precisamos ser justos e solidários em nossos negócios com outros seres humanos. O Salvador deu-nos a parábola do servo injusto que devia uma grande quantia em dinheiro. Seu senhor perdoou-lhe a dívida, mas esse mesmo servo encerrou outro servo na prisão por uma dívida muito menor. Seu senhor repreendeu-o por não demonstrar a mesma compaixão que recebera e então enviou-o ao mesmo destino do outro. 10
Se forem justas com outras pessoas, elas muito provavelmente serão justas com vocês. Conta-se a história de uma professora da Escola Dominical que estava ensinando esse princípio. Ela disse à sua classe: “Lembrem-se, estamos aqui para ajudar os outros”. Uma garota da classe replicou: “Então para que os outros estão aqui?”

7. Moderação

Parte do espírito da Palavra de Sabedoria é a moderação em todas as coisas, exceto as coisas especificamente proibidas pelo Senhor. É conveniente evitar-se extremos na forma de se vestir, de se pentear, de usar maquiagem, de comportar-se, de falar e no tipo de música que se ouve. Os extremos podem atrair a atenção de alguns, mas é muito provável que afastem aqueles a quem vocês querem realmente impressionar.
Quando eu era jovem, meus amigos e eu fomos a um parque de diversões, e entramos numa atração chamada Disco Voador. Seu formato era parecido com o de um prato virado para baixo e que rodava e rodava. A maior parte de nós tentou ficar no centro para não sermos atirados para fora pela força centrífuga enquanto o disco ganhava velocidade. Algumas vezes, quem ficava na beirada agarrava um amigo que estava mais próximo ao centro, mas isso puxava os dois completamente para fora do disco. Logo descobri que a força centrífuga tinha menos potência no meio. Eu ficava bem protegido no centro muito embora o disco continuasse a rodopiar. Mas era arriscado quando alguém na parte externa do disco se agarrava em mim. Aprendi que a melhor proteção era ficar próximo ao centro.

8. Limpeza

Anos atrás, o Presidente Howard W. Hunter, a irmã Faust e eu nos encontramos com alguns alunos da BYU na época em que o programa de estudos em Jerusalém estava alojado em um kibbutz, um alojamento israelita. Na porta de dois dos alunos havia um aviso onde se lia: “Se a limpeza está ao lado da divindade, benvindos ao purgatório!”
O Presidente Hinckley deu um conselho excelente quando disse: “Sejam puros no modo de vestir e no comportamento. (…) A época em que estamos vivendo agora é uma época em que trajes e maneiras descuidadas se tornaram moda. Contudo, não estou muito preocupado com o modo com que se vestem, contanto que estejam limpos. (…) Cuidem de sua higiene pessoal”. 11 Lembrem-se de que você e a Igreja serão julgados em parte por sua pureza e asseio.

9. Coragem

Vocês, moças de grande valor precisarão muita coragem — coragem para resistir à pressão de grupo, não sucumbir à tentação, suportar a zombaria e o ostracismo, defender a verdade. Vocês também precisarão de coragem para enfrentar os desafios da vida. Uma jovem, que era maratonista, escreveu: “Sinto-me sempre tentada a parar e desistir durante uma corrida. Em minha primeira corrida este ano, quando eu estava quase sendo subjugada e quase parando de correr, as palavras da terceira estrofe de ‘Que Firme Alicerce’ ocupou meu pensamento. A letra deu-me coragem para terminar a corrida”. 12
Se Deus é convosco, a quem temereis?
Ele é vosso Deus, seu auxílio tereis.
Se o mundo vos tenta, se o mal faz tremer,
Com mão poderosa vos há de suster. 13

10. Graça

É-nos dito em Doutrina e Convênios que é preciso que “[cresçamos] em graça”. 14 A graça é uma virtude dada por Deus. É a disposição de ser gentil e fazer o bem. É uma característica ou talento encantador; “um aspecto agradavelmente gracioso”. 15 O charme é o encanto que vem de um sentimento de dignidade pessoal; uma beleza interior que vem da auto-estima. Alguém disse que a expressão de nosso rosto é mais importante do que as roupas que vestimos. Um excelente rapaz solteiro que conheço preparou uma lista de qualidades que procura em sua futura esposa. O entusiasmo encontra-se no alto da lista.
Com freqüência vemos que a influência de boas mulheres é subestimada. É uma influência muitas vezes sutil, ainda assim, de extraordinárias conseqüências. Uma mulher pode fazer a diferença em toda uma nação. Menciono aqui dois exemplos das escrituras, uma para o mal e uma para o bem.
No livro de Éter, a linda filha de Jarede, com uma dança insinuante, seduziu Aquis para que se casasse com ela. Para ter sua mão em casamento Aquis deveria assassinar o avô dela, o rei Ômer, para que o pai se tornasse rei. Devido à sua insistência, Aquis formou combinações secretas onde seus integrantes fizeram juramentos que causaram a destruição da nação jaredita. 16
Por outro lado, Ester, uma judia no Velho Testamento, salvou seu povo. Quando os judeus estavam no cativeiro, Ester casou-se com o rei Assuero. O rei assinou um decreto de que todos os judeus deveriam ser executados. O primo de Ester, Mardoqueu, insistiu com ela para que intercedesse junto ao rei em prol de seu povo, dizendo a ela: “(…) Quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino”. 17 Ester, correndo risco de perder a vida, implorou ao rei que poupasse seu povo. O rei escutou sua súplica e eles foram salvos. Uma mulher pode fazer uma grande diferença, até mesmo para uma nação.
Esta é uma época desafiadora. Acredito que o espírito de vocês foi reservado para estes últimos dias; que vocês, como Ester vieram para a Terra “para tal tempo como este”. Pode ser que suas realizações eternas mais significativas sejam a influência justa que exercem sobre outras pessoas; que sua divina beleza feminina interior e intuição encontre expressão em sua força serena, bondade, dignidade, charme, graça, criatividade, sensibilidade, felicidade e espiritualidade. Realce esses sublimes dons femininos. Eles as tornarão encantadoras e irresistíveis ao servirem outros como servas de Deus.
Testifico que se praticarem essas virtudes poderão “prosseguir com firmeza em Cristo, tendo um perfeito esplendor de esperança e amor a Deus e a todos os homens”. 18
Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Exibir Referências 

    Notas

  1. 1. Ver 2 Néfi 31:20.
  2. 2. Lectures on Faith, 1985, palestra 1:1.
  3. 3. Carta pessoal escrita por Michele Lewis, 12 de agosto de 1996.
  4. 4. A Liahona, outubro de 1998, p. 24.
  5. 5. Jacó 2:28.
  6. 6. “No Greater Honor; The Woman’s Role”, Woman, 1979. p. 8.
  7. 7. D&C 136:33.
  8. 8. “Rumsfeld’s Rules”, Parade Magazine, 18 de novembro de 2001, p. 9.
  9. 9. Ver D&C 130:18.
  10. 10. Ver Mateus 18:24–34.
  11. 11. “Sede Puros”, A Liahona, maio de 1996, p. 50.
  12. 12. “Feedback”, New Era, agosto de 1990, p. 3.
  13. 13. Hinos, nº 42
  14. 14. D&C 50:40.
  15. 15. Merriam-Webster’s Collegiate Dicionary, 10ª ed. 2000, “grace”, p. 504.
  16. 16. Ver Éter 8:8–21, Helamã 6:28.
  17. 17. Ester 4:14.
  18. 18. 2 Néfi 31:20.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

As Mulheres da Igreja São Incríveis!

Abril 2011 General Conference

Élder Quentin L. Cook
Do Quórum dos Doze Apóstolos
Quentin L. Cook
Muito do que realizamos na Igreja deve-se ao serviço abnegado das mulheres.
O escritor e historiador Wallace Stegner escreveu sobre a migração e a coligação mórmon no Vale do Lago Salgado. Ele não aceitava nossa religião e, em muitos aspectos, fez críticas; no entanto, ficou impressionado com a dedicação e o heroísmo dos primeiros membros da Igreja, especialmente das mulheres. Ele declarou: “Suas mulheres eram incríveis”. 1 Faço eco a esse sentimento hoje. Nossas mulheres da Igreja são incríveis!
Deus colocou nas mulheres qualidades divinas de força, virtude, amor e disposição de sacrifício para criar as futuras gerações de Seus filhos espirituais.
Um recente estudo americano afirma que as mulheres de todas as religiões “acreditam mais fervorosamente em Deus” e participam de mais serviços religiosos do que os homens. “Em praticamente todas as formas de avaliação, elas são mais religiosas.” 2
Não fiquei surpreendido com esse resultado, particularmente ao refletir sobre o papel preeminente da família e das mulheres em nossa religião. Nossa doutrina é clara: as mulheres são filhas de nosso Pai Celestial, que as ama. A esposa está à altura de seu marido. O casamento exige uma plena parceria em que a mulher e o marido trabalhem lado a lado para atender às necessidades da família. 3
Sabemos que existem muitos desafios para as mulheres, inclusive para aquelas que se empenham em viver o evangelho.

Herança de Irmãs Pioneiras

Um atributo predominante na vida de nossos antepassados pioneiros foi a fé das irmãs. As mulheres, por natureza divina, têm maior dom e responsabilidade pelo lar e pelos filhos, nutrindo-os naquela circunstância e em outras. Em vista disso, a fé expressa pelas irmãs, ao se disporem a abandonar suas casas para atravessar as planícies rumo ao desconhecido, é inspiradora. Se alguém tivesse de caracterizar seu atributo mais importante, seria a sua inabalável fé no evangelho restaurado do Senhor Jesus Cristo.
O relato heroico do que aquelas mulheres pioneiras sacrificaram e realizaram enquanto atravessavam as planícies é um legado inestimável para a Igreja. Senti-me tocado pelas palavras de Elizabeth Jackson, cujo marido, Aaron, morreu após a última travessia do Rio Plate, com a companhia Martin de carrinhos de mão. Ela escreveu:
“Não tentarei descrever meus sentimentos ao encontrar-me assim, viúva e com três filhos, em tais circunstâncias torturantes. (…) Eu acredito (…) que meus sofrimentos por causa do evangelho serão santificados para o meu bem (…)
“[Recorri] ao Senhor, (…) Ele que prometera ser um marido para a viúva, e um pai para os órfãos. Recorri a Ele, e Ele veio em meu auxílio”. 4
Elizabeth disse que estava escrevendo aquela história em nome daqueles que passaram por situações semelhantes, com a esperança de que a posteridade estivesse disposta a sofrer e a sacrificar todas as coisas pelo reino de Deus. 5

As Mulheres na Igreja Hoje São Fortes e Valorosas

Creio que as mulheres da Igreja hoje enfrentam esse desafio e são igualmente fortes e fiéis. A liderança do sacerdócio da Igreja, em todos os níveis, reconhece com gratidão o serviço, o sacrifício, o empenho e a contribuição das irmãs.
Muito do que realizamos na Igreja deve-se ao serviço abnegado das mulheres. Seja na Igreja ou em casa, é uma coisa bonita de se ver o sacerdócio e a Sociedade de Socorro trabalhando em perfeita harmonia. Esse relacionamento é como uma orquestra bem afinada, e a sinfonia que resulta disso inspira-nos a todos.
Quando fui recentemente designado a participar de uma conferência na Estaca Mission Viejo Califórnia, senti-me tocado pelo relato do que aconteceu no baile da juventude, de quatro estacas, no Ano Novo. Após o baile, foi encontrada uma bolsa sem identificação externa. Quero compartilhar com vocês parte do que a irmã Monica Sedgwick, presidente das Moças da Estaca Laguna Niguel, relatou: “Não queríamos bisbilhotar, era um objeto pessoal de alguém! Por isso, nós a abrimos com cuidado e pegamos a primeira coisa que estava em cima, esperando que isso identificasse a dona. E identificou — mas de outra forma. Era um folheto Para o Vigor da Juventude. Uau! Isso nos dizia muito sobre a moça. Então, pegamos o que havia em seguida, um caderninho que certamente nos daria a resposta, mas não do tipo que esperávamos. Na primeira página havia uma lista de escrituras favoritas e havia mais cinco páginas com outras escrituras e anotações pessoais.”
As irmãs quiseram imediatamente conhecer aquela valorosa jovem. Voltaram a procurar na bolsa algo que a identificasse. Tiraram dali algumas pastilhas de hortelã, sabonete, loção e uma escova. Adorei seus comentários: “Oh, coisas boas provêm de sua boca, ela tem as mãos limpas e macias, e cuida bem de si mesma”.
Ansiaram por ver o tesouro seguinte. Encontraram uma esmerada bolsinha de moedas feita em casa com papelão de caixa de suco, e um pouco de dinheiro, num bolso com zíper. Exclamaram: “Ah, ela é criativa e está preparada!” Sentiram-se como crianças na manhã de Natal. O que tiraram em seguida surpreendeu-as ainda mais: uma receita de bolo de chocolate floresta negra, e um bilhete lembrando-a de fazer um bolo de aniversário para uma amiga. Elas quase gritaram: “Ela sabe COZINHAR! É prestativa e gosta de servir”. Então, finalmente, surgiu uma identificação. As líderes das jovens sentiram-se muito abençoadas “ao verem o sereno exemplo de uma moça que vivia o evangelho”. 6
Esse relato ilustra a dedicação de nossas moças aos padrões da Igreja. 7 Também é um exemplo de quão carinhosas, interessadas e dedicadas são as líderes das Moças do mundo inteiro. Elas são incríveis!
As irmãs têm papéis vitais na Igreja, na vida familiar e individualmente, os quais são essenciais ao plano do Pai Celestial. Muitas dessas responsabilidades não têm remuneração financeira, mas sem dúvida proporcionam satisfação e têm importância eterna. Recentemente, uma mulher notável e muito capaz da junta editorial de um jornal solicitou uma descrição do papel das mulheres na Igreja. Foi-lhe explicado que nenhuma líder de nossas congregações era remunerada.Ela interrompeu para dizer que seu interesse havia diminuído significativamente. Ela disse: “Não creio que as mulheres precisem de mais empregos não remunerados”.
Destacamos que a organização mais importante da Terra é a família, na qual “pais e mães são parceiros iguais”. 8 Nem um nem outro recebe remuneração financeira, mas as bênçãos são indescritíveis. Evidentemente, falamos para ela da Sociedade de Socorro, da organização das Moças e da Primária, que são lideradas por presidentes que são mulheres. Salientamos que desde o princípio de nossa história, tanto homens quanto mulheres oram, executam a música, fazem discursos e cantam no coro, até na reunião sacramental, nossa reunião mais sagrada.
Um livro muito aclamado recentemente, American Grace, relata a situação das mulheres de muitas religiões. Foi observado que as mulheres da Igreja são diferentes das demais por estarem amplamente satisfeitas com seu papel na liderança da Igreja. 9 Além disso, os santos dos últimos dias como um todo, homens e mulheres, têm o maior apego a sua fé dentre todas as religiões incluídas no estudo. 10
Nossas mulheres não são incríveis por terem conseguido evitar as dificuldades da vida — muito pelo contrário. Elas são incríveis por causa do modo como enfrentam as provações da vida. Apesar dos desafios e testes que a vida oferece — com o casamento, ou a falta dele, as escolhas dos filhos, problemas de saúde, falta de oportunidades e muitos outros problemas — elas continuam extraordinariamente fortes, inamovíveis e leais à fé. Nossas irmãs de toda a Igreja constantemente “[socorrem] os fracos, [erguem] as mãos que pendem e [fortalecem] os joelhos enfraquecidos”. 11
Uma presidente de Sociedade de Socorro que reconheceu esse extraordinário serviço disse: “Até quando as irmãs servem, elas ficam pensando: ‘Eu bem que poderia ter feito mais!’”Embora não sejam perfeitas e todas enfrentem problemas pessoais, sua fé em um Pai Celestial amoroso e a certeza do sacrifício expiatório do Salvador permeiam-lhes a vida.

O Papel das Irmãs na Igreja

Nos últimos três anos, a Primeira Presidência e o Quórum dos Doze buscaram orientação, inspiração e revelação ao reunirem-se em conselho com líderes do sacerdócio e das auxiliares para elaborar os novos manuais da Igreja. Nesse processo, senti imensa gratidão pelo papel essencial que as irmãs, tanto casadas quanto solteiras, desempenharam historicamente e hoje em dia, tanto na família quanto na Igreja.
Todos os membros da Igreja de Jesus Cristo devem “[trabalhar] em sua vinha para a salvação da alma dos homens”. 12 “Esse trabalho de salvação inclui o trabalho missionário dos membros, a retenção de conversos, a ativação de membros menos ativos, o trabalho do templo e de história da família, o ensino do evangelho” e o cuidado dos pobres e necessitados. 13 14 Isso é administrado primordialmente por meio do conselho da ala. 15
Especificamente pretende-se, nos novos manuais, que os bispos, sensíveis às demandas existentes, deleguem mais responsabilidades. Os membros precisam saber que o bispo foi instruído a delegar. Os membros precisam apoiá-lo quando ele seguir esse conselho. Isso permitirá que o bispo passe mais tempo com os jovens, com os jovens adultos solteiros e com sua própria família. Ele vai delegar outras responsabilidades importantes para os líderes do sacerdócio, para as presidentes das auxiliares e individualmente para homens e mulheres. Na Igreja, o papel da mulher no lar é altamente respeitado. 16 Quando a mãe recebe um chamado na Igreja que lhe demande um tempo significativo, o pai geralmente deve receber um chamado menos exigente, a fim de manter o equilíbrio na vida familiar.
Há vários anos, assisti a uma conferência de estaca em Tonga. No domingo pela manhã, as três fileiras da frente da capela estavam repletas de homens entre 26 e 35 anos de idade. Presumi que fizessem parte de um coro de homens. Mas quando foram tratados os assuntos da conferência, todos aqueles homens, 63 no total, levantaram-se quando seus nomes foram lidos e foram apoiados para serem ordenados ao Sacerdócio de Melquisedeque. Fiquei feliz e surpreso.
Após a sessão, perguntei ao presidente Mateaki, o presidente da estaca, como aquele milagre tinha acontecido. Ele me disse que, em uma reunião de conselho da estaca, foi abordada a reativação. A presidente da Sociedade de Socorro da estaca, a irmã Leinata Va’enuku, perguntou se seria adequado ela dizer alguma coisa. Enquanto ela falava, o Espírito confirmou ao presidente que o que ela estava sugerindo era verdade. Ela explicou que havia na estaca um grande número de maravilhosos jovens na faixa dos 20 e 30 anos de idade que não tinham servido missão. Ela disse que muitos deles sabiam ter decepcionado seus bispos e líderes do sacerdócio, que fortemente os incentivaram a servir missão, e agora se sentiam como membros de segunda classe da Igreja. Ela salientou que aqueles jovens tinham passado da idade de ser missionários. Expressou seu amor e preocupação por eles. Explicou que todas as ordenanças de salvação ainda estavam disponíveis para eles, e que o enfoque deveria ser a ordenação ao sacerdócio e às ordenanças do templo. Ela observou que, embora alguns daqueles jovens ainda fossem solteiros, a maioria deles havia-se casado com mulheres maravilhosas — algumas ativas, algumas inativas e algumas que não eram membros.
Após trocarem ideias no conselho da estaca, foi decidido que os homens do sacerdócio e as mulheres da Sociedade de Socorro procurariam resgatar aqueles homens e as esposas, enquanto os bispos passariam mais de seu tempo com os rapazes e as moças nas alas. Os envolvidos no resgate enfocaram principalmente a preparação para o sacerdócio, o casamento eterno e as ordenanças de salvação realizadas no templo. Nos dois anos subsequentes, quase todos os 63 homens que haviam sido apoiados para receber o Sacerdócio de Melquisedeque na conferência da qual participei receberam a investidura no templo e foram selados ao cônjuge. Esse relato é apenas um exemplo de como nossas irmãs são essenciais para o trabalho de salvação em nossas alas e estacas e como elas facilitam a revelação, especialmente na família e nos conselhos da Igreja. 17

O Papel das Irmãs na Família

Reconhecemos que existem forças imensas mobilizadas contra as mulheres e as famílias. Estudos recentes mostram um declínio na devoção ao casamento, com uma diminuição no número de adultos que se casam. 18 Para alguns, o casamento e a família estão-se tornando “uma opção de menu em vez do princípio organizador central da nossa sociedade”. 19 As mulheres se deparam com muitas opções e precisam ponderar em espírito de oração sobre as escolhas que fazem e em como essas escolhas afetam a família.
Quando estive na Nova Zelândia, no ano passado, li em um jornal de Auckland que algumas mulheres, que não eram da Igreja, se debatiam com essas questões. Uma mãe disse que percebeu, em seu caso, que sua decisão entre trabalhar ou ficar em casa girava em torno de um tapete novo e de um segundo carro dos quais ela realmente não precisava. Outra mulher, no entanto, sentia que o maior inimigo da “vida familiar feliz não era o trabalho remunerado — mas, sim, a televisão”. Ela disse que as famílias despendiam mais tempo assistindo à TV do que com a família. 20
Essas são decisões muito pessoais e delicadas, mas há dois princípios que devemos sempre ter em mente. Em primeiro lugar, nenhuma mulher deve jamais sentir a necessidade de pedir desculpas ou de achar que sua contribuição é menos significativa, por estar-se dedicando principalmente à criação e à educação dos filhos. Nada poderia ser mais significativo no plano de nosso Pai Celestial. Em segundo lugar, todos devemos ter cuidado para não julgar ou supor que as irmãs sejam menos valorosas, se elas tomarem a decisão de trabalhar fora de casa. Raramente compreendemos ou reconhecemos plenamente as circunstâncias das pessoas. O marido e a mulher devem aconselhar-se fervorosamente, sabendo que são responsáveis perante Deus por suas decisões.
A vocês, irmãs que criam sozinhas os filhos seja qual for o motivo, de coração lhes estendemos nosso apreço. Os profetas deixaram bem claro “que muitas mãos estão prontas a ajudá-las. O Senhor não Se esqueceu de vocês. Nem Sua Igreja”. 21 Espero que os santos dos últimos dias estejam na vanguarda quanto à criação de um ambiente no local de trabalho que seja mais receptivo e acolhedor para as mulheres e os homens em suas responsabilidades como pais.
Vocês, valorosas e fiéis irmãs solteiras, saibam que as amamos e que lhes somos gratos, e asseguramos que nenhuma bênção eterna lhes será negada.
A extraordinária mulher pioneira Emily H. Woodmansee escreveu a letra do hino “Irmãs em Sião”. Ela corretamente declarou que “missão qual dos anjos [às mulheres] é dada”. 22 Isso foi descrito como “nada menos que uma convocação direta e urgente de nosso Pai Celestial, e ‘esse é um dom que (…) as irmãs (…) reivindicam para si.‘” 23
Queridas irmãs, amamos e admiramos vocês. Agradecemos o seu serviço no reino do Senhor. Vocês são incríveis! Expresso minha gratidão especial pelas mulheres presentes em minha vida. Presto testemunho da realidade da Expiação, da divindade do Salvador e da Restauração de Sua Igreja, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Show References 

  1. 1. Wallace Stegner, The Gathering of Zion: The Story of the Mormon Trail, 1971, p. 13.
  2. 2. Robert D. Putnam and David E. Campbell, American Grace: How Religion Divides and Unites Us, 2010, p. 233.
  3. 3. Ver Manual 2: Administração da Igreja, 2010, 1.3.1; ver também Moisés 5:1, 4, 12, 27.
  4. 4. Andrew D. Olsen, The Price We Paid: The Extraordinary Story of the Willie and Martin Handcart Pioneers, 2006, p. 445.
  5. 5.  Ver “Leaves from the Life of Elizabeth Horrocks Jackson Kingsford,” Sociedade Histórica do Norte de Utah, Manuscrito A 719; em “Remembering the Rescue,” Ensign, agosto de 1997, p. 47
  6. 6. Versão resumida de um e-mail enviado por Monica Sedgwick, presidente das Moças da Estaca Laguna Niguel Califórnia, e de um discurso proferido por Leslie Mortensen, presidente das Moças da Estaca Mission Viejo Califórnia.
  7. 7. Extraído de um artigo intitulado “Why Do We Let Them Dress Like That?” (Wall Street Journal, março 19–20 de 2011, C3), uma mãe judia solícita defende os padrões de vestimenta e modéstia e reconhece o exemplo das mulheres mórmons.
  8. 8. “A Família: Proclamação ao Mundo”, A Liahona, novembro de 2010, última contracapa.
  9. 9. Ver Putnam and Campbell, American Grace, pp. 244–245.
  10. 10. Ver Putnam and Campbell, American Grace, p. 504.
  11. 11.  Doutrina e Convênios 81:5; ver também Mosias 4:26.
  12. 12.  Doutrina e Convênios 138:56.
  13. 13.  Manual 2: Administração da Igreja, 2010, p. 24.
  14. 14. Ver Manual 2, 6.1.
  15. 15. Ver Manual 2, 4.5.
  16. 16. Ver Emily Matchar, “Why I Can’t Stop Reading Mórmon Housewife Blogs,” salon.com/life/feature/2011/01/15/feminist_obsessed_with_mormon_blogs. Essa mulher que se identifica como sendo feminista e ateia admite o fato e diz que é viciada em ler blogs de donas de casa mórmons.
  17. 17. De conversas com o Presidente da Estaca Nuku’alofa Tonga Ha’akame, Presidente Lehonitai Mateaki (que posteriormente serviu como presidente da Missão Papua-Nova Guiné Port Moresby) e da presidente da Sociedade de Socorro Leinata Va’enuku.
  18. 18. Ver D’Vera Cohn e Richard Fry, “Women, Men, and the New Economics of Marriage,” Centro de Pesquisas Pew, Tendências Sociais e Demográficas, pewsocialtrends.org. O número de crianças nascidas também diminuiu significativamente em muitos países. Isso tem sido chamado de Inverno Demográfico.
  19. 19. “A Troubling Marriage Trend,” Deseret News, 22 de novembro de 2010, A14, citando um relatório do msnbc.com.
  20. 20. Ver Simon Collins, “Put Family before Moneymaking Is Message from Festival,” Nova Zelândia Herald, 1º de fevereiro de 2010, A2.
  21. 21. Gordon B. Hinckley, “Mulheres da Igreja,” A Liahona, janeiro de 1997, p. 72; ver também Spencer W. Kimball, “Nossas Irmãs na Igreja,” A Liahona, março de 1980, p. 72 [traduções atualizadas].
  22. 22. “Irmãs em Sião,” Hinos, nº 200.
  23. 23. Karen Lynn Davidson, Our Latter-Day Hymns: The Stories and the Messages, . ed. Rev., 2009, pp. 338–339.

domingo, 24 de abril de 2011

A Felicidade É Sua Herança, Dieter F. Uchtdorf


Dieter F. Uchtdorf
Nosso direito nato — e o propósito de nossa grande jornada nesta Terra — é buscar e vivenciar a felicidade eterna.

Queridas irmãs, sou grato por esta primeira oportunidade de falar às mulheres da Igreja congregadas em todas as partes do mundo. Temos a grande honra de contar hoje com a presença do Presidente Monson e do Presidente Eyring. O coro nos emocionou com sua música e ouvimos as mensagens inspiradoras da irmã Thompson, da irmã Allred e da irmã Beck.
Ao saber que lhes falaria hoje, fiquei pensando nas muitas mulheres que moldaram a minha vida: minha maravilhosa esposa Harriet, minha mãe, minha sogra, minha irmã, minha filha, minha nora e muitas amigas. Em toda minha vida, tive a meu lado mulheres que me inspiraram, ensinaram e motivaram. Sou o que sou hoje, em grande parte, devido a essas mulheres inigualáveis. Sempre que me reúno com as irmãs da Igreja, sinto que estou rodeado de almas igualmente notáveis. Sou grato por estar aqui, grato por seus talentos, sua compaixão e seu serviço. Acima de tudo, sou grato por quem vocês são: preciosas filhas de nosso Pai Celestial, e de valor infinito.
Com certeza não estou dizendo algo novo, mas as diferenças entre homens e mulheres podem ser em geral muito marcantes — física, mental e também emocionalmente. Uma das melhores ilustrações disso está na maneira como eu e minha mulher preparamos uma refeição.
Quando Harriet prepara um prato, é uma obra-prima. Sua culinária é vasta como o mundo, e, muitas vezes, ela prepara pratos típicos de países que já visitamos. A aparência dos seus pratos é inspiradora. De fato, são tão bonitos, que parece um crime comê-los. Eles são um banquete, tanto para os olhos como para o paladar.
Porém, por mais perfeito que tudo esteja, na aparência e no sabor, Harriet sempre vai pedir desculpas por algo que acha estar imperfeito. “Acho que coloquei gengibre demais”, ela vai dizer, ou “da próxima vez, acho que seria melhor colocar mais curry e mais uma folha de louro”.
Agora vou comparar com minha técnica na cozinha. Quando preparei este discurso, perguntei à Harriet que prato eu faço melhor.
Ela respondeu: ovos fritos.
Com gemas inteiras.
Mas isso não é tudo. Preparo um prato especial chamado Knusperchen. O nome até parece com algum prato sofisticado de um restaurante fino. Vou contar-lhes como prepará-lo. Corta-se o pão francês em fatias finas que depois são torradas duas vezes.
Essa é a receita!
Portanto, entre ovos fritos — mesmo encharcados — e Knusperchen — mesmo queimado — quando cozinho, sinto-me um verdadeiro herói.
Todo esse contraste entre minha esposa e eu talvez seja um pouco exagerado, mas ilustra algo que pode ir muito além da culinária.
Parece-me que nossas notáveis irmãs às vezes subestimam seus talentos — concentram-se no que lhes falta ou é imperfeito, em vez de pensarem naquilo que realizaram e em quem são.
Talvez vocês reconheçam essa característica em alguém que conheçam muito bem.
O aspecto positivo é que ela também é sinal de uma qualidade admirável: o desejo nato de agradar ao Senhor da melhor forma possível. Infelizmente, ela também pode conduzir à frustração, ao cansaço e à infelicidade.

A Todas que Estão Cansadas

Hoje, gostaria de falar àquelas que já se sentiram inadequadas, desanimadas ou cansadas — em resumo, quero falar a todos nós.
Rogo também ao Espírito Santo que amplie minhas palavras e confira-lhes mais significado, profundidade e inspiração.
Sei que às vezes é difícil manter a cabeça fora d’água. De fato, neste mundo de mudanças, desafios e tarefas, às vezes pode parecer quase impossível evitar sentir-nos assoberbados pelas emoções trazidas pelo sofrimento e pela tristeza.
Não quero dizer que bloquear os sentimentos negativos seja simples como desligar um interruptor. Não estamos em um show de auto-ajuda para levar os que afundam na areia movediça a pensar que estão descansando em uma praia. Sem dúvida, em nossa vida sempre há preocupações justas. Sei que há corações aqui, hoje, que abrigam dores profundas. Outros lutam contra temores que perturbam a alma. Para algumas, a solidão é sua provação secreta.
Tais coisas não são insignificantes.
Entretanto, gostaria de falar-lhes sobre dois princípios que podem ajudá-las a encontrar o caminho da paz, esperança e alegria — mesmo nos momentos de provação e sofrimento. Quero falar sobre a felicidade de Deus e sobre como cada um de nós pode experimentá-la, apesar das dificuldades que nos cercam.

A Felicidade de Deus

Primeiramente, quero fazer-lhes uma pergunta: “Qual é, em sua opinião, a maior felicidade possível?” Para mim, a resposta é “A felicidade de Deus”.
Isso nos leva a outra pergunta: “E qual é a felicidade do nosso Pai Celestial?”
Talvez seja impossível responder, porque os Seus caminhos não são os nossos caminhos. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os caminhos de Deus mais altos e os pensamentos Dele mais altos do que os nossos. 1
Embora não conheçamos “o significado de todas as coisas”, sabemos que Deus “ama seus filhos” 2 , porque disse: “Pois eis que esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem”. 3
O Pai Celestial é capaz de realizar essas duas grandes obras: a imortalidade e a vida eterna do homem, porque Ele é um Deus criador e compassivo. Criar e ser compassivo são dois objetivos que contribuem para a felicidade perfeita do Pai Celestial. Criar e ser compassivo são duas atividades que nós, como Seus filhos espirituais, podemos e devemos imitar.

A Obra da Criação

O desejo de criar é um dos mais profundos anseios da alma humana. Sejam quais forem nossos talentos, estudos ou nossas habilidades, cada um de nós tem um desejo inato de criar algo.
Todo mundo é capaz de criar. Não é necessário ter dinheiro, destaque ou influência para criar algo que tenha conteúdo e beleza.
O ato de criar proporciona profunda satisfação e realização. Desenvolvemos a nós e a outros quando tomamos nas mãos “matéria inorganizada” e fazemos dela algo belo — e não estou falando do processo de limpeza do quarto de seus filhos adolescentes.
Talvez alguém diga: “Não sou do tipo criativo. Quando canto, sempre estou meio-tom acima ou abaixo da nota. Não consigo traçar uma reta sem uma régua. E a única utilidade prática para o pão que faço em casa é servir de peso de papel ou segurar a porta”.
Se for assim que você se sente, reconsidere, e lembre-se de que você é uma filha espiritual do Ser mais criativo do universo. Não é admirável a idéia de que nosso próprio espírito foi moldado por um Deus infinitamente criativo e eternamente compassivo? Pensem nisto: seu corpo espiritual é uma obra-prima, criada com beleza, funções e capacidades muito além do que podemos imaginar.
Mas com que finalidade fomos criados? Fomos criados com o propósito e com o potencial expresso de experimentarmos a plenitude da alegria. 4 Nosso direito nato — e o propósito de nossa grande jornada nesta Terra — é buscar e vivenciar a felicidade eterna. Uma das maneiras de encontrá-la é por meio da criação.
Se você é mãe, você participa da obra de criação com Deus — não só por proporcionar um corpo físico a seus filhos, mas também por ensiná-los e criá-los. Se você ainda não é mãe, os talentos criativos que desenvolver a prepararão para quando esse dia chegar, seja nesta vida ou na eternidade.
Talvez você pense que não tem talento, mas essa é uma conclusão falsa, pois todos temos talentos e dons, cada um de nós. 5 A criatividade não tem limites e extrapola as bordas de uma tela ou uma folha de papel, e não requer pincéis, caneta e nem mesmo as teclas de um piano. Criatividade significa tornar existente algo que não existia antes: jardins floridos, lares harmoniosos, lembranças familiares, riso prazeroso.
Aquilo que você cria não tem de ser perfeito. Então, que importa se os ovos estão encharcados ou as torradas queimadas? Não deixe o medo do fracasso desanimá-la. Não deixe que as vozes dos críticos a paralise — sejam vozes de fora ou de dentro de você mesma.
Se ainda assim se sente incapaz de criar, comece aos poucos. Veja quantos sorrisos você pode causar, escreva uma carta de agradecimento, aprenda algo novo, identifique um espaço e o embeleze.
Há cerca de 150 anos, o Presidente Brigham Young falou aos santos daquela época: “Há uma grande obra para os santos realizarem”, disse ele. “Desenvolvam e aperfeiçoem, tornem belo tudo ao seu redor. Cultivem a terra e cultivem sua mente. Ergam cidades, adornem seus lares, plantem jardins, pomares, vinhas e tornem a terra tão agradável que, quando contemplarem seus labores, façam isso com satisfação, e que os anjos possam ter prazer em vir a seus belos recantos e visitá-los. Ao mesmo tempo, procurem sempre adornar sua mente com todas as graças do Espírito de Cristo.” 6
Quanto mais confiamos no Espírito e Dele dependemos, maior é a nossa capacidade de criar. Esta é nossa oportunidade nesta vida e nosso destino na vida futura. Irmãs, confiem no Espírito e tenham fé Nele. Quando aproveitamos as oportunidades comuns da vida diária e criamos algo de belo e útil, aprimoramos não só o mundo ao nosso redor, mas também o nosso mundo interior.

Ser Compassivo

Ser compassivo é outra grande realização de nosso Pai Celestial e é uma característica fundamental do povo que somos. Foi-nos ordenado que “[socorrêssemos] os fracos, [erguêssemos] as mãos que pendem e [fortalecêssemos] os joelhos enfraquecidos”. 7 Os discípulos de Cristo, em todas as épocas, distinguiram-se pela compaixão. Os que seguem o Salvador “[choram] com os que choram (…) e [consolam] os que necessitam de consolo”. 8
Quando agimos para abençoar a vida dos outros, nossa própria vida é abençoada. O serviço e o sacrifício abrem as portas do céu, fazendo fluir sobre nós as mais ricas bênçãos. Seguramente, nosso amado Pai Celestial sorri para aqueles que cuidam do menor de Seus filhos.
Ao edificarmos os outros, nós próprios também somos edificados. O Presidente Spencer W. Kimball ensinou: “Quanto mais servimos ao nosso próximo da maneira adequada, mais substância se agrega a nossa alma”. 9
O Presidente Gordon B. Hinckley acreditava no poder restaurador do serviço. Após a morte da esposa, ele deu à Igreja um grande exemplo, mergulhando no trabalho e servindo aos outros. Conta-se que o Presidente Hinckley disse a uma irmã que tinha acabado de perder o marido: “O trabalho vai curar sua tristeza. Sirva ao próximo”.
Tais palavras são profundas. Ao nos perdermos no serviço ao próximo, descobrimos nossa própria vida e felicidade.
O Presidente Lorenzo Snow expressou idéia semelhante: “Quando se sentir triste, olhe ao redor e encontre alguém que tenha uma dificuldade maior que a sua, vá até essa pessoa, descubra o que a aflige e depois procure remover o incômodo com a sabedoria que Deus lhe concedeu; logo você perceberá que sua tristeza terá desaparecido, você se sentirá leve, o Espírito do Senhor estará sobre você, e tudo parecerá luminoso”. 10
No mundo atual da psicologia pop, da TV sensacionalista e dos manuais prescritivos de auto-ajuda, esse conselho pode parecer irracional. Dizem-nos às vezes que a resposta para nossos males está em olhar para o próprio umbigo, fazer o que dá prazer, gastar agora para pagar depois e satisfazer os desejos, mesmo à custa dos que nos rodeiam. Embora haja momentos em que seja prudente cuidar primeiro das nossas próprias necessidades, a longo prazo, isso não leva à felicidade duradoura.

Instrumento nas Mãos do Senhor

Creio que as mulheres da Igreja, seja qual for sua idade, estado civil ou papel na família, compreendem e aplicam perfeitamente as palavras de James Barrie, autor de Peter Pan: “Os que trazem o sol à vida dos outros não conseguem deixar de desfrutá-lo também”. 11 Diversas vezes, testemunhei muitos atos silenciosos de bondade e compaixão de nobres mulheres que foram além da caridade altruísta. Meu coração se regozija ao ouvir relatos sobre irmãs da Igreja e de como elas se apressam em ajudar os necessitados.
Há pessoas na Igreja — homens e mulheres — que não sabem como contribuir para o reino. Às vezes, as solteiras, divorciadas ou viúvas se perguntam se há lugar para elas. Toda irmã na Igreja é muito importante — não apenas para o Pai Celestial, mas para a edificação do Reino de Deus também. Há uma grande obra a realizar.
Há um ano, nesta reunião, o Presidente Monson ensinou que “vocês estão naturalmente rodeadas de oportunidades de serviço. (…) Com freqüência, pequenos atos de serviço são tudo o que é preciso para erguer e abençoar outra pessoa”. 12 Olhem ao redor. Ali, na reunião sacramental, existe uma jovem mãe com vários filhos — sente-se ao lado dela e ofereça ajuda. Na sua vizinhança há um jovem que está desanimado — diga-lhe que gosta de sua presença, que sente a bondade dele. Palavras de verdadeiro estímulo requerem apenas um coração amoroso e atencioso, mas podem exercer uma influência eterna na vida dos que a rodeiam.
Vocês, magníficas irmãs, servem ao próximo com compaixão por razões muito superiores ao desejo de obter benefício próprio. Ao fazê-lo, estão imitando o Salvador que, embora sendo Rei, não procurou destaque, nem Se preocupou se era notado ou não. Não Se preocupava em competir com os outros. Seu pensamento estava sempre focado em ajudar os outros. Ele ensinava, curava, conversava com os outros e ouvia-os. Ele sabia que a grandeza nada tinha a ver com sinais externos de prosperidade ou destaque. Ele ensinou e viveu a própria doutrina: “O maior dentre vós será vosso servo”. 13
No final, o número de orações que proferirmos pode contribuir para nossa felicidade, mas o número de orações respondidas por nosso intermédio pode ter importância ainda maior. Que nossos olhos se abram para os corações pesarosos, percebam a solidão e o desespero; que sejamos a resposta às orações silenciosas dos que nos cercam, que sejamos instrumentos nas mãos do Senhor para atender a essas orações.

Conclusão

Queridas irmãs, tenho uma fé simples. Creio que, se forem fiéis e diligentes em guardar os mandamentos de Deus, aproximando-se Dele com fé, esperança e caridade, tudo se reverterá para o seu próprio bem. 14 Creio que, à medida que vocês se perderem na obra do Pai — ao criar beleza e ter compaixão para com os outros — Deus as envolverá nos braços de Seu amor, 15 e o desânimo, o cansaço ou os sentimentos de inadequação darão lugar a uma vida cheia de significado, graça e realização.
Vocês são filhas espirituais do Pai Celestial, e a felicidade é sua herança.
Vocês são filhas especiais do Pai Celestial e, por meio das coisas que criam e pelo serviço compassivo que prestam, são uma grande força para o bem. Vocês farão do mundo um lugar melhor. Ergam a cabeça; caminhem com confiança. Deus ama vocês. Nós amamos vocês e as admiramos.
Disso testifico, e deixo com vocês minha bênção como Apóstolo do Senhor, no nome de Jesus Cristo. Amém.

Levantemo-nos e Unamo-nos- Sheri L. Dew


“Nenhuma mulher é um instrumento mais vibrante nas mãos do Senhor que uma mulher de Deus que sente grande satisfação e emoção por ser quem é.”
Quando completei 12 anos, eu tinha quase 1.80 m, e minha vida social era um desastre. Por ser bem mais alta que minhas amigas, passei a adolescência isolada. Eu não queria me sobressair, pelo menos não daquela forma; por isso, andava sempre meio encurvada. Como resultado, minha mãe estava sempre me dizendo para “levantar a cabeça”. Eu não queria levantar-me naquela época, mas hoje quero, pois todas fomos admoestadas a “[levantar-nos]” (2 Néfi 8:17) e servir de testemunhas (ver Mosias 18:9) para que todas “[nos apresentemos] sem culpa perante Deus no último dia” (D&C 4:2). Não encontro nenhuma escritura que nos aconselhe a andarmos encurvadas em Sião. Em vez disso, somos muitas vezes instruídas a “levantar-nos e ficarmos em pé”. (Ver 3 Néfi 20:2.)
Quando eu era adolescente, não entendia que não tinha sido destinada a manter-me escondida no meio da multidão. Vocês também não. Pois, como mulheres de Deus, precisamos levantar-nos de modo que nos sobressaiamos em relação ao restante do mundo. Só assim podemos esperar sentir alegria, porque ter alegria e levantar-nos, não sobre nossos pés mas como embaixadoras do Senhor, são coisas diretamente relacionadas entre si.
Minha família lembrou-se desse fato recentemente de modo muito dramático. Tenho 17 sobrinhas e sobrinhos maravilhosos. Fazemos excursões, andamos de bicicleta e oramos e jejuamos juntos. Recentemente todos choramos juntos. Há poucas semanas, sentimos imensa dor ao vermos dois dos filhos de minha irmã, Amanda de 11 e Tanner de 15 anos, perderem a vida em um acidente. Como sempre fomos muito unidos por causa de nosso amor, choramos muito a perda daqueles que se foram. (Ver D&C 42:45.)
Os amigos que moram em nossa cidade, a maior parte deles não- membros, choraram conosco, e sabíamos que o coração deles talvez jamais viesse a estar tão aberto à verdade quanto naquele dia em que os dois caixões estavam sendo velados em nossa pequena capela no Kansas. Por isso, testemunhamos a respeito de Cristo e do evangelho restaurado durante todo o serviço fúnebre. Mais tarde, muitos nos contaram como ficaram tocados com o que ouviram e sentiram. Alguns até manifestaram interesse em aprender mais. Não sabemos se alguém que se tenha sentido tocado com a morte de nossos jovens chegará a filiar-se à Igreja. Mas sabemos que o fato de nos levantarmos para expressar nossas crenças e ensinar o evangelho a amigos que jamais haviam demonstrado interesse foi algo que ajudou a amenizar nossa dor e trazer alegria à nossa família.
Neste mundo, a única alegria verdadeira promana do evangelho. Uma alegria que é irradiada da Expiação e das ordenanças que transcendem o véu e do Consolador que salva nossa alma. Recentemente, minha sobrinha de 11 anos, Aubrey, cujo pai morreu há cinco anos, foi questionada por uma amiga não-membro, que lhe perguntou por que não estava triste com a morte do pai e mais recentemente, dos primos. A resposta de Aubrey foi notável: “Não estou triste? Pode acreditar que estamos muito tristes, sim, mas sabemos que estaremos juntos novamente, de modo que não nos preocupamos muito”. Nossa família sem dúvida chorou muito, mas não nos preocupamos tanto quanto nos preocuparíamos se não sentíssemos o amor transcendental e o poder curador de Jesus Cristo. O evangelho é glória em vez de cinza (Isaías 61:3), é o óleo da alegria (Hebreus 1:9), são boas novas!
Embora nossos filhos tenham partido, temos a gloriosa certeza de que não os perdemos. Mas, e quanto aos filhos de nosso Pai, nossos irmãos e irmãs, que estão perdidos e que estão diante não apenas da morte física, mas da morte espiritual? O evangelho de Jesus Cristo foi feito para todas as pessoas. É hora de deixarmos as noventa e nove e irmos ao deserto em busca daquelas que se perderam. É hora de levarmos os fardos uns dos outros, sendo que o maior fardo que uma pessoa pode carregar é caminhar por esta vida sem ter luz. Por isso, o Senhor pediu-nos nestes últimos dias: “O campo já está branco para a ceifa; e é a décima primeira hora e a última vez que chamarei trabalhadores para a minha vinha; … portanto lançai vossas foices e ceifai com todo o poder”. (D&C 33:3, 7)
Os profetas antigos previram um dia em que “o conhecimento de um Salvador se [espalharia] por toda nação, tribo, língua e povo”.(Mosias 3:20)Esse dia chegou. E é nossa vez de lançarmos nossas foices e ajudarmos na colheita. Não é por acaso que estamos hoje aqui. Por um longo período de tempo, nosso Pai observou, pois sabia que poderia contar conosco quando tudo mais estivesse em jogo. Fomos reservadas para este exato momento. Temos que compreender não apenas quem somos, mas quem sempre fomos. Pois somos mulheres de Deus, e o trabalho das mulheres de Deus sempre foi o de ajudar a edificar o reino de Deus.
Quando na vida pré-mortal, aceitamos o plano de nosso Pai, conforme explica o Élder John A. Widtsoe, “concordamos naquele exato momento que seríamos salvadoras … de toda a família humana. … A execução do plano … não é um trabalho apenas do Pai e do Salvador, mas é um trabalho nosso também”. (Utah Genealogical and Historical Magazine, outubro de 1934, p. 189.) Portanto, quando aqui fomos batizados, renovamos nosso compromisso e convênio com o Senhor. Não admira que o Presidente Gordon B. Hinckley tenha declarado que “se é para o mundo ser salvo, nós é que temos de fazê-lo. … Nenhum outro povo na história do mundo … recebeu … esse mandamento de modo mais enfático do que o nosso …, por isso é melhor que comecemos a trabalhar nesse sentido”. (“Church Is Really Doing Well”, Church News, 3 de julho de 1999, p. 3.)
Irmãs, temos um trabalho a fazer. O Profeta Joseph encarregou a Sociedade de Socorro do trabalho de salvar almas (ver History of the Church, 5:25), porque ir atrás dos que se perderam e cuidar deles é algo que faz parte de nossa natureza. Contudo, o Presidente Spencer W. Kimball lamentou que existe um poder na Sociedade de Socorro que não tinha “ainda sido plenamente exercido … para edificar o reino de Deus”. (“Relief Society — Its Promise and Potential”, Ensign, março de 1976, p. 4.) Pelo bem de tudo o que foi feito no passado, a Sociedade de Socorro ainda precisa ajudar a levar adiante este trabalho dos últimos dias, como é o seu dever. Irmãs, chegou o momento de exercermos o poder de felicidade e retidão que existe entre as mulheres de Deus. Chegou o momento de nos engajarmos dedicadamente no trabalho de salvar almas. Chegou o momento de as irmãs da Sociedade de Socorro colocarem-se ao lado do profeta e apoiarem-no no trabalho de ajudar a edificar o reino. Chegou a hora de todas nos levantarmos e nos unirmos.
Isso começa com a nossa própria conversão, porque quando sentimos a “intensa alegria” do evangelho (Alma 36:24), temos o desejo de compartilhá-la. Os alimentos e acolchoados que fizemos para aliviar o sofrimento das pessoas são maravilhosos atos de bondade, mas nenhum serviço, eu repito, nenhum serviço se compara ao de levarmos alguém até Cristo. Querem ser felizes? Eu quero dizer verdadeiramente felizes? Então cuidem de alguém ao longo do caminho que conduz ao templo e a Cristo.
O modo mais eficaz de se compartilhar o evangelho é vivendo-o. Se vivermos como as discípulas de Cristo deveriam viver, se não formos apenas boas, mas tivermos alegria em nossa bondade, as outras pessoas serão atraídas até nós porque seremos “diferentes, de um modo muito feliz” (“The Role of Righteous Woman”, Ensign, novembro de 1979, p. 104), como o Presidente Kimball profetizou. Seremos felizes pelo modo que escolhemos viver; felizes porque não estamos constantemente remoldando-nos à imagem do mundo; felizes por termos “o dom e o poder do Espírito Santo” (1 Néfi 13:37); felizes por levantar-nos de modo a destacar-nos na multidão.
Toda vez que fortalecermos nosso próprio testemunho ou ajudarmos alguém a fortalecer o seu testemunho, edificamos o reino de Deus. Toda vez que ajudamos uma irmã recém-batizada a integrar-se ou fazemos amizade com uma alma errante, sem julgá-la, ou convidamos uma família de não-membros para nossa reunião familiar, entregamos um Livro de Mórmon para um conhecido, conduzirmos uma família ao templo ou defendemos o recato e a maternidade, convidamos os missionários para irem à nossa casa ou ajudamos alguém a descobrir o poder da palavra, estamos edificando o reino de Deus. Imaginem como minha irmã se sentiu elevada quando leu o que Tanner havia escrito em seu diário pouco antes de morrer: “Obrigado, mamãe e papai, por ensinar-me a respeito de Cristo”. O que edifica mais o reino do que criar um filho para o Senhor?
Com exceção daquelas que estão servindo numa missão de tempo integral, não precisamos de um crachá com o nosso nome nem bater de porta em porta para ajudar a edificar o reino. Embora algumas pessoas nos vejam como mulheres mal vestidas e submissas em vez das mulheres dinâmicas e radiantes que somos, nenhuma mulher é mais persuasiva, exerce maior influência para o bem nem é um instrumento mais vibrante nas mãos do Senhor que uma mulher de Deus que sente grande satisfação e emoção por ser quem é. Gosto de pensar em nós mesmas como as armas secretas do Senhor. Se usássemos um crachá, gostaria que no meu estivesse escrito: “Sheri Dew, Mulher de Deus, Atarefada na Edificação do Reino de Deus”.
Imaginem o que aconteceria nesta Igreja se a cada manhã, nós todas, 4.5 milhões de mulheres, nos ajoelhássemos e perguntássemos a nosso Pai a quem Ele precisaria que estendêssemos a mão nesse dia. Imaginem então se fizéssemos isso! Imaginem o que aconteceria se consagrássemos toda a nossa energia e atenção para o maior de todos os serviços, que é o de conduzir nossos irmãos e irmãs a Cristo. Imaginem o que aconteceria se uníssemos todas as irmãs da Sociedade de Socorro num esforço conjunto para ajudar a edificar o reino. Veremos então o despertar de um gigante adormecido.
Convido-as hoje a levantarem-se, a lançarem sua foice e fazerem parte deste trabalho com todo o vigor. Convido-as a rededicarem sua vida à edificação do reino. A estenderem a mão para alguém que tenha se afastado do caminho. A assumirem a responsabilidade de cuidar de um membro novo. A pensarem na possibilidade de servir numa missão com seu marido. A procurarem e orarem por oportunidades de realizar o trabalho missionário. De fazerem algo de importante para a vida espiritual de alguém, especialmente para a dos membros de sua própria famí-lia. Nenhuma de nós pode tocar a vida de todas as pessoas. Mas e se todas tocarmos a vida de alguém? E depois, a de outra pessoa, a de outra e, assim, sucessivamente. O Presidente Hinckley pediu-nos que nos “tornássemos um imenso exército cheio de entusiasmo por este trabalho”. (Encontrem as Ovelhas e Apascentem-nas”, A Liahona, julho de 1999, p. 118.) Ao fazê-lo, iremos tornar-nos parte de uma das maiores influências positivas que o mundo já viu. Pois nós, as irmãs da Sociedade de Socorro, somos mulheres de Deus. E o trabalho das mulheres de Deus e da Sociedade de Socorro sempre foi o de ajudar a edificar o reino de Deus. Creio que podemos fazer mais para ajudar nossos líderes do sacerdócio do que jamais foi feito antes.
No quórum do sacerdócio de meu sobrinho, poucas horas antes de ele morrer, Tanner disse: “Sabe, se eu tiver que morrer cedo, quero que meu funeral seja como a despedida de um missionário indo para o campo”. Minha oração, nesta noite, é que possamos ter essa mesma clara consciência de nossa missão como mulheres de Deus. Esta não é apenas uma igreja muito boa que ensina coisas muitos boas para que possamos viver uma vida muito boa. Esta é A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, investida com o Seu poder e encarregada de levar Sua verdade aos confins da Terra. Amo nosso Pai. E amo Seu Filho. E adquiri por mim mesma o conhecimento de que este é o Seu trabalho e Sua glória e que somos as mais abençoadas de todas as mulheres por desempenharmos uma parte tão essencial dele. Que possamos erguer nossas “vozes como o som de uma trombeta”. (D&C 42:6) Que encontremos alegria ao levantar-nos e unir-nos. E que “façamos alegremente todas as coisas que estiverem a nosso alcance” (D&C 123:17) e depois permaneçamos firmes para ver o braço de Deus revelar-se e o Seu trabalho avançar com coragem e nobreza, “até que tenha … visitado cada país e soado em cada ouvido, até que os propósitos de Deus sejam cumpridos, e o Grande Jeová diga que o trabalho está terminado”. (History of the Church, 4:540) No sagrado e santo nome de Jesus Cristo. Amém.

O que Significa Ser uma Filha de Deus , James E. Faust


A dedicação e devoção das irmãs desta Igreja foram, desde o princípio, um aspecto maravilhoso e fortalecedor da Igreja.
Minhas queridas irmãs, Sinto-me humilde por estar em sua presença. Sentimo-nos especialmente honrados nesta noite pela presença do Presidente Hinckley e do Presidente Monson. A música deste coro extraordinário foi muito inspiradora. A terna oração da irmã Butterfield foi um convite para que o Espírito do Senhor estivesse conosco. Fomos inspirados pelas mensagens da irmã Jensen, da irmã Dew e da irmã Smoot a respeito do tema desta conferência: “Exulta, e alegra-te ó filha de Sião, porque eis que venho, e habitarei no meio de ti, diz o Senhor”. 1 Cada uma de vocês, como filha de Sião, irradia fé e virtude.
Meu respeito e admiração por vocês, irmãs maravilhosas, tanto jovens quanto idosas, vão além do que eu possa exprimir. Aceitem nossos agradecimentos por sua fé, devoção e exemplo de retidão. A dedicação e devoção das irmãs desta Igreja foram, desde o princípio, um aspecto maravilhoso e fortalecedor da Igreja. Os problemas que vocês enfrentam hoje são diferentes dos de suas antepassadas, mas também são muito reais.
Quero falar hoje sobre o que significa ser uma filha de Deus. A nova declaração da Sociedade de Socorro começa assim: “Somos amadas filhas espirituais de Deus”. Ser uma filha de Deus significa que foram geradas por Deus e que são literalmente descendentes de um Pai Divino, tendo herdado atributos e potencial eternos. Ser uma filha de Deus também significa que nasceram de novo, passando de um “estado carnal e decaído para um estado de retidão”. 2
Uma certa jovem tornou-se muito mais ciente do maravilhoso relacionamento que temos com nosso Pai Celestial ao sair de casa pela primeira vez para ir à faculdade. Seu pai deu-lhe uma bênção e expressou seu amor por ela. Ela escreveu:
“Apeguei-me a suas palavras de amor e apoio ao dizer um doloroso adeus à minha família. Senti-me sozinha e assustada, navegando por mares desconhecidos. Antes de sair do apartamento, naquela manhã, ajoelhei-me para pedir ajuda. Implorei desesperadamente a meu Pai Celestial que me desse forças para enfrentar o mundo da faculdade sozinha. Eu tinha deixado minha família, meus amigos e tudo que me era conhecido um dia antes e sabia que precisava de Sua ajuda.
Minhas orações foram atendidas enquanto refletia a respeito da carinhosa experiência que tivera com meu pai, no dia anterior. Uma onda de consolo invadiu-me o peito, ao perceber que eu não tinha ido para a faculdade apenas com a bênção de meu pai terreno. De repente, senti que um dia, há não muito tempo, meu Pai Celestial havia-me tomado em Seus braços. Talvez Ele tenha proferido palavras de conselho e incentivo e dito que acreditava em mim, da mesma forma que meu pai terreno. Naquele momento, então, eu soube que jamais deixaria de contar com o perfeito amor e o infindável apoio de meu Pai Celestial”. 3
Ser membro da Sociedade de Socorro, um privilégio concedido a todas mulheres adultas da Igreja, proporciona a vocês um lar fora de seu lar celestial, onde podem integrar-se com outras que compartilham suas crenças e valores.
Pensei nisso recentemente quando estive na histórica cidade de Nauvoo. Visitamos a pequena casa onde a Sociedade de Socorro foi organizada com 18 membros, em 17 de março de 1842. Poucos dias depois, em 28 de abril de 1842, o Profeta Joseph Smith declarou: “Esta Sociedade receberá instruções por meio da ordem que Deus estabeleceu por intermédio das pessoas que foram designadas a liderar”. Em seguida, foi feita esta importante e significativa declaração profética: “E agora eu vos abro as portas em nome de Deus, e esta Sociedade se regozijará, e conhecimento e inteligência fluirão a partir deste momento. Este é o início de tempos melhores para esta Sociedade”. 4
Tanto no templo de Kirtland quanto no de Nauvoo as mulheres atenderam ao chamado triturando suas preciosas porcelanas para serem usadas nas paredes do templo. Desde o início desta sociedade, grandes foram seus esforços e infindáveis as suas realizações.
O que é a Sociedade de Socorro? Em minha opinião, ela enfoca quatro grandes conceitos:
Primeiro: É uma irmandade estabelecida por Deus.
Segundo: A sociedade é um lugar de aprendizado.
Terceiro: É uma organização cujo propósito fundamental é cuidar dos outros. Seu lema é: “A caridade nunca falha”.
Quarto: A Sociedade de Socorro é um lugar no qual a necessidade das mulheres de se reunirem socialmente pode ser atendida.
A participação na Sociedade de Socorro pode ajudar tanto as irmãs mais novas quanto as mais idosas a tornarem-se melhores filhas de Deus. Vocês, jovens, talvez sintam que não têm muita coisa em comum com suas mães e avós. No entanto, como Bethany Collard, de 19 anos, comentou: “O que a organização das Moças começa a construir ( . . . ) a Sociedade de Socorro continua a edificar e manter”. Ela começou a “perceber as boas obras que os membros da Sociedade de Socorro realizam” porque boas obras são algo que as mulheres de todas as idades têm em comum. Na verdade, elas são os elos que unem as irmãs entre si, independentemente de sua idade ou condições. Como Bethany disse: “Todas essas coisas são características de uma mulher divina que é uma digna filha de Deus”. 5 Tal como Emily H. Woodmansee escreveu em um hino que cantamos:
Missão qual dos anjos a nós hoje é dada
E, sendo mulheres, é nosso esse dom:
Servir com ternura na obra sagrada,
Fazendo o que é nobre, amável e bom. 6
Algumas das irmãs mais idosas podem perguntar: “Já não ouvi todas as lições que são dadas na Sociedade de Socorro? Que motivo tenho para freqüentar a Sociedade de Socorro todas as semanas?” A resposta a tais perguntas pode ser ilustrada pela história de um menino que estava aprendendo a tocar piano. Sua mãe, desejando incentivá-lo, “comprou-lhe ingressos para o recital de um grande pianista polonês, Paderewski. Na noite do concerto, mãe e filho sentaram-se quase na primeira fileira da sala de concertos. Enquanto a mãe conversava com algumas amigas, o menino silenciosamente saiu de seu lugar.
Subitamente, chegou o momento em que teria início o recital, e um foco único de luz cortou a escuridão da sala de concertos, iluminando o grande piano de cauda no palco. Só então a platéia percebeu o menininho sentado no banco do piano, inocentemente dedilhando uma canção infantil.
A mãe ficou espantada, mas antes que pudesse mover-se, Paderewski entrou no palco e rapidamente dirigiu-se ao piano. Ele sussurrou ao menino: ‘Não pare. Continue tocando’. Então, inclinando-se para a frente, o mestre estendeu a mão esquerda e começou a tocar o acompanhamento. Pouco depois, esticou o braço direito para o outro lado, envolvendo o menino, a fim de acrescentar um contracanto elaborado. Juntos, o mestre e o jovem aprendiz deixaram a platéia extasiada.
Em nossa vida, por mais incultos que sejamos, é o Mestre quem nos envolve em Seus braços e sussurra em nosso ouvido, repetidas vezes: ‘Não pare. Continue tocando’. E quando o fazemos, Ele amplia e complementa nosso desempenho até criar uma obra de incrível beleza. Ele está ao lado de todos nós, dizendo o tempo todo: ‘Continue tocando’.” 7
Se você já ouviu tudo o que é dito na Sociedade de Socorro, certamente precisa ser relembrada. Além disso, o Presidente Hugh B. Brown disse: “A teologia agrada principalmente ao intelecto, ao passo que a religião toca o coração. ( . . . ) A teologia pode constituir-se apenas de palavras, mas a religião exige ação”. 8 A ação é algo necessário para colocarem em prática o seu lema: “A caridade nunca falha”.
Temos todos uma dívida de gratidão para com Eva. No Jardim do Éden, ela e Adão foram instruídos a não comerem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. No entanto, foi-lhes dito: “Podes escolher segundo tua vontade”. 9 A escolha, na verdade, era entre a continuação de sua confortável existência no Éden, onde jamais progrediriam, e o solene exílio para a mortalidade com toda a sua oposição: Dores, provações e morte física ao contrário da alegria, crescimento e potencial de vida eterna. Ao se verem diante dessa escolha, lemos o seguinte: “E quando a mulher viu que a árvore servia para alimento e que se tornara agradável aos olhos e uma árvore desejável para torná-la sábia, tomou de seu fruto e comeu; e deu também a seu marido e ele comeu com ela”. 10 E assim teve início sua provação mortal e sua posteridade.
Depois de ter feito a escolha, Adão expressou sua gratidão: “( . . . ) Bendito seja o nome de Deus, pois, devido a minha transgressão, meus olhos estão abertos e nesta vida terei alegria; e novamente na carne verei a Deus”. 11
Eva fez uma declaração ainda mais grandiosa, com muita sabedoria e visão, depois de sair do Jardim do Éden: “( . . . ) Se não fosse por nossa transgressão, jamais teríamos tido semente e jamais teríamos conhecido o bem e o mal e a alegria de nossa redenção e a vida eterna que Deus concede a todos os obedientes”. 12 Se não fosse por Eva, nenhum de nós estaria aqui hoje.
O pai Leí declarou para nós:
“Mas eis que todas as coisas foram feitas segundo a sabedoria daquele que tudo conhece.
Adão caiu para que os homens existissem; e os homens existem para que tenham alegria.” 13
O Presidente Joseph F. Smith registrou sua visão das hostes dos mortos, na qual viu os grandes e poderosos, entre os quais estavam Adão e Eva. Ele descreve a situação em que viu Eva da seguinte forma: “E nossa gloriosa Mãe Eva, com muitas de suas filhas fiéis que viveram através das eras e adoraram o Deus verdadeiro e vivo”. 14 De fato, a Mãe Eva deixou um legado eterno que se estende pelas eras para abençoar a vida de todas as mulheres.
Como filhas de Deus, vocês não podem imaginar o potencial divino que existe em cada uma de vocês. Sem dúvida alguma o reservatório secreto da força interna da mulher é sua espiritualidade. Nesse aspecto, vocês se igualam ou mesmo sobrepujam os homens, tal como em relação à fé, a moralidade e a devoção, quando são verdadeiramente convertidas ao evangelho. Vocês têm “mais fé no ( . . . ) Mestre [e] mais rica esperança”. 15 Essa espiritualidade interior parece dar-lhes mais resistência para suportar a dor, os problemas e as incertezas.
Vocês não podem imaginar os dons e talentos que cada uma de vocês tem. Todas as mulheres têm uma beleza pessoal. Não me refiro à beleza como a das modelos, mas aquela que emana de sua personalidade, sua atitude e seu modo de falar. Peço que desenvolvam seus dons naturais femininos recebidos de Deus, com os quais foram tão ricamente abençoadas. Nenhuma de vocês deve conformar-se em deixar de cuidar de sua aparência ou seu modo de agir. Em sua época, o Presidente Brigham Young incentivou as mulheres a estudarem. Ainda é um bom conselho, mas apresso-me em acrescentar que em tudo o que fizerem não percam sua terna feminilidade.
Vocês, irmãs, não se dão conta da plena extensão de sua influência. Vocês enriquecem toda a humanidade. Toda vida humana começa por vocês. Cada mulher contribui com seus pontos fortes únicos e distintos para o benefício da família e da Igreja. Ser uma filha de Deus significa que se a buscarem encontrarão sua verdadeira identidade. Saberão quem são. Isso as tornará livres, não de restrições, mas mais livres de dúvidas, de ansiedades e das pressões da sociedade. Não terão de preocupar-se com coisas como: “Será que estou bem vestida?” “Será que pareço bem?” “O que as pessoas vão pensar de mim?” A convicção de que são filhas de Deus lhes proporcionará consolo e auto-estima. Isso significa que poderão encontrar forças no bálsamo de Cristo, que lhes ajudará a enfrentar os sofrimentos e problemas com fé e serenidade.
Pergunto-me se vocês, irmãs, conseguem avaliar plenamente os dons inatos, bênçãos e talentos que possuem simplesmente por serem filhas de Deus. É um erro as mulheres imaginarem que a vida começa somente após o casamento. Uma mulher pode e precisa ter uma identidade e sentir-se útil, valorizada e necessária, quer seja solteira ou casada. Ela precisa sentir que pode fazer algo pelos outros que ninguém mais no mundo é capaz de fazer.
Os profetas de Deus asseguraram repetidas vezes que as mulheres fiéis e solteiras podem alcançar a exaltação. A exaltação exige que a pessoa receba as ordenanças e as bênçãos do selamento, o que obviamente significa que elas serão seladas a um digno portador do sacerdócio, na vida futura, e desfrutarão de todas as bênçãos do casamento.
Minha tia-avó Ada nunca se casou. Provavelmente acreditava na seguinte filosofia: “Quando fico incomodada por ser solteira, que parece ser meu destino, penso nos muitos homens com quem sou muito grata por não estar casada”. De qualquer forma, ela foi uma das primeiras médicas do estado de Utah. Quando eu era menino, meus irmãos e eu dormíamos na varanda coberta dos fundos de casa. Certo dia, quando estava pulando na cama, tentando ver até que altura conseguia alcançar, pulei muito perto da parede e cortei o rosto em um prego saliente. Preciso de alguma desculpa para justificar minha aparência! A tia Ada foi chamada para costurar a ferida. Em outras ocasiões, quando não nos sentíamos bem, ela nos dava óleo de rícino e leite de magnésia. Ela usava emplastros de mostarda e queimava nosso peito quando estávamos resfriados. Hoje, quando sinto dores, o que está tornando-se mais freqüente à medida que fico mais velho, fico desejando que a tia Ada estivesse aqui para manter-me saudável. Toda vez que olho no espelho e vejo aquela cicatriz, um lembrete permanente de minha experiência com aquele prego, sinto um grande amor pela tia Ada inundar-me a consciência. Ela teve um papel precioso e querido em minha vida.
De todo o coração peço a vocês, irmãs, que receberam sua investidura, que procurem as bênçãos, a paz e o consolo proporcionados pelo templo. A dignidade para entrar no templo constitui uma grande proteção espiritual, até para as irmãs que não podem ir regularmente ao templo. Em Sua infinita sabedoria, o Senhor exige que os irmãos dignos possuam o sacerdócio para entrarem no templo, mas permite que as irmãs entrem unicamente em virtude de sua dignidade pessoal.
Há poucos anos, depois de entrar no templo pela primeira vez, uma irmã escreveu:
“Que bênção gloriosa estar naquela casa! Meus olhos, ouvidos e coração abriram-se para absorver seus ensinamentos. Senti a realidade de cada convênio que fiz com todas as fibras e ossos de meu corpo. Senti que estava diante do Senhor a cada vez que fiz convênios com Ele. A influência do Senhor era tão forte que não tive desejo de sair do templo depois que a sessão terminou. Senti realmente naquele momento que estava no mundo mas não fazia parte dele.”
Quatro semanas depois, ela passou pelo templo em favor de sua mãe e escreveu:
“Essa foi outra experiência gloriosa. Senti a presença de minha mãe quando passei pela sessão de investidura. Quando o selamento do casamento foi realizado por meus pais, senti literalmente a presença deles no altar. A influência do Santo Espírito na sala era tão forte que comecei a chorar ao ser selada a meus pais. Eu realmente me senti unida a eles. Desde aquele dia, tenho sentido a presença deles tão perto de mim que nem parece que eles já morreram”. 16
Conforme está dito na declaração da Sociedade de Socorro, vocês são amadas filhas espirituais de Deus. Além disso, em uma revelação dada por intermédio do Profeta Joseph Smith, foi-nos dito que “( . . . ) Todos os que recebem meu evangelho são filhos e filhas em meu reino”. 17 E como filhas em Seu reino, vocês podem partilhar de todas as bênçãos do evangelho.
Desde o início desta dispensação, as muitas contribuições feitas pelas irmãs a esta santa causa foram realmente magníficas. Presto testemunho a vocês, irmãs, que nunca na história do mundo houve maior necessidade de sua retidão, seu exemplo e suas boas obras para levar adiante este santo trabalho quanto agora.
Minhas queridas irmãs, oro para que os dons divinos que existem em cada uma de vocês se desenvolvam plenamente. Que seus ricos dons femininos de força espiritual, virtude, ternura, misericórdia e bondade possam ser plenamente manifestados. Isso acontecerá ao servirem o Senhor, sua família e seus semelhantes. Que o Senhor as abençoe para que assim o façam, é minha oração, em nome de Jesus Cristo. Amém. 9

Exibir Referências 

  1. 1.  Zacarias 2:10.
  2. 2.  Mosias 27:25.
  3. 3.  “Leaving Home” (Saindo de Casa), Caroline Hinckley, New Era, maio de 1999, p. 35.
  4. 4.  Atas da Sociedade de Socorro de Nauvoo, 28 de abril de 1842; citadas em Andrew F. Ehat e Lyndon W. Cook (eds.) The Words of Joseph Smith (As palavras de Joseph Smith) [1980], p. 118.
  5. 5.  Notas do discurso proferido por Bethany Collard, de Idaho Falls.
  6. 6.  “Irmãs em Sião” Hinos, nº 200.
  7. 7.  Trecho de um discurso feito por Ann Woodland, de Idaho Falls.
  8. 8.  Conference Report, outubro de 1962, p. 41.
  9. 9.  Moisés 3:17.
  10. 10.  Moisés 4:12.
  11. 11.  Moisés 5:10.
  12. 12.  Moisés 5:11.
  13. 13.  2 Néfi 2:24–25.
  14. 14.  D&C 138:39.
  15. 15.  “Mais Vontade Dá-me”, Hinos, ⌦nº 75.
  16. 16.  “The Glorious Moments” (Momentos Gloriosos), Sipuao Matuauto, Ensign, agosto de 1974, 64.
  17. 17.  D&C 25:1.